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Ziriguidum do D9 – Resumo – 5ª Feira, 21 abril de 2022

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Resumo de quinta-feira, 21 de abril de 2022

Edição de Chico Bruno

Manchetes

Valor Econômico – Não circula, pois hoje é feriado

FOLHA DE S.PAULO – Supremo condena deputado Daniel Silveira a prisão por atacar ministros

O GLOBO – STF condena Silveira por ataque à democracia

CORREIO BRAZILIENSE – Brasília, 62 anos inspirando amizades

O ESTADO DE S.PAULO – Falta remédio em farmácia e hospital; cirurgias são adiadas

Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia

Condenado – O Supremo Tribunal Federal condenou, por 10 votos a 1, o deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ) a 8 anos e 9 meses de prisão por ataques verbais e ameaças a ministros da corte. O voto divergente foi do ministro Kassio Nunes Marques. O ministro André Mendonça – que como Nunes Marques, foi indicado por Bolsonaro – votou pela condenação, mas com pena menor: 2 anos e 4 meses, em regime aberto (os demais pediram fechado). Ele acrescentou não caber ao STF decidir sobre o mandato. Os outros 8 seguiram o relator, Alexandre de Moraes, que votou ainda por cassar e suspender os direitos políticos do deputado, além de multá-lo em R$ 192 mil. Cabe recurso. Moraes disse que a liberdade de expressão prevista na Constituição não pode ser usada como “escudo protetivo para discurso de ódio e contra a democracia”. Para ele, o parlamentar se enquadra nos crimes de coação no curso do processo e incitação à tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes. A defesa de Silveira afirmou que o parlamentar é vítima de julgamento político e defendeu sua imunidade. “[Ele] não está “sendo julgado juridicamente”, declarou o advogado Paulo Faria. “Foi instalado um verdadeiro sistema inquisitório”.

62 anos de idade – Da determinação de JK aos primeiros traços de Lucio Costa, a capital bossa nova desafiou os céticos e brotou em meio ao cerrado. Modernista e bela. Imponente e monumental. De leveza estonteante, apesar de erigida em concreto e aço. Não à toa, tornou-se a primeira cidade moderna, planejada, a conquistar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Hoje, quando completa 62 anos, é também cosmopolita e acolhedora. Inspiradora de amizades que rendem laços duradouros entre vizinhos. Na música, no teatro, no esporte, na gastronomia, nas festividades, na solidariedade, nas atividades comunitárias nas quadras… “Gosto tanto dela assim”, cantou Djavan, seduzido por este céu capaz de nos tirar o fôlego. Celebremos, pois, mais um aniversário de Brasília. Todos juntos e misturados!

Faltam insumos – Hospitais e farmácias de São Paulo e de outros Estados, das redes pública e privada, têm relatado falta de alguns medicamentos: de produtos básicos, como antibióticos e dipirona injetável, a remédios de alto custo, para doenças como lúpus, Guillain-Barré e Crohn. Entre os motivos, dizem secretarias de Saúde e entidades do setor, estão problemas no fornecimento pelo Ministério da Saúde e dificuldades de importação de insumos, por causa da guerra na Ucrânia, do lockdown na China e movimentos de protesto de funcionários em portos e aeroportos. Gestores admitem a necessidade até de interromper tratamentos e adiar cirurgias eletivas (não urgentes). Conforme a Secretaria da Saúde paulista, dos 134 medicamentos distribuídos pela pasta federal, 22 estão em falta no Estado (17% do total). Em Minas, dos 256 remédios distribuídos pela rede estadual, faltam 51 (20%). Nesta semana, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) alertou para estoques críticos na rede privada. O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) informou não ter recebido relatos de associados sobre problemas. O Ministério da Saúde diz trabalhar para resolver a questão.

