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Milagre das Cerejeiras

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JB Alencastro especisl para o D9 Notícias.

O inverno está terminando e com ele o frio se vai. Primavera não é só uma estação, mas também uma renovação. Começa o ano letivo.

Flores vão surgindo de acordo com o calor emanado pelo sol e onde elas se localizam. E a cerejeira, no caso a somei-yoshino, é a que mais vejo em Kyoto. É domingo. Ventou muito a noite passada e caiu uma folha da única palmeira que vi por aqui. Guardei com carinho e levei para casa esse ramo.

Deu-me saudades das quaresmeiras que abundam em Goiânia nessa época, junto com os manacás. Na segunda, silêncio. Fomos no Caminho do Filósofo, onde mais da metade da floração das cerejeiras está ocorrendo, o gobuzaki. É uma parte de Kyoto que segue um canal por 1,5km. Cheia de cafés.

Fotógrafos e pessoas vestidas com kimonos. Vejo um senhor, um monje, fazendo a limpeza local e dizendo para os bagunceiros irem embora. Eles vão. E surgem vários casais, acima de 80, 90 e até cem anos, caminhando. Fortes. Sem mancar. E eu vendo toda aquela beleza. Emociono-me.

Já na terça escolhemos passear num monte onde tem um templo, Ryoan-ji, com um jardim de pedras e ameixeiras também. Chovendo. Antigamente as ameixeiras eram as árvores prediletas do Japão. Assim como o crisântemo é a flor mais importante. Entretanto sakura ganhou o coração dos japoneses. Sento-me ao lado da esposa e faço minhas orações. Muitos meditam.

Mais um dia se passa e fazemos uma longa caminhada e nos dispersamos. Só nos encontrando quilômetros depois no túnel formado pelas cerejeiras em flor. Sentamos. Apreciamos essa beleza indescritível e tomamos chá, o matcha, tentando humildemente replicar a cerimônia que participamos mês passado. São aproximadamente umas quatro horas de sorrisos. Olhares. Discreta conversa. Casais formados há mais de 35 anos se entendem em cumplicidade. Hanami.

Na noite de quinta comemos um pão maravilhoso e tomamos um vinho. Estivemos no parque Maruyama para apreciar a cerejeira-chorona, chamada de shidarezakura. É enorme e linda. Margareth escorregou perto da ponte assustando uma garça que eu tentava fotografar. Lama no tênis novo. Ali mesmo lavei-o e também os seus pés.

Já na sexta-feira, ficamos quietinhos em casa, chovendo muito. Dia de constrição. Um excelente salmão na mesa. Aqui pertinho de casa fui comprar um café das máquinas que estão espalhadas pelo Japão inteiro. Usei a moeda de 100 yens. A que tem a flor de cerejeira. A de 50 é a do crisântemo. Aí fiquei pensando sobre a cor da flor. É um branco, depois fica rosa, muda muito o tom. E descobri que inventaram aqui um nome para essa cor: sakura-iro. Coloquei baixinho uma música da Ângela Aki sobre ela.

No sábado pela manhã, nossa tradicional corrida, o longão de 12 km. Sem celebrações. Só o apreciar do dia. Entre hoje e domingo será o mankai, o auge da floração. E pensar que consegui registrar tudo, desde o tsubomi (o botão) passando pelo broto (sakihajime) já em flor. E essa semana de uns 70% de flores abertas foi o shichibuzake. Demorei, mas aprendi. A percepção da passagem dessa semana.

Domingo! Ensolarado, vento fresco, promessas mil. Foi lua cheia após o equinócio de março. Dia 27 é o dia nacional da flor de cerejeira. Hoje, dia 05 de abril, floresce em total esplendor. Renovada, viva. A cada ano ressurgirá. E relendo esse meu texto, percebi que meu inconsciente descreveu toda a Semana Santa. Pois em qualquer lugar que eu for, o milagre se manifestará.

JB Alencastro é médico e escritor

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Zimbro recebe experiência exclusiva da House of Suntory em Goiânia

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O Zimbro Cocktails & Co., referência em coquetelaria e considerado o bar mais premiado do Centro-Oeste, será o cenário da edição goianiense do The Art of Hibiki, projeto da The House of Suntory que celebra a sofisticação do whisky japonês Hibiki Japanese Harmony.

Após estreia em São Paulo, a iniciativa desembarca na capital goiana no próximo dia 27 de julho, antes de seguir para Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Florianópolis.

Comandada pelo premiado bartender e mixologista Benício Calaça, a casa recebe o bartender Alex Mesquita, que assina a carta exclusiva da experiência ao lado dos profissionais do Zimbro.

O público poderá degustar quatro drinques inéditos inspirados na filosofia japonesa e nos pilares Harmony, Time, Balance e Depth, traduzindo a essência do Hibiki em criações autorais.

A experiência vai além da mixologia. Enquanto apreciam os coquetéis, os convidados acompanham uma apresentação de shodō, tradicional arte japonesa da caligrafia, em que um artista cria, em papel washi, uma obra exclusiva inspirada no drinque escolhido, transformando cada visita em um momento único.

