JB Alencastro especial para D9 Noticias.
Muitas cidades têm como símbolo um marco arquitetônico, a Torre Eiffel em Paris. Outros estados um prato, como o pato no tucupi . E os países também escolhem um animal, por exemplo o lêmur e uma árvore, o baobá, ambos de Madagascar.
E por aí vai. Mas como identificar um símbolo para uma cidade que também é um país? Qual a marca inesquecível de Singapura?Se você vai andar pelas ruas o desenho futurista dos prédios é marca patente. Visualize um hotel com três torres em arco, sustentando uma estrutura igual a um barco em cima, que é uma piscina de mais de 130m de extensão.
Difícil até de imaginar.
Talvez sejam as etnias malaia, chinesa e indiana que formam o cidadão singapur. E interessante que a religião mais professada aqui é o budismo seguida de perto pelo cristianismo e o islã.
Todos convivendo em harmonia. E tem muitos indus, também. As pessoas são muito gentis e educadas. Como se a cidade inteira estivesse esperando você para servi-lo. Há um calor humano.
Só superado pelo clima equatorial, quente e úmido. Se a cidade é moderna, o que explica que quase a metade dela é coberta por floresta? Árvores gigantescas. O jardim botânico é único, seu orquidário, uma jóia rara.Em frente ao hotel Marina Bay Sands fica o Garden by the Bay que é um jardim com duas estufas gigantescas e várias árvores artificiais que coletam energia solar e água de chuva.
A noite um show de luzes e cores, com um fundo musical que flutua entre o mandarim, o malaio, o inglês e o tâmil. Todos falam malaio e inglês. Se são de origem chinesa; acrecente o mandarim, se indianos; o tâmil. Ou seja, a maioria dos cidadãos, falam no mínimo 03 línguas.
Para comer você acha de tudo, até pão de queijo! E a concorrência é brutal. Se você não oferecer um prato delicioso e com muita comida, fica para trás. Além de fazê-lo rápido. Não importa se é lagosta, frango biriani ou macarrão udon. A primazia do sabor e da apresentação irão conquistá-lo. Coma tudo e não deixe resto. Aqui pode. Aqui deve.
E se fôssemos equiparar um país, uma cidade a uma pessoa? Iríamos pela aparência ou pela essência? Conseguiríamos identificar as múltiplas características que um indivíduo carrega consigo? Diríamos que vale quanto custa? A referência de custo-benefício? Será que atualmente não estamos objetificando demais as pessoas? Tornando-as meros produtos de usufruto e descarte? E pergunto ainda mais.
Você realmente conhece alguém a profundidade de seus becos, segredos, luminosidades ocultas e não reveladas? Acho que ninguém sabe tudo do outro. Somos eternos mistérios uns para os outros. A descobrir, a desfrutar e a trocar. Relações equilibradas se baseiam na troca.
Cuide bem de quem está ao seu lado e receberá o mesmo. Será uma cidade-estado pujante. Múltipla. Encantadora. E valiosa. Um dia me perguntaram, onde você moraria? Respondi: – Onde me tratam bem.
E com quem você lá ficaria? Com quem já mora no meu coração e que carrego para onde quer que eu esteja. E esse amor não depende da presença e sim de querer dividir tudo que vejo e sinto, mesmo na ausência.
JB Alencastro é médico e escritor.