10 a 1: sem chance para reverter cassação – O placar da condenação de Daniel Silveira no Supremo Tribunal Federal dificultará a ação de seus aliados no Parlamento. A tendência do Legislativo hoje é buscar a pacificação entre os Poderes. Diante da maioria do STF, não haverá muito o que fazer. Se a Câmara chancelou quando foi uma decisão monocrática, não será agora, com a acachapante derrota de Silveira, que a Casa irá mudar o seu posicionamento. A ideia dos congressistas é aproveitar o feriado para chegar a uma definição a respeito. Ou seja, se resolve logo o caso na Mesa Diretora da Câmara, apenas acatando a decisão do STF, ou se leva ao plenário. Em princípio, a ideia é, quanto antes este assunto sair de cena, melhor.

Silveira ataca Moraes antes de julgamento – Poucas horas antes de ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) chamou o ministro Alexandre de Moraes de “reizinho do Brasil” e “menininho frustrado” que age fora da Constituição Federal.Ele também indicou que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pode ter cometido um equívoco grave contra o Legislativo por não ter pautado a sustação da ação penal fruto de desdobramento dos chamados atos antidemocráticos. Daniel Silveira discursou na tribuna da Câmara no final da manhã desta quarta-feira (20). Ele abriu sua fala citando o ex-deputado Wadih Damous (PT-RJ), que defendeu, em discurso, o fechamento do STF. Silveira afirmou que o processo que será julgado pelo STF nasceu “de forma irregular, inconstitucional” e que os pedidos para arquivamento do inquérito foram ignorados por Moraes. “O detentor da ação penal solicitou o arquivamento desse inquérito por duas vezes, foi ignorado pelo Alexandre de Moraes, o ministro que é o reizinho do Brasil, o menininho frustrado que age da maneira dele fora da Constituição Federal. Tem muita coragem, muita coragem atrás da mesa com uma caneta e o poder de mando”, criticou. O bolsonarista afirmou que, durante os 11 meses em que ficou em um presídio, “estava mais livre, porque o menor presídio do mundo é a toga do ministro Alexandre de Moraes, que só cabe um marginal.”

Bolsonaristas criticam voto de Mendonça contra Daniel Silveira – Deputados bolsonaristas demonstraram decepção com o voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pela condenação do deputado Daniel Silveira (União Brasil-RJ) por estimular atos antidemocráticos e ameaçar instituições. Silveira foi condenado a oito anos e nove meses de prisão por incitar a agressão contra ministros da Corte e atacar a democracia. Mendonça acompanhou os demais ministros e foi favorável à condenação, mas propôs uma pena de 2 anos e 4 meses de prisão, menor do que a sugerida pelo relator do processo, Alexandre de Moraes. “Quem diria que Kassio Nunes acertaria e André Mendonça erraria tanto”, escreveu a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) no Twitter. Sem citar Mendonça, o deputado federal Daniel Freitas também mostrou contrariedade com a posição do ministro. “Triste. Que vergonha”, comentou. Junio Amaral (PL-MG) parabenizou Nunes Marques pelo voto a favor de Silveira. “O Ministro Nunes Marques representou em sua fala todos os brasileiros de bem que defendem a liberdade. Deixou claro que Daniel Silveira pode até ter usado palavras de baixo calão, mas não cometeu NENHUM crime. Há esperança! #STFVergonhaNacional”, publicou.

À flor da pele – O bolsonarismo sai do julgamento do caso do deputado Daniel Silveira ávido para buscar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. E, entre aliados do presidente Jair Bolsonaro, há quem diga que o grupo não irá “baixar a bola” dessa história por se tratar de um ano eleitoral. O STF, porém, mandou um duro recado, não só aos apoiadores de Bolsonaro, mas a qualquer um: é preciso separar as ameaças e a barbárie das manifestações democráticas de liberdade de expressão. Os bolsonaristas se preparam para cantar aos quatro ventos que, no caso de Lula, os ministros do Supremo Tribunal Federal viram erros processuais. No caso de Daniel Silveira, segundo avaliação de juristas ligados a Bolsonaro, também houve erros. Isso não foi levado em conta para aliviar a vida do deputado.

