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Ziriguidum do D9 – Resumo de 2ª Feira, 07.03.2022
Publicado
5 anos agoon
Por
Elpidio Fiorda
Resumo de segunda, 07 de março de 2022
Edição de Chico Bruno
Manchetes
O ESTADO DE S.PAULO – Governo quer novo programa de subsídio para combustíveis
CORREIO BRAZILIENSE – Negociador é morto e acordo de paz fica mais distante
Valor Econômico – Rússia intensifica ataques à população civil na Ucrânia
O GLOBO – Morte de civis em fuga são nova face do conflito
FOLHA DE S.PAULO – Bolsonaro e agro determinan acenos do Brasil à Rússia
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia
Proposta prevê uso de dividendos da Petrobras – O governo estuda a adoção de novo programa de subsídio aos combustíveis, nos moldes daquele feito em 2018 por Michel Temer e que pôs fim à greve de caminhoneiros, informam Mônica Ciarelli e Fernanda Nunes. A ideia é ter um valor fixo de referência para a cotação dos combustíveis e subsidiar a diferença em relação ao preço do petróleo no mercado internacional. A novidade, agora, é que está em análise o uso de dividendos pagos pela Petrobras à União, em vez de recursos do Tesouro, para cobrir a despesa extra. Em 2021, a estatal teve lucro recorde, de R$ 106,67 bilhões, e vai pagar R$ 38,1 bilhões para o governo. A proposta ganha ainda mais relevância com a guerra na Ucrânia, que fez o preço do petróleo disparar no mundo, mas os objetivos são internos. A medida tem como propósito evitar o desabastecimento, o aumento da inflação em ano eleitoral e a pressão sobre o caixa da Petrobras, que paga pelo congelamento de preços em vigor desde 12 de janeiro. O projeto, que não partiu do Ministério da Economia nem tem aval de Paulo Guedes, será debatido amanhã em reunião entre ele, os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque, junto com o presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna.
Cessar fogo distante – Representantes da Ucrânia e da Rússia têm encontro marcado hoje para tentar um cessar-fogo depois de 12 dias de intenso bombardeio. A tensão é grande, pois um dos negociadores do lado ucraniano foi assassinado, com os dois países do conflito apresentando versões diferentes, inclusive de traição. Ontem, o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a conversar com líderes de várias nações e reforçou que não vai suspender os ataques enquanto o presidente do país rival, Volodymyr Zelensky, não atender a todos os pleitos. Sem acordos para suspender o uso de armamentos, milhares de pessoas estão reféns, enfrentando falta de água, comida e energia. Bombas mataram famílias inteiras e os que conseguiram fugir da guerra sofrem pelas perdas.
Crueldade – O drama vivido pela população civil na guerra na Ucrânia foi amplificado ontem durante o ataque russo em Irpin, perto de Kiev, e o fracasso, pelo segundo dia consecutivo, do cessar-fogo que permitiria a saída, nos corredores humanitários, dos habitantes de duas cidades sitiadas no sul do país. Em Mariupol, dos 400 mil habitantes, que está sem luz, água e aquecimento, sob temperaturas negativas, os habitantes tiveram que retornar aos abrigos. A OMS alertou que os hospitais haviam sido atingidos e o presidente russo Vladimir Putin disse ao líder francês Macron que alcançaria seus objetivos “através de negociação ou guerra”, e ao turco Erdogan, que a invasão só seria interrompida se a Ucrânia se rendesse.
