Especialista aponta que perda rápida de gordura compromete a sustentação do rosto e aumenta a busca por tratamentos que estimulam colágeno e preservam a naturalidade
A disseminação de métodos de emagrecimento rápido, impulsionados pelo uso de medicamentos injetáveis, trouxe um efeito colateral que passou a ser observado com mais frequência nos consultórios de estética: a perda de sustentação facial. A redução intensa de gordura corporal em curto período afeta diretamente a estrutura do rosto, sobretudo em pessoas acima dos 30 anos.
“A gordura facial tem papel fundamental na sustentação da pele. Quando essa perda acontece de forma muito rápida, o organismo não consegue acompanhar com produção adequada de colágeno”, afirma o biomédico esteta Marcelo Pedrosa, especialista em estética e harmonização facial. “O resultado é um rosto mais flácido, com aspecto cansado e envelhecido.”
Com mais de 15 anos de atuação na área e mais de cinco mil pacientes atendidos em diferentes regiões do país, Pedrosa relata que o fenômeno não se limita ao Brasil. “Passei seis meses nos Estados Unidos estudando e atendendo, e a queixa é exatamente a mesma. As pessoas emagrecem rápido, mas sentem o impacto no rosto”, observa.
Segundo o especialista, a situação se assemelha ao que já era visto em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. “O corpo perde gordura de forma global. Ele não escolhe onde vai perder primeiro. O rosto também entra nessa conta”, explica. “E quanto mais madura é a pele, maior é a dificuldade de recuperação.”
Entre as dúvidas mais frequentes dos pacientes está o papel do colágeno no processo de recuperação estética. Para Pedrosa, o consumo oral tem limitações. “Quando a pessoa ingere colágeno, não existe um mecanismo que direcione esse colágeno especificamente para o rosto”, pontua. “Ele pode trazer benefícios gerais ao corpo, mas não resolve flacidez facial de forma significativa.”
O estímulo localizado, segundo ele, apresenta resultados mais consistentes. “Quando trabalhamos com tecnologias e bioestimuladores, conseguimos induzir a produção de colágeno exatamente na área que precisa de sustentação”, afirma. “Por isso os efeitos são mais visíveis.”
Entre os recursos utilizados estão bioestimuladores como o ácido polilático, fios de sustentação, endolaser e preenchimentos com ácido hialurônico. A definição do tratamento depende de avaliação individual. “Não existe protocolo padrão. Cada rosto tem uma necessidade diferente”, destaca.
A estética facial atual, segundo o especialista, busca preservar a naturalidade. “O procedimento não é o problema. O exagero acontece quando não há critério ou quando o objetivo não é rejuvenescer, mas transformar”, diz. “Hoje, a maior demanda é por resultados naturais.”
Pedrosa reforça que os resultados não são imediatos em todos os casos. “Alguns procedimentos têm resposta rápida, mas os tratamentos que estimulam colágeno precisam de tempo”, explica. “O prazo médio para perceber mudanças mais consistentes varia entre três e seis meses.”
Para ele, o crescimento da procura por procedimentos pós-emagrecimento reforça a necessidade de informação e acompanhamento profissional. “O emagrecimento traz benefícios importantes, mas precisa ser pensado de forma global”, conclui. “O rosto é o cartão de visita, e cuidar dele também faz parte da saúde e da autoestima.”
@drmarcelopedrosa