Arthur do Val renuncia – O deputado estadual Arthur do Val (União Brasil), conhecido como Mamãe Falei, oficializou nesta quarta-feira (20) a renúncia ao mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo, em meio a um processo de cassação por quebra de decoro em razão de falas sexistas sobre mulheres ucranianas. A decisão pela renúncia foi antecipada pela coluna Painel, da Folha. Na noite desta quarta, Arthur entregou à Assembleia o documento no qual abdica do seu mandato, conforme confirmado pela assessoria do deputado. “Sem o mandato, os deputados agora serão obrigados a discutir apenas os meus direitos políticos e vai ficar claro que eles querem na verdade é me tirar das próximas eleições. Estou sendo vítima de um processo injusto e arbitrário dentro da Alesp. O amplo direito a defesa foi ignorado pelos deputados, que promovem uma perseguição política”, disse, mais cedo, o deputado ao Painel. “Vou renunciar ao meu mandato em respeito aos 500 mil paulistas que votaram em mim, para que não vejam seus votos sendo subjugados pela Assembleia. Mas não pensem que desisti, continuarei lutando pelos meus direitos”, completou. Líderes partidários na Assembleia afirmam que a iniciativa de Arthur do Val não deve ajudá-lo a se livrar da cassação dos seus direitos políticos —ficando inelegível por oito anos. A ideia dos deputados é manter na Casa os trâmites do processo para sua punição.

Privilégio a estados do Centrão – O Piauí e a Paraíba foram os estados mais contemplados — em termos proporcionais ao número de municípios — com recursos do programa “Caminhos da Escola”, que destina verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra de ônibus escolares. A Paraíba recebeu R$ 15,1 milhões, e o Piauí, R$ 12,1 milhões. O levantamento — feito pelos gabinetes do senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e dos deputados Tábata Amaral (PSB-SP) e Felipe Rigoni (União-ES) — compreende o empenho de recursos públicos entre 2020 e 2021. O FNDE é presidido, desde 2020, por Marcelo Lopes da Ponte, ex-chefe de gabinete do ministro da Casa Civil e cacique do Centrão, Ciro Nogueira (PP-PI), e o programa Caminhos da Escola tem comando de Garigham Amarante, ex-assessor do deputado Wellington Roberto (PL-PB). “Identificamos um favorecimento dos estados do Piauí, Paraíba e Mato Grosso na destinação dos R$ 155 milhões transferidos pelo FNDE aos municípios em 2020 e 2021, em termos de número de municípios atendidos. O FNDE e a diretoria responsável pelos recursos são comandadas por pessoas vinculadas a parlamentares do Piauí e da Paraíba”, diz o documento assinado pelas equipes dos parlamentares. O FNDE está no centro de um escândalo que envolve a suposta atuação de pastores no Ministério da Educação. Nesse chamado “gabinete paralelo”, os religiosos teriam cobrado propina para liberar recursos a municípios. As denúncias provocaram a demissão do então ministro da Educação, Milton Ribeiro. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, um inquérito foi aberto na Polícia Federal para investigar o caso. Procurados, o FNDE e a Casa Civil não se pronunciaram até o fechamento desta edição. A reportagem não conseguiu contato com o deputado Wellington Roberto.