Acenos fertilizantes – Declarações simpáticas a Vladimir Putin por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) e pressões do agronegócio têm sido determinantes para que o Itamaraty inclua em suas manifestações oficiais na ONU sobre o conflito na Ucrânia acenos à Rússia, disseram à Folha interlocutores no governo. Nos últimos dias, o governo Bolsonaro endossou resoluções no sistema das Nações Unidas que condenam a invasão do território ucraniano por forças russas. Mas o Ministério das Relações Exteriores tem colocado em declarações sinalizações que contemplam argumentos defendidos pelo governo de Putin, num movimento que preocupa diplomatas americanos e aliados. Interlocutores dizem que as posições do Itamaraty têm sido definidas no mais alto nível e passado pelo crivo do Planalto. Em alguns casos, o ministro da Defesa, Braga Netto, também é chamado a opinar. O receio de governos contrários a Putin é o de que as referências pró-Moscou sejam um prenúncio de uma mudança nos votos do Brasil, atualmente membro do Conselho de Segurança da ONU. Interlocutores no governo Bolsonaro ouvidos, porém, disseram que até o momento não está no radar uma alteração de rota. Negociadores estrangeiros, ao mencionarem essa preocupação a autoridades brasileiras, recebem como resposta que o país é contra a violação das fronteiras ucranianas —mas que isso não o obriga a endossar integralmente a linha de ação das potências ocidentais e que a postura do Itamaraty tem sido coerente.
Resgate de brasileiros – O avião que resgatará braileiros que conseguiram fugir da guerra entre Rússia e Ucrânia decola, na tarde de hoje, da Base Aérea de Brasília. A aeronave levará, a pedido do governo ucraniano, suprimentos para auxiliar os afetados pelo conflito. A missão parte às 15h e deve pousar na quarta-feira em Varsóvia, na Polônia. O retorno dos brasileiros repatriados está previsto para a próxima quinta-feira. Em nota conjunta publicada na noite de ontem, Ministério da Defesa, Itamaraty e Ministério da Saúde detalharam o esforço, batizado de Operação Repatriação. A aeronave modelo KC-390 Millenium levará 11,6 toneladas de medicamentos, alimentos e itens de necessidade básica projetados para situações extremas. Uma força-tarefa em Varsóvia recebe e auxilia os brasileiros que conseguiram atravessar a fronteira entre Ucrânia e Polônia. A informação do Itamaraty é de que 150 brasileiros escaparam do conflito, mas 22 ainda estão em território ucraniano. Segundo o Ministério da Defesa, que também integra a força-tarefa, a informação sobre quantas pessoas embarcarão na aeronave será confirmada ainda nesta manhã. A expectativa é de que sejam cerca de 70.
Regime russo prende 3,5 mil em um dia de protestos contra guerra – Pelo menos 3,5 mil manifestantes foram presos ontem em atos nas principais cidades da Rússia para exigir o fim da invasão da Ucrânia. Os protestos foram convocados pelo líder opositor Alexei Navalni, principal rival do presidente. Segundo o governo russo, cerca de 2.500 pessoas se manifestaram em Moscou, das quais 1.700 foram presas. Outras 1.500 participaram de um protesto semelhante em São Petersburgo, das quais 750 foram detidas. Outras 1.200 pessoas fizeram manifestações não autorizadas em outras regiões, das quais 1.061 foram detidas. Em São Petersburgo, um grupo de opositores se reunirão na avenida central para gritar “não à guerra”. Em Moscou, o ato ocorreu nos arredores do Kremlin. De acordo com a OVD-Info, ONG russa que monitora a repressão, mais de 11 mil manifestantes foram detidos no país desde 24 de fevereiro, quando começou a invasão à Ucrânia.
Sem filme, sem vídeo – O TikTok e a Netflix decidiram suspender suas atividades na Rússia por causa dos ataques de Vladimir Putin à Ucrânia. A gigante do streaming optou por interromper o serviço de vídeo no país logo após paralisar as gravações de produções originais russas. No caso da rede social chinesa, apenas as transmissões ao vivo estão banidas.
Intervenção papal – O papa Francisco anunciou ontem ter enviado dois cardeais para a Ucrânia, em um movimento bastante incomum para o Vaticano. Ele não especificou para qual cidade os cardeais foram, mas disse que eles representavam o Vaticano e todos os cristãos com a mensagem de que “a guerra é uma loucura”.
Risco em usina – A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou ontem profunda preocupação pelas informações de que a comunicação com a central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, a maior da Europa, foi interrompida. Os militares russos cortaram o sinal de internet e as linhas telefônicas do local.
