Luana Almeida conseguiu um VGV (Valor Geral de Vendas) de mais de R$ 22 milhões em 2025
Ocupações antes vistas com certo desdém proporcionam ganhos superiores às tradicionais, como medicina, advocacia e engenharia. É o caso do corretor de imóveis, cujo faturamento pode superar a casa dos milhões anual
Desde sempre, profissões tradicionais como medicina, advocacia, engenharia e afins eram as mais disputadas no vestibular e as mais bem vistas na hora de se escolher uma carreira com bom potencial futuro. No entanto, essa realidade está mudando. Ocupações até então vistas com olhar de preconceito deram lugar a admiração e deslumbre, como potencial para uma vida de luxo e ostentação, com remuneração superior às queridinhas.
É o caso do corretor imobiliário. A profissão têm se destacado entre aqueles que buscam por ganhos crescentes, com possibilidade de construção de patrimônio com autonomia e liberdade, muitas vezes, não vistos em outras categorias.
Uma pesquisa realizada pelo Cofeci-Creci em 2024 apontou que 19% dos corretores de imóveis estão entre os 5% mais ricos do Brasil, com rendimentos superiores a R$ 10 mil mensais. O valor é quase três vezes maior do que a média salarial no país, que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está em R$ 3.652, referente ao trimestre encerrado em janeiro de 2026.
Luna Torres começou como corretora e hoje é diretora comercial URBS Infinity.
O valor é superior também ao rendimento médio de um advogado. Conforme um censo encomendado pelo Conselho Federal da OAB à Fundação Getúlio Vargas, a maioria dos advogados do país (64%) ganham até R$ 6,6 mil por mês e 34% ganham até R$ 2,6 mil.
O ganho médio de um corretor de imóveis equipara-se ao dos engenheiros e médicos. Dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) junto ao Caged indicaram que a média salarial de um engenheiro no Brasil varia entre R$7 mil e R$ 10,5 mil. Já os médicos clínicos recebem R$ 10.071 em início de carreira.
A diferença entre as profissões tradicionais e a do corretor de imóveis é que seus ganhos podem ser muito maiores, na medida em que ele fecha mais negócios. “Hoje, a média salarial de um corretor é na faixa de 10 a 15 mil reais por mês, isso inicialmente, podendo alavancar até 40 mil. Depende muito da performance e da entrega”, afirma Luna Torres, diretora comercial URBS Infinity.
A profissional, que começou como corretora de imóveis e hoje lidera equipes de corretores, começou no mercado há dois anos e já viu a vida mudar por conta da corretagem. “Eu já faturei R$ 60 mil em uma única venda. Quando era professora de inglês ganhava R$ 3,5 mil por mês”, compara Luna.
Os ganhos podem subir, e muito, dependendo da experiência, dedicação e evolução do profissional, atingindo patamares milionários. “No ano de 2025, eu fiz 18 milhões”, conta Filipe Rezende, corretor de imóveis da URBS Cerrado.
De acordo com Filipe, infelizmente, a profissão de corretor ainda carrega consigo alguns preconceitos. “A nossa classe carrega esse lado ruim, de não ter esse reconhecimento que ela precisa. Mas muitas das vezes a gente acaba levando um salário maior do que uma profissão dessa que tem mais fama”, relaciona.
Apesar disso, ele afirma que não trocaria a atual profissão por nada. “Com a corretagem conquistei carro novo, conquistei casa, estou casando agora. Conquistei viagens, conquistei muita coisa que antes eu não tinha”, afirma Filipe.
“Tem gente que acha que a profissão não é boa, porque dá mais valor a outras profissões que têm formação superior”, reforça Luana Almeida. A corretora imobiliária conseguiu um VGV (Valor Geral de Vendas) de mais de R$ 22 milhões em 2025.
Luna reconhece: antes de entrar para o mercado imobiliário, tinha uma visão estigmatizada da profissão de corretor de imóveis. Mas, hoje, pensa diferente. “Com a minha prática na área, vi que esta é uma das profissões mais promissoras. Temos acesso a oportunidades que nenhum outro segmento nos proporciona”, pontua a diretora comercial.
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