“Poderes podem ser melhorados” – Em tom de campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar seu principal rival nas eleições de outubro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e afirmou que todos os Poderes “podem ser melhorados”. “Não se esqueçam de uma coisa: quem se eleger presidente no ano que vem indica dois ministros para o STF (Supremo Tribunal Federal). Temos Três Poderes. Todos eles, sem exceção, podem ser aperfeiçoados e melhorados”, destacou, em evento de entrega de títulos fundiários em Rio Verde (GO). “Temos eleição no corrente ano, em que pode-se renovar quase todo o Poder Executivo e também o Poder Legislativo. A decisão cabe a vocês. Não vim aqui tratar de política, mas nós sabemos quem faz, quem vem fazendo ao longo de muitos anos.” De acordo com Bolsonaro, a derrota dele no pleito “seria uma grande perda ao nosso Brasil, um grande mal ao nosso Brasil”. O chefe do Executivo aproveitou para dar estocadas na esquerda. “Todos sabemos quem é o inimigo da nação e ele veste vermelho e na sua bandeira tem uma foice e um martelo”, frisou. “Tem um ladrão que sonha em voltar ao Palácio do Planalto”, crescentou. A resposta do público foram gritos de “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”. Sobre a entrega de títulos fundiários, Bolsonaro repetiu que o documento é como uma “carta de alforria”. “Não ficam mais nas mãos daqueles que, no passado, usavam vocês como massa de manobra para invadir propriedades”, disparou. “Hoje, vocês são parceiros dos fazendeiros.” O evento foi marcado por vaias ao governador goiano Ronaldo Caiado (União Brasil). Ao iniciar seu discurso, ele também ouviu gritos de “Fora Caiado”. O gestor teve um desentendimento com Bolsonaro por causa de medidas anticovid.

Os ajustes eleitorais de Ciro – Em busca de um lugar no segundo turno das eleições, o pré-candidato ao Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, ensaia uma aproximação com os partidos que articulam a candidatura única do “centro democrático”. Ao mesmo tempo, mantém a artilharia contra os dois pré-candidatos mais bem colocados, mas dá sinais de que pode apoiar o petista Luiz Inácio Lula da Silva na rodada final. Em sabatina na manhã de ontem, realizada pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo UoL, ele admitiu que as conversas em andamento com o União Brasil podem se expandir para o MDB e para o PSDB. Ciro baixou ainda o tom contra João Doria (PSDB). Segundo o pré-candidato, a pretensão de Moro ao Planalto era o único impedimento à conversa com a terceira via, mas a questão está resolvida agora com a pré-candidatura de Luciano Bivar pelo União Brasil. Ciro considera o ex-juiz um “inimigo da República”. Em relação a João Doria, porém, o pedetista mudou o tom. Disse não julgar quem apoiou Bolsonaro, mas “rompeu com o passado de forma honesta, inclusive fazendo autocrítica”. Para Ciro, 70% dos brasileiros votaram no atual presidente e se arrependeram. “Nosso povo é ex-bolsonarista, porque foi enganado”, comentou. Questionado se há possibilidade de retirar sua candidatura para concorrer como vice em uma chapa única, o pré-candidato não descartou a possibilidade. “O diálogo pressupõe uma página em aberto. Quem senta para dialogar senta para dialogar mesmo. Agora, nem eu exijo que ninguém retire a candidatura nem eu posso chegar dizendo que admito retirar a candidatura”, afirmou. Ao Correio, o atual coordenador da campanha de João Doria, Marco Vinholi, disse ver com desconfiança a aproximação de Ciro. “Nós temos um conceito programático, dentro desse campo democrático, e um conceito de valores para quem quer sentar-se nesta mesa (da terceira via). Quem quer apoio, tem que aceitar apoiar também.”

Novo capítulo na campanha de Doria – A pré-andidatura de João Doria entrará em outra fase a partir da semana que vem, já sob a batuta do novo coordenador da campanha, Marco Vinholi, que assumiu a tarefa na semana passada, em substituição ao presidente do PSDB, Bruno Araújo. E com nível de tensão um pouco mais baixo do que o registrado até aqui. O embate com o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite vive um raro momento de trégua, selada após um encontro entre os dois, na terça-feira, em São Paulo. Vencedor das prévias do PSDB, Doria é o nome oficial para a corrida sucessória, mas uma ala poderosa da legenda ainda acredita que pode emplacar Leite como candidato de união dos partidos do autodenominado campo democrático (PSDB, MDB, União e Cidadania). Esse movimento para manter o ex-governador gaúcho na disputa vai arrefecer, nos próximos dias, fruto de uma espécie de acordo de não agressão entre os dois. Essa trégua, que pode evoluir para uma reconciliação política, reflete os dois cenários postos diante do PSDB nesta etapa da corrida eleitoral. Se a terceira via se acertar, Doria continuará sendo o nome principal do partido para compor a aliança de centro. Se fracassar, os tucanos seguirão em voo solo, novamente com Doria. Nesse caso, Leite seria um nome natural para compor uma chapa puro-sangue, como informou ontem a colunista do Correio Denise Rothenburg. Outro sinal de pacificação foi dado pelo ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, apoiador de Leite. Em entrevista à CNN Brasil, Aécio reconheceu a legitimidade da pré-candidatura do ex-governador de São Paulo e deixou dúvidas sobre a viabilidade da terceira via. “É hora de pararmos de brincar de terceira via e construirmos um caminho que seja realmente viável, e João Doria tem papel vital nisso.”