Pedido de dinheiro para campanha de Bolsonaro gera queixa de ruralistas – A cinco meses do início oficial da corrida eleitoral, surgem os primeiros sinais de como tende a ser a combinação entre dinheiro privado e poder público na disputa deste ano. Apesar do fundo eleitoral bilionário aprovado para irrigar as campanhas, um grupo de empresários se apresentou a representantes do agronegócio e pediu contribuições para ajudar na reeleição do presidente Jair Bolsonaro. O grupo dizia falar em nome de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro, e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é um dos coordenadores da campanha do pai. Apesar da simpatia de boa parte dos empresários do campo pela reeleição de Bolsonaro, a maioria dos abordados se sentiu constrangida com a forma como os pedidos chegaram e fez com que esse sentimento fosse transmitido a seus interlocutores no Palácio do Planalto. Ficaram especialmente apreensivos com as menções a Costa Neto e Flávio. O chefe do PL foi condenado e preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão, primeiro grande escândalo de corrupção da era PT. E o filho do presidente é investigado pela suspeita de se apropriar de salários de funcionários do gabinete quando era deputado estadual. Os queixosos não gostaram e ver esses políticos envolvidos na arrecadação de dinheiro. A abordagem pela doação está registrada em mensagens trocadas num grupo de WhatsApp, ao qual o Estadão teve acesso. Foi ali que chegaram os primeiros pedidos, feitos de forma mais incisiva por Bruno Scheid, administrador de fazenda de gado em Ji-Paraná (RO). Também atuaram o pecuarista Adriano Caruso, de São José do Rio Preto (SP), filiado ao PL, e Cuiabano Lima, locutor de rodeios e secretário de Turismo de Barretos (SP). Os três não eram estranhos no grupo de WhatsApp. Todos ali se conheciam por causa de movimentos pró-Bolsonaro desde o ano passado. As trocas de mensagens ocorreram entre os dias 5 e 21 de fevereiro deste ano. No grupo de WhatsApp estavam pecuaristas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Tocantins, Acre, Rondônia e São Paulo. A maioria defendeu a candidatura de Bolsonaro em 2018 e mantém o apoio.
PT cria ‘núcleos evangélicos’ – O PT criou núcleos de evangélicos em 21 Estados para tentar recuperar, nas eleições de 2022, os votos que perdeu entre os mais pobres em 2016 e 2018. O próximo passo é a criação de comitês que unam líderes neopentecostais aos demais partidos de esquerda, como o PSB, com o qual petistas negociam formar uma federação. Homem de confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, ex-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, comanda as articulações. O objetivo é adaptar a comunicação das campanhas aos valores desses segmentos para quebrar a resistência à candidatura Lula ao Planalto. Segundo a coordenadora do Núcleo de Evangélicos do PT (NEPT), deputada Benedita da Silva (RJ), o grupo busca reverter a noção de que cristãos deste segmento são avessos à sigla: “No governo Lula, os evangélicos melhoraram de vida e os dízimos das nossas igrejas aumentaram”. O fortalecimento dos canais de interlocução com evangélicos foi um pedido de Lula. Em 2016, o PT perdeu mais da metade das 630 prefeituras que controlava. Desde então, a legenda estuda estratégias para conciliar seu discurso com demandas do eleitorado evangélico e entre os mais pobres. A perda de apoio entre eleitores de baixa renda foi considerada fundamental para o impeachment de Dilma Rousseff e para a derrota de Fernando Haddad para Jair Bolsonaro em 2018.
Para barrar jogos de azar, evangélicos vão reproduzir ‘força-tarefa’ de Mendonça – A bancada evangélica se prepara para reproduzir a “força-tarefa” usada em dezembro do ano passado na aprovação, pelo Congresso, do nome de André Mendonça para o Supremo. Esta saída é uma possibilidade para o caso de o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, levar para o plenário o projeto de liberação dos jogos de azar. Integrantes da bancada se reúnem com o senador nesta semana para tentar convencê-lo a segurar a matéria, aprovada pela Câmara debaixo de muita polêmica e críticas dos evangélicos. Como última cartada, a bancada, agora liderada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (União-RJ), pode inclusive negociar o apoio à reeleição de Pacheco para o comando do Senado. Os parlamentares evangélicos tiveram papel decisivo na votação que aprovou o ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal em dezembro do ano passado, com o apoio da primeira-dama Michelle Bolsonaro. A bancada evangélica também se prepara para conversar com o presidente Jair Bolsonaro para pedir um “ajuste fino na política”. O ruído de que o presidente só irá apoiar evangélicos que se filiarem ao PL causou irritação no grupo, principalmente entre filiados do Republicanos e do Progressistas.