Lançado em 1989, o Hibiki Japanese Harmony é um dos rótulos mais emblemáticos da Suntory.

Seu blend reúne maltes e grãos das destilarias Yamazaki, Hakushu e Chita, maturados em diferentes barris, incluindo o raro carvalho japonês Mizunara.

O resultado é um whisky de perfil elegante, com notas florais, toques de mel, baunilha e chocolate branco, reconhecido mundialmente como símbolo da tradição e da excelência japonesa.

Serviço:
The Art of Hibiki – Goiânia
Data: 27 de julho, segunda
Local: Zimbro Cocktails & Co.
Endereço: Alameda Ricardo Paranhos, 59, Marista, Goiânia/GO
Horário do evento ao público: A partir das 19h

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Quando a saudade se transforma em solidariedade: o legado de Vilmar Filh

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Há histórias que continuam ecoando muito além do tempo. Histórias que, mesmo marcadas pela dor, encontram um caminho para gerar esperança, acolhimento e amor ao próximo.

A vida de Vilmar Cardoso Prestes Filho, carinhosamente conhecido como Vilmar Filho, é uma dessas histórias.

Filho único de Claudia e Vilmar, Vilmar Filho cresceu cercado de amor e de valores que carregou por toda a vida. Inteligente, educado, generoso e profundamente sensível, conquistava as pessoas pela simplicidade com que tratava todos ao seu redor.

Tinha um sorriso acolhedor, uma fé inabalável e uma capacidade rara de enxergar o lado bom das pessoas, mesmo diante das maiores dificuldades.

Desde cedo demonstrou dedicação aos estudos e determinação para construir seu futuro. Esse esforço o levou à graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Goiás (UFG), uma conquista celebrada por toda a família. Pouco tempo depois, iniciou sua trajetória profissional na Siemens, onde começava uma carreira promissora. Aos 24 anos, sonhava em crescer profissionalmente, constituir sua própria família e retribuir aos pais todo o apoio que sempre recebeu.

Em setembro de 2024, porém, esses planos foram interrompidos por um diagnóstico inesperado. Vilmar Filho descobriu que tinha Sarcoma de Ewing, um câncer raro e altamente agressivo. A partir daquele momento, a rotina da família passou a ser marcada por hospitais, exames, tratamentos e pela esperança de vencer a doença.

Foram meses de consultas, internações, procedimentos e quimioterapia. Cada etapa trouxe novos desafios, mas Vilmar Filho jamais permitiu que a enfermidade apagasse sua essência. Mesmo enfrentando dores intensas e os efeitos do tratamento, seguia demonstrando serenidade, gratidão e confiança em Deus.

Em muitos momentos, era ele quem fortalecia aqueles que estavam ao seu lado. Nunca se revoltou com a doença. Preferia agradecer por cada pequena vitória e acreditar que havia um propósito maior para tudo o que estava vivendo.

Depois dos primeiros ciclos de quimioterapia, Vilmar Filho foi submetido, em São Paulo, a uma cirurgia de grande complexidade para retirada do tumor localizado na pelve. O procedimento foi bem-sucedido e reacendeu a esperança de toda a família. O tratamento prosseguiu e ele enfrentou, com admirável coragem, 14 ciclos de quimioterapia.

Quando parecia que a batalha caminhava para o fim, veio uma notícia devastadora. O câncer havia retornado, atingindo o sacro e os pulmões.

Mais uma vez, Vilmar Filho decidiu lutar.

Vieram novos tratamentos, sessões de radioterapia, longas internações, infecções graves, transfusões e inúmeras complicações. Em nenhum desses momentos perdeu a delicadeza com que tratava as pessoas. Fazia questão de agradecer médicos, enfermeiros e todos os profissionais que participaram de sua jornada. Sua fé permaneceu firme até o último instante.

Após dezoito meses de uma batalha intensa, Vilmar Filho faleceu em 15 de março de 2026, aos 24 anos.

A morte de um filho é uma dor impossível de medir. Para seus pais, a ausência de Vilmar Filho transformou completamente o significado da vida. A saudade permanece todos os dias. Há um vazio que jamais será preenchido.

Mas essa história não terminou ali.

Pouco antes de partir, Vilmar Filho escreveu que desejava ajudar pessoas em tratamento contra o câncer. Mesmo vivendo sua própria luta, continuava pensando em quem também enfrentava a doença.

Esse desejo tornou-se um compromisso para sua família.

Assim nasceu o Projeto Legado Vilmar Filho – Transformando Saudade em Solidariedade, uma iniciativa que leva acolhimento, apoio e esperança a pacientes oncológicos e seus familiares. Cada campanha realizada, cada doação recebida e cada gesto de solidariedade representam a continuidade dos valores que Vilmar Filho cultivou durante toda a sua vida.

Mais do que preservar uma memória, o projeto mantém vivo um propósito. Ele transforma o luto em serviço, a saudade em cuidado e a dor em esperança para outras famílias.