Na mira de PT e 3ª via, PSD faz consultas internas sobre aliança – Objeto de interesse do PT e de partidos da terceira via para integrar alianças ainda no primeiro turno, o PSD começou a discutir formalmente o que fará na eleição presidencial. Gilberto Kassab consultou anteontem o diretório do Rio de Janeiro, onde o prefeito Eduardo Paes e seus aliados disseram preferir que, na ausência de um nome próprio, o partido não apoie ninguém. A opção libera os políticos a se vincularem a presidenciáveis de acordo com suas próprias conveniências. Na próxima semana, serão ouvidos políticos da Bahia e do Amazonas, onde Otto Alencar e Omar Aziz já indicaram preferir ficar liberados para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva, o que não é consenso dentro da sigla. A maior probabilidade, neste momento, é que o PSD acabe liberando seus filiados, uma vez que os principais nomes do partido, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), não se animaram em se candidatar. A estratégia também permite que todo o dinheiro do fundo eleitoral seja usado para turbinar candidaturas de governadores, deputados e senadores. A neutralidade do PSD é especialmente negativa para o PT, que tenta conquistar eleitores do centro para votar em Lula. A bancada do PT no Senado convidou Rodrigo Pacheco para um jantar político na próxima semana, com a agenda do Congresso e as eleições na pauta. Ao ser convidado pelo líder dos petistas no Senado, Paulo Rocha (PA), Pacheco perguntou: “Com lula ou sem lula?”.

Privatização tem novo tropeço no TCU – O governo sofreu uma derrota, ontem, no Tribunal de Contas da União (TCU). O julgamento do processo de privatização da Eletrobras, um dos itens mais importantes da agenda econômica do Palácio do Planalto, terá novo atraso, após pedido de vista do ministro Vital do Rêgo, que terá até 20 dias para analisar o parecer do relator, ministro Aroldo Cedraz. Com isso, fica inviabilizado o objetivo do governo de finalizar a privatização até 13 de maio. Apesar disso, as ações da estatal fecharam em alta na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). A votação mobilizou ministros e o próprio presidente Jair Bolsonaro (PL), que telefonou a integrantes do TCU, antes da sessão, para pedir que recusassem o pedido de vistas, que havia sido antecipado por Vital do Rêgo na terça-feira. Pela manhã, membros do tribunal confirmaram à imprensa ter recebido recados do ministro da Economia, Paulo Guedes, por aplicativo de mensagens, dizendo que a segurança energética do país dependia da privatização da estatal. Vital do Rêgo, ao apresentar o pedido de vistas, defendeu prazo de 60 dias para a revisão, e criticou a proposta do ministro Jorge Oliveira — indicado ao cargo por Bolsonaro — de estabelecer o prazo de análise em sete dias, a exemplo do que ocorreu durante o julgamento do processo do leilão do 5G no Brasil. “O tribunal não pode rasgar a Constituição, sob pena de a gente não ter muito o que fazer aqui”, destacou Vital do Rêgo. O magistrado fez o pedido de vistas após a leitura do voto do relator, Aroldo Cedraz, que se manifestou favorável à continuidade da privatização, com ajustes. A presidente da Corte, Ana Arraes, disse que acolhia o pedido de vista considerando o prazo regimental, estabelecido em, no mínimo, 20 dias desde o julgamento do processo do 5G. O ministro Bruno Dantas, relator do processo do 5G, disse que a medida adotada naquela ocasião compreendia o pedido de vista por uma semana, mas que não voltaria a defender a adoção desse prazo.