PL das armas é prioridade na CCJ – Uma das prioridades da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para o primeiro semestre deste ano é avançar com o projeto de lei 3723/19, que altera o Estatuto do Desarmamento e regulariza o exercício das atividades de colecionador, atirador esportivo e caçador (CACs). A pauta é parte do discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL), que editou Medidas Provisórias — 10.627, 10.628, 10.629 e 10.630 — e precisa do avanço da lei para manter o apoio do eleitorado que defende armar a população. O relator da proposta, senador Marcos do Val (Podemos-ES), afirma que, acima de qualquer coisa, é preciso descolar a proposta da imagem do governo Bolsonaro. Segundo ele, a questão é muito mais relacionada à segurança jurídica dos CACs do que às promessas feitas pelo presidente no passado. Do Val defende o avanço do texto para que os grupos não fiquem descobertos juridicamente caso as MPs percam efeito. O senador deixa claro que estaria disposto a não mexer na redação encaminhada pela Câmara dos Deputados para dar celeridade a pauta. Contudo, reconhece que há pontos problemáticos e que precisam de revisão.
Landim, nome de Bolsonaro na Petrobras – O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, foi indicado pelo governo para a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. Substituirá o almirante Eduardo Bacellar Ferreira, que anunciou a saída do cargo alegando querer passar mais tempo com a família. A eleição do novo colegiado será em 13 de abril. Landim tem laços estreitos com Bolsonaro e posou, no Palácio do Planalto, entregando a ele uma camisa do clube. Nos bastidores, especula-se que o cartola do futebol será o executor da política de preços do presidente, crítico do atrelamento dos preços internos à variação do mercado global do petróleo. A mudança no conselho vem num momento de pressão de Bolsonaro sobre Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras, devido dos preços dos combustíveis. O general tem seguido a política de Preço de Paridade de Importação, criada em 2016, que promove reajuste dos combustíveis em linha com os mercados internacionais. Isso tem sido feito, mas em intervalos maiores do que os adotados pelos presidentes anteriores da empresa. Desde 12 de janeiro, a estatal não mexe no valor dos combustíveis. Landim não é neófito no setor: foi presidente da Gás Petro e da Petrobras Distribuidora, entre 2003 e 2006. Também trabalhou em empresas da área de petróleo e mineração. Mas, em novembro passado, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por prejuízos a um fundo de pensão. De acordo com o MPF, ele e mais três pessoas — Demian Fiocca, Nelson José Guitti Guimarães e Geoffrey David — praticaram gestão fraudulenta ao aplicar os recursos do FIP Brasil Petróleo 1 na empresa americana DeepFlex Inc., cuja sede fica em Houston, nos Estados Unidos. A denúncia foi feita à 10ª Vara Federal Criminal.
As reservas de Dilma – O PT decidiu que uma das formas que buscará de defender o governo de Dilma Rousseff na campanha será mencionando o alto nível de reservas internacionais que ela deixou ao sofrer impeachment, em 2016. Foram US$ 366 bilhões, montante que tem se mantido estável desde então. Segundo o partido, essas reservas que têm ajudado o Brasil a suportar as intempéries das finanças globais nos últimos anos. O PT sabe que a gestão Dilma, que provocou a maior recessão da história do Brasil e deixou o país com inflação em alta, será um nervo exposto para Lula.
Deputada cria site para quem não quer se vacinar – Integrante da tropa de choque de Jair Bolsonaro (PL), a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) lançou um site neste domingo (6) com orientações para tentar driblar a exigência do passaporte vacinal de Covid-19 por escolas, creches e outros estabelecimentos. Apesar de especialistas garantirem que a imunização contra o coronavírus é segura e recomendada, com base em evidências científicas, a bolsonarista alega que a proposta visa “fortalecer a defesa da liberdade individual”. Aliada de primeira hora de Bolsonaro, a parlamentar se alinha ao presidente, que é crítico à vacinação, sobretudo a infantil. Nas últimas semanas, o presidente moderou o discurso após a insistência de aliados para que ele parasse de criticar a imunização. O movimento foi feito após o núcleo da campanha de Bolsonaro constatar que a campanha anti-vacinação tem impacto negativo nas pesquisas eleitorais, como mostrou a Folha.
