Fundo sustenta programas habitacionais como o MCMV e pode sofrer com a queda do interesse pelo emprego formal.
O Brasil convive com uma alta taxa de informalidade, ou seja, de pessoas que trabalham sem registro formal como empregado ou como microempreendedor individual.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o país contava em 2025 com mais de 40 milhões de brasileiros na informalidade, uma taxa de 38% do total de ocupados.
O número já foi até maior, mas a perspectiva de mudanças no mercado de trabalho alertam para seu crescimento. Enquanto, no passado, o trabalho informal era consequência, majoritariamente, da falta da oferta de um emprego formal ou da falta de qualificação para conquistar a vaga, atualmente existem também outros fatores que influenciam este universo de trabalhadores.
“A preferência por mais flexibilidade em horários e possibilidade de maiores ganhos tem levado a população, especialmente os jovens, a escolher ocupações informais como trabalho por aplicativo em transporte e entregas, atividades na internet ou ingressar no empreendedorismo.
Além disso, existe uma parcela de trabalhadores que buscam a informalidade para manter benefícios governamentais”, diz Flávio Mendes, que comanda as operações imobiliárias da Vila Brasil, que integra o Grupo Mauá, cuja atuação é focada na construção de moradias populares incluídas no programa MCMV em Goiás.
O tema tem gerado preocupação e inquietação no setor da construção civil.
Além de ser um dos setores que têm sofrido com o crescimento da falta de mão de obra para contratação formal, os empreendedores também se preocupam com a repercussão dessa tendência na diminuição gradual dos recursos disponíveis para a habitação.
Mendes explica que o maior desafio do momento para a sustentabilidade do FGTS é seu reabastecimento, que depende dos depósitos feitos para os trabalhadores formais.
O governo federal utiliza estes recursos para financiar as casas pelo MCMV.
“Com a queda do emprego formal em curso, como ficará a alimentação dessa importante fonte de financiamento para atuais 5,97 milhões famílias que ainda não têm casa própria no Brasil?”, questiona.
O dado é da Fundação João Pinheiro.Flávio observa que o FGTS vem sendo muito bem gerido pelo Conselho Curador, mas é preciso ligar este alerta.
Além disso, ele salienta que é preciso tomar cuidado com a saída destes recursos do fundo, como o saque-aniversário. Entre 2020 e 2025, eles somaram R$ 236 bilhões.
Atualmente, o Fundo conta com 42 milhões de trabalhadores ativos, dos quais 21,5 milhões (51%) aderiram ao saque-aniversário.
“Acertadamente, o Conselho Curador do FGTS aprovou, em outubro de 2025, ajustes que limitam essas operações de saque-aniversário”, destacou.