STJ mantém pena de 27 anos de prisão para José Dirceu – Os ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmaram ontem a decisão do desembargador convocado Leopoldo de Arruda Raposo e mantiveram a condenação do ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato a 27 anos e 1 mês de prisão. O ex-chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi sentenciado pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Segundo denúncia da Procuradoria, o petista usou sua influência política para indicar e manter o engenheiro Renato Duque na Diretoria de Serviços da Petrobras. Em contrapartida, conforme a acusação, Dirceu recebeu valores ilícitos sobre contratos celebrados entre a estatal e a Engevix. O colegiado do STJ também acompanhou a decisão de Raposo e reduziu em três meses a pena imposta ao ex-ministro pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região por entender que foi indevida a valoração negativa das circunstâncias do crime de lavagem de dinheiro. Apesar da reiteração da pena, Dirceu vai continuar em liberdade. O ex-ministro foi solto em novembro de 2019, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a possibilidade de execução de prisão após condenação em segunda instância. A defesa de Dirceu afirmou ao Estadão que vai aguardar o acórdão para se pronunciar.

PT deve trocar marqueteiro de Lula; Franklin perde força – Uma disputa pelo comando da comunicação no PT ameaça a permanência do marqueteiro Augusto Fonseca na campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. O publicitário Sidônio Palmeira é o nome mais cotado para substituir Fonseca e já foi até mesmo sondado por dirigentes petistas. As divergências no comitê de Lula aumentaram nos últimos dias, com troca de acusações entre o coordenador de Comunicação da campanha, Franklin Martins, e o secretário Jilmar Tatto, que cuida da mesma área no PT. A propaganda partidária na TV, divulgada nos últimos dias, foi considerada despolitizada por aliados de Tatto e da presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Atualmente, Tatto e Franklin nem se falam. A disputa entre os dois contaminou o relacionamento com Fonseca. Diretor da agência Leiaute, em Salvador, o publicitário Sidônio Palmeira, por sua vez, é amigo dos petistas. Ele comandou as campanhas de Jaques Wagner e de Rui Costa ao governo da Bahia. Em 2018 foi o responsável pelos programas de TV do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad. Uma ala do PT que apoia Tatto vai propor a Lula que Franklin perca o papel central na campanha, pois o responsabiliza até mesmo por declarações desastrosas em questões polêmicas como aborto, por exemplo. O ex-presidente, no entanto, confia no ex-ministro e pede a ele opiniões sobre todos os assuntos, antes de dar entrevistas. Questionado, Franklin não se manifestou. Tatto também preferiu o silêncio.

‘Bolsa reforma’: PF investiga ‘patrocinio’ para obra de Jair Renan – Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que empresários foram procurados para pagar serviços de reforma em uma sala comercial de Jair Renan, o filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro. Nessas conversas, a arquiteta responsável pela obra chegou a ironizar a busca por patrocinadores e disse que pediria “bolsa móveis e bolsa reforma”. A PF apura se, em troca dos custos do trabalho, Jair Renan teria agido para negociar contatos com o governo federal. Jair Renan nega qualquer irregularidade. O material analisado pela PF faz parte do inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência de Jair Renan. Os investigadores tiveram acesso a diálogos de WhatsApp entre a arquiteta Tania Fernandes e o personal trainer Allan De Lucena, amigo de Jair Renan e responsável por ajudá-lo a montar uma empresa de eventos em um camarote no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Em depoimento à PF, Jair Renan disse que não era responsável por captar patrocínios para a obra e não oferecia vantagens no governo em troca. Allan De Lucena se recusou a comentar.

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Sorvete de Flocos

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JB Alencastro exclusivo para o D9 Notícias.