Fala de Arthur do Val é asquerosa, diz Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro (PL), que já proferiu várias frases sexistas durante a sua carreira, condenou os áudios do deputado estadual Arthur do Val (Podemos) que destratou mulheres ucranianas em situação de vulnerabilidade por causa da guerra. Ao ser questionado sobre o caso por repórteres no cercadinho frequentado por apoiadores no Palácio Alvorada, neste domingo (6), Bolsonaro disse que a frase é “tão asquerosa que nem merece comentário”. Vídeo com a declaração do presidente foi publicado pela CNN Brasil. Jair Bolsonaro tem um longo histórico de falas sexistas, em consonância com atitudes defendidas por vários de seus aliados e apoiadores.
Eleição de mulher negra não beneficia só mulheres negras – Embora as mulheres negras sejam o maior grupo demográfico do país e representem 28% da população brasileira, elas estão sub-representadas nos cargos políticos. Na Câmara e no Senado, por exemplo, existem apenas 14 parlamentares negras, o que corresponde a pouco mais de 2% das cadeiras do Congresso Nacional. Para tentar mudar essa realidade surgiu em 2018 o Movimento Mulheres Negras Decidem, coordenado atualmente pela cientista política Tainah Pereira, 28. “Nós estamos empenhadas em fazer um debate mais sofisticado sobre a questão das identidades. Afastar da mídia essa ideia de que eleição de pessoas negras, eleição de pessoas LGBTQIA+ tem a ver com identitarismo ou com fazer políticas apenas para aquele grupo social”, afirma. Assim como outros coletivos, como o Vote Nelas e Vamos Juntas, que pretendem incentivar a participação política feminina que é baixa e tem pouco espaço, de forma geral, o projeto promove encontros para discussão sobre o funcionamento do sistema político, debates e espaços de formação. Além de apoiar as candidaturas de mulheres negras nas eleições para cargos no Congresso e no Executivo, o Mulheres Negras Decidem também apoia a participação de mulheres negras em disputas para posições em diversos outros espaços, como conselhos tutelares. O projeto busca ainda levantar dados e realizar pesquisas sobre a participação política de mulheres negras, não apenas o número de candidatas e eleitas, mas leis e projetos relacionados. Outra forma de atuação do movimento é tentar desmitificar, por exemplo, que pessoas negras não votam em candidatos negros. “A gente busca qualificar essa agenda, esse debate público sobre o que é o imaginário em relação à participação política de mulheres negras e quais são as inovações que mulheres negras trazem para a política institucional.”
ACM Neto, de líder da oposição ao PT para candidato isentão – A adesistência do senador Jaques Wagner (PT) para participar da corrida pela sucessão estadual na Bahia aumentou entre os aliados do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) a pressão para ficar longe dos principais candidatos na corrida presidencial. Representantes do ex-presidente Lula e do presidente Jair Bolsonaro buscaram uma aliança para as eleições deste ano, mas a posição do herdeiro político do ex-governador Antônio Carlos Magalhães deve ser neutra. Diante do feroz adversário dos governos Lula e PT, a principal estratégia do grupo ACM Neto é apostar, velado, no voto “LulaNeto”, para tentar vencer a disputa pelo Palácio de Ondina ainda no primeiro turno. Os dirigentes do PT nacional chegaram a sondar o ex-prefeito de Salvador em busca de um acordo após a renúncia de Wagner, mas as conversas não avançaram. Segundo o deputado federal Elmar Nascimento, líder da União Brasil na Câmara, o voto “LulaNeto” é algo que será visto sem surpresas na Bahia. Nas eleições anteriores, o atual governador Rui Costa (PT) foi eleito com alto índice de votos, assim como o prefeito de Salvador Bruno Reis (União Brasil). O aliado de ACM Neto também afirma que o grupo político do qual é membro foi procurado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) em busca de uma aliança formal, mas, segundo Nascimento, o grupo bolsonarista deve “arrumar sua própria casa”. – Na Bahia, ou você está com Lula ou contra Lula. Como não estamos com Lula, temos a plataforma aberta para receber apoio de muitos partidos. PSDB de Doria, PDT de Ciro, Podemos de Moro… Não podemos aceitar uma candidatura com o risco de perder o apoio de um desses partidos. Quanto ao presidente (Bolsonaro), o principal ministro do governo (Ciro Nogueira) vem de um partido que, na Bahia, é aliado do PT. É Bolsonaro, em Brasília, e Lula, na Bahia. Eles devem primeiro arrumar a casa deles e depois pedir nosso apoio – diz o deputado.