Vivemos tempos em que a solidariedade muitas vezes parece escassa. Histórias como a de Vilmar Filho lembram que sempre existe espaço para a compaixão e para o amor ao próximo. Elas mostram que uma vida não é medida apenas pelos anos vividos, mas pela marca que deixa nas pessoas.

O legado de Vilmar Filho continua presente em cada ação do projeto que leva seu nome, em cada paciente acolhido, em cada família confortada e em cada pessoa que decide estender a mão a quem enfrenta o câncer.

O amor que Vilmar Filho espalhou durante seus 24 anos continua produzindo frutos.

Enquanto houver alguém sendo acolhido por esse legado, Vilmar Filho continuará presente.

Porque o amor verdadeiro não termina com a despedida. Ele permanece vivo nas vidas que continua transformando.

Entrega das doações:
Dia: 20.07
Horário: 15h
Local: Hospital Araújo Jorge

Maysa Lima
981225892

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As vezes basta só um sorrisoO bebê nasceu.

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JB Alencastro especial para o D9 Notícias.

Vovô não pode acompanhar, estava longe. Internado.

Passou um mês e meio na UTI. Mas saiu. Foi para o quarto. Não podia receber visitas. Quanto mais de um recém-nascido. Mas chegando em casa, cansado, estropiado, só um desejo.

Ver a neta. E eis que ela estava lá esperando. E o primeiro sorriso de sua vida foi dado para o avô. Uma luz, uma paz e uma cura.

Nova razão de viver. “Smile, though your heart is aching.”Hoje aos sessenta anos, lembrou de que seu pai nascera quando Chaplin estreou o filme Tempos Modernos, 1936.

Vivia assoviando a música “Smile”. Que somente tempos depois descobriu que fazia parte da trilha sonora e que tinha sido composta pelo próprio ator! A letra só foi incluída 18 anos depois, e é sublime. Adorava.

A família inteira sabe assoviá-la. Música boa deve ser fácil de assoviar. “Smile, even though it’s breaking.”Por essas coincidências da vida, nunca mais o vi, até ontem.

Quando saía de uma rua estreita, perto do templo Dalem, tentando me abrigar da chuva, ouvi alguém falando português. Além da língua tão familiar e querida, a voz. Eu o reconheci.

Ali, em Ubud, na ilha de Bali, o Sorriso. Homem simpático, amigo de todo o sempre. “When there are clouds in the sky. You get by.” Fiquei calado e tentei achá-lo naquela pequena multidão comprimida pela tempestade tropical. Nada. Mas ainda ouvindo sua inconfundível música predileta eu imediatamente sorri e iniciei a procura. Meu sorriso contaminou o pessoal ao redor. Muitos balineses.

Eles sorriem o tempo todo. “If you smile through your fear and sorrow.” Esse efeito é reverso. Um sorriso dado é quase sempre um recebido. Fui enchendo-me de alegria.

Tat Twan Asi, algo como “Eu sou você e você é eu”. Aos poucos torna-se um efeito quase místico. Assovio a música. Os estrangeiros, seguem meu compasso. O tom de Sorriso aumenta. Sei que ele está vibrando com isso tudo. “Smile and maybe tomorrow. You’ll see the sun come shining through, for you.

”Entretanto eu não o vejo. Mas lembro-me quando ele foi na minha formatura e chorou com o meu discurso. Sorriso e lágrimas. Combinação não tão rara, e linda. Uma pontinha de ansiedade me tomou.

Onde estava? Mas tinha a certeza de que era ele. Veio-me a mente que um grande amigo cego me disse que o sorriso é inato. Não precisa ver alguém sorrindo para manifestar esse sentimento tão humano. “Light up your face with gladness. Hide every trace of sadness.

”Fechei meus olhos, para facilitar meu radar. Eliminando um sentido, os outros ficam mais aguçados. E aí ouvi: “- Batistão! Seu cabelo tá brancão!” A sinceridade habitual, o uso de aumentativos, tudo no Sorriso é superlativo. Abri meus olhos e meus braços.

Que alegria. Menyama braya. Somos todos irmãos. Veio na memória minha aula na sala de Anatomia falando sobre a quantidade de músculos que utilizamos para sorrir, no mínimo uns vinte e dois. “Although a tear may be ever so near. That’s the time you must keep on trying.”Tempos depois, a última vez que o vi ele disse que na verdade tínhamos o sorriso de Duchenne, aquele que inclui até os olhos e acentua suas pregas, os famosos “pés-de-galinha”.

O mais sincero e puro que existe. “Smile, what’s the use of crying? You’ll find that life is still worthwhile.”A noite foi longa, rimos muito. Talvez eu nunca mais o encontre novamente. Ele viaja hoje. Mas quando a amizade, o contato pessoal é genuíno, só um sorriso, basta. Anima, alivia, imuniza e contagia. “If you’ll just smile.”

JB Alencastro é médico e escritor.

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