Final de tarde de um domingo cheio de sol e atividades. Caminhando, nadando, fotografando aves, almoçando uma pizza espetacular com vários copinhos de cerveja para degustar. Cada passagem, um encantamento. Uma descoberta.

E aí, olhando logo adiante, uma sorveteria. Se estivesse no México pediria um “helado de chispas de chocolate”. Pediu um sorvete de flocos, seu predileto.

Descobriu que na Austrália se diz “choc chip vanilla” e não “flake ice cream”. Vivendo e aprendendo.

Aliás, como é bom ser corrigido e descobrir o adequado naquele momento e hora. Ela pediu um de abacaxi. Detesta flocos, para ela é o pior sorvete do mundo. Ele tem dificuldades para odiar. Aquilo que não gosta, simplesmente evita. Olhando para cima, uma revoada de milhares de morcegos gigantes, chamados de “flying foxes”.

Centenas deles vão pousando num enorme ficus e fazendo uma algazarra semelhante a periquitos. Então, são eles que me saúdam ao entardecer na porta da minha casa, pensou.

E também no sorvetinho noturno.Engraçado como já havia tentado enganar sua companheira uma vez, pedindo “glace aux pépites” quando estiveram em Strasbourg, na França.

E nada. Ela reconheceu na hora o danado do flocos. Ofereceu com carinho, pois quando gostamos de algo, queremos dividir. Mas nem sempre o seu desejo é o desejo do outro. Necessita respeitar. E por isso, dentro da intimidade do casal, uma das coisas mais belas é o limite. O território daquilo que é bom para um mas não é para o outro.

O reconhecimento das preferências do ser amado e das suas próprias. Jamais pedir algo desagradável como “recompensa” por ter feito ou dito uma coisa bela. Imposição é feio.

Relações de poder são ruins. O melhor é a troca autêntica. Não adianta estar numa “gelateria” e solicitar um “gelato alla stracciatella” e aquela cor meio branca, meio amarelada, com os pedacinhos de chocolate denunciando o famoso sorvete de flocos.

Que ele fique com o seu sorvete. Só isso. Também respeitar as escolhas é fundamental. Nem todo mundo vai amar peixe e camarão e alguns podem até ter alergia, quiçá mortal. Insistir naquilo que sabiamente já está provado e satisfeito, não é educação. É o contrário.

É falta de. Quantas vezes não já lhe pediram para tomar “mais um cafezinho”, ou comer “mais um pão de queijo” e a refeição que fora tão gostosa, agora o empanturra.

Querer dividir algo que adoramos é bonito, mas pergunte antes se o outro também gosta. E se lhe perguntarem, seja sincero ao dizer que não, por exemplo. Amar é ver o outro satisfeito com suas escolhas.

E estando longe, torcer para que ele ou ela, esteja feliz mesmo na ausência. Aliás o amor mais bonito é aquele que na distância deseja o melhor para o outro. Que não cobra exclusividade e nem dedicação o tempo todo.

Por isso ele lá na China, deu uma volta no parque e pediu um 巧克力碎片冰淇淋 (qiǎokèlì suìpiàn bīngqílín) e voltou sorrindo com um belo pistacchio nas mãos, para ela.

O mundo gira, as pessoas mudam, e até as preferências também.

Por isso sempre pergunte (ou melhor ainda, descubra) o que o outro realmente quer, para que juntos possam comer até a casquinha do sorvete da vida.

JB Alencastro é médico e escritor

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Homenagens

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O conselheiro decano do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, José Wagner Praxedes, e o primeiro vice-governador do Estado, Darci Martins Coelho, foram homenageados na última quinta-feira (29) pela Câmara Municipal de Araguatins, na região do Bico do Papagaio.

Na ocasião, José Wagner Praxedes recebeu o título de Cidadão Honorário, enquanto Darci Martins Coelho foi agraciado com o título de Cidadão Araguatinense, em reconhecimento às suas trajetórias e contribuições para o Estado do Tocantins.