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JB Alencastro exclusivo para o D9 Notícias.
Final de tarde de um domingo cheio de sol e atividades. Caminhando, nadando, fotografando aves, almoçando uma pizza espetacular com vários copinhos de cerveja para degustar. Cada passagem, um encantamento. Uma descoberta.
E aí, olhando logo adiante, uma sorveteria. Se estivesse no México pediria um “helado de chispas de chocolate”. Pediu um sorvete de flocos, seu predileto.
Descobriu que na Austrália se diz “choc chip vanilla” e não “flake ice cream”. Vivendo e aprendendo.
Aliás, como é bom ser corrigido e descobrir o adequado naquele momento e hora. Ela pediu um de abacaxi. Detesta flocos, para ela é o pior sorvete do mundo. Ele tem dificuldades para odiar. Aquilo que não gosta, simplesmente evita. Olhando para cima, uma revoada de milhares de morcegos gigantes, chamados de “flying foxes”.
Centenas deles vão pousando num enorme ficus e fazendo uma algazarra semelhante a periquitos. Então, são eles que me saúdam ao entardecer na porta da minha casa, pensou.
E também no sorvetinho noturno.Engraçado como já havia tentado enganar sua companheira uma vez, pedindo “glace aux pépites” quando estiveram em Strasbourg, na França.
E nada. Ela reconheceu na hora o danado do flocos. Ofereceu com carinho, pois quando gostamos de algo, queremos dividir. Mas nem sempre o seu desejo é o desejo do outro. Necessita respeitar. E por isso, dentro da intimidade do casal, uma das coisas mais belas é o limite. O território daquilo que é bom para um mas não é para o outro.
O reconhecimento das preferências do ser amado e das suas próprias. Jamais pedir algo desagradável como “recompensa” por ter feito ou dito uma coisa bela. Imposição é feio.
Relações de poder são ruins. O melhor é a troca autêntica. Não adianta estar numa “gelateria” e solicitar um “gelato alla stracciatella” e aquela cor meio branca, meio amarelada, com os pedacinhos de chocolate denunciando o famoso sorvete de flocos.
Que ele fique com o seu sorvete. Só isso. Também respeitar as escolhas é fundamental. Nem todo mundo vai amar peixe e camarão e alguns podem até ter alergia, quiçá mortal. Insistir naquilo que sabiamente já está provado e satisfeito, não é educação. É o contrário.
É falta de. Quantas vezes não já lhe pediram para tomar “mais um cafezinho”, ou comer “mais um pão de queijo” e a refeição que fora tão gostosa, agora o empanturra.
Querer dividir algo que adoramos é bonito, mas pergunte antes se o outro também gosta. E se lhe perguntarem, seja sincero ao dizer que não, por exemplo. Amar é ver o outro satisfeito com suas escolhas.
E estando longe, torcer para que ele ou ela, esteja feliz mesmo na ausência. Aliás o amor mais bonito é aquele que na distância deseja o melhor para o outro. Que não cobra exclusividade e nem dedicação o tempo todo.
Por isso ele lá na China, deu uma volta no parque e pediu um 巧克力碎片冰淇淋 (qiǎokèlì suìpiàn bīngqílín) e voltou sorrindo com um belo pistacchio nas mãos, para ela.
O mundo gira, as pessoas mudam, e até as preferências também.