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Expositores levam inteligência artificial para o dia a dia das indústrias

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Soluções baseadas em IA ganham força entre os participantes da feira de inovação e tecnologia industrial, que ocorre de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.

O número de indústrias no Brasil que utilizam soluções de inteligência artificial (IA) mais que dobrou em dois anos, segundo a Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento, feito com 1.731 empresas de um universo de 10.167 companhias com 100 ou mais empregados, mostra que o uso de IA nas indústrias brasileiras saltou 163% entre 2022 e 2024.

A pesquisa aponta que a adoção da tecnologia cresce conforme o porte da empresa.

Nos negócios com 500 ou mais funcionários, 57,5% utilizam soluções de IA. Nas companhias que têm entre 250 e 499 empregados, o índice é de 42,5%, e cai para 36,1% naquelas com 100 a 249 trabalhadores.

Aproximar a IA da realidade fabril é um dos objetivos da 3ª Feira de Negócios e Soluções para a Indústria Goiana (Expoind), que será realizada de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.

O evento reúne fornecedores de serviços, insumos, equipamentos e tecnologia. Grande parte dos cerca de 80 expositores apresentará inovações baseadas em mecanismos de IA.

Photovoltaics factory engineer uses artificial intelligence to improve solar panels efficiency. Solar panels manufacturing plant worker uses AI technology to research cheaper solar solutions, camera A

IA aplicada a vendas

A goiana Nectar Soluções, especializada em softwares de CRM e gestão comercial para indústrias e distribuidoras, apresentará agentes de IA voltados para automação e suporte ao processo de vendas, que funcionam como gestores virtuais.

A tecnologia integrada aos programas da empresa permite fazer previsões de vendas e projeções de faturamento com base no histórico de negociações.

“O agente de IA conta com um assistente de texto que corrige e reescreve as informações nos campos do CRM.

A ferramenta também enriquece os contatos comerciais por meio de pesquisas automáticas de dados, preenchendo cadastros com nomes de empresas, cargos e canais de contato”, afirma Arthur César de Siqueira, diretor de operações da Nectar Soluções.

A expositora também mostrará um agente focado em mentoria de negócios.

“É uma ferramenta que sugere os próximos passos para aumentar as chances de fechamento de um contrato. Esse mentor direciona potenciais clientes para os vendedores, acompanha o desempenho da equipe e aponta melhorias nas abordagens”, diz Siqueira.

Esta é a segunda participação da Nectar Soluções na Expoind. De acordo com o executivo, o evento anterior trouxe retorno estratégico e financeiro.

“No ano passado, investimos cerca de R$ 35 mil no estande e, com as rodadas de negócios e os contatos feitos na feira, fechamos cerca de R$ 100 mil em contratos nos meses seguintes”, afirma. 

Desafio na qualificação profissionalO presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, afirma que um dos propósitos da feira é democratizar o acesso às novas tecnologias e indicar caminhos para a capacitação de mão de obra.

“Vivemos um momento desafiador e de grande potencial no processo produtivo.

É preciso preparar estudantes e profissionais para uma realidade em rápida mudança”, diz.

O estande do Sistema Fieg apresentará oportunidades de qualificação e tecnologias como robótica, realidade virtual e aumentada e impressão 3D.

A indústria goiana criou 12.111 empregos formais no primeiro semestre de 2026, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 11.423 vagas.

O índice ficou acima da média nacional, de 1,6% no período, de acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Goiás teve o sexto maior crescimento entre as 27 unidades da federação.

Apesar do crescimento na geração de postos de trabalho, o setor enfrenta o desafio de qualificar profissionais para a indústria digital.

Um levantamento de 2024 do IBGE mostrou que 89% das empresas industriais brasileiras utilizavam tecnologias avançadas.

No entanto, a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que apenas 54,2% dos brasileiros têm habilidades digitais altas ou médias-altas (como uso de IA e programação de softwares).

Em tarefas complexas, o porcentual cai para 44,5%.

COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS

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