Por isso sempre pergunte (ou melhor ainda, descubra) o que o outro realmente quer, para que juntos possam comer até a casquinha do sorvete da vida.
JB Alencastro é médico e escritor
O conselheiro decano do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, José Wagner Praxedes, e o primeiro vice-governador do Estado, Darci Martins Coelho, foram homenageados na última quinta-feira (29) pela Câmara Municipal de Araguatins, na região do Bico do Papagaio.
Na ocasião, José Wagner Praxedes recebeu o título de Cidadão Honorário, enquanto Darci Martins Coelho foi agraciado com o título de Cidadão Araguatinense, em reconhecimento às suas trajetórias e contribuições para o Estado do Tocantins.
Notícias
Expositores levam inteligência artificial para o dia a dia das indústrias
Publicado
1 dia agoon
novembro 1, 2026Por
Elpidio Fiorda
Soluções baseadas em IA ganham força entre os participantes da feira de inovação e tecnologia industrial, que ocorre de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.
O número de indústrias no Brasil que utilizam soluções de inteligência artificial (IA) mais que dobrou em dois anos, segundo a Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento, feito com 1.731 empresas de um universo de 10.167 companhias com 100 ou mais empregados, mostra que o uso de IA nas indústrias brasileiras saltou 163% entre 2022 e 2024.
A pesquisa aponta que a adoção da tecnologia cresce conforme o porte da empresa.
Nos negócios com 500 ou mais funcionários, 57,5% utilizam soluções de IA. Nas companhias que têm entre 250 e 499 empregados, o índice é de 42,5%, e cai para 36,1% naquelas com 100 a 249 trabalhadores.
Aproximar a IA da realidade fabril é um dos objetivos da 3ª Feira de Negócios e Soluções para a Indústria Goiana (Expoind), que será realizada de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.
O evento reúne fornecedores de serviços, insumos, equipamentos e tecnologia. Grande parte dos cerca de 80 expositores apresentará inovações baseadas em mecanismos de IA.

IA aplicada a vendas
A goiana Nectar Soluções, especializada em softwares de CRM e gestão comercial para indústrias e distribuidoras, apresentará agentes de IA voltados para automação e suporte ao processo de vendas, que funcionam como gestores virtuais.
A tecnologia integrada aos programas da empresa permite fazer previsões de vendas e projeções de faturamento com base no histórico de negociações.
“O agente de IA conta com um assistente de texto que corrige e reescreve as informações nos campos do CRM.
A ferramenta também enriquece os contatos comerciais por meio de pesquisas automáticas de dados, preenchendo cadastros com nomes de empresas, cargos e canais de contato”, afirma Arthur César de Siqueira, diretor de operações da Nectar Soluções.
A expositora também mostrará um agente focado em mentoria de negócios.
“É uma ferramenta que sugere os próximos passos para aumentar as chances de fechamento de um contrato. Esse mentor direciona potenciais clientes para os vendedores, acompanha o desempenho da equipe e aponta melhorias nas abordagens”, diz Siqueira.
Esta é a segunda participação da Nectar Soluções na Expoind. De acordo com o executivo, o evento anterior trouxe retorno estratégico e financeiro.
“No ano passado, investimos cerca de R$ 35 mil no estande e, com as rodadas de negócios e os contatos feitos na feira, fechamos cerca de R$ 100 mil em contratos nos meses seguintes”, afirma.
Desafio na qualificação profissionalO presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, afirma que um dos propósitos da feira é democratizar o acesso às novas tecnologias e indicar caminhos para a capacitação de mão de obra.
“Vivemos um momento desafiador e de grande potencial no processo produtivo.
É preciso preparar estudantes e profissionais para uma realidade em rápida mudança”, diz.
O estande do Sistema Fieg apresentará oportunidades de qualificação e tecnologias como robótica, realidade virtual e aumentada e impressão 3D.
A indústria goiana criou 12.111 empregos formais no primeiro semestre de 2026, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 11.423 vagas.
O índice ficou acima da média nacional, de 1,6% no período, de acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Goiás teve o sexto maior crescimento entre as 27 unidades da federação.
Apesar do crescimento na geração de postos de trabalho, o setor enfrenta o desafio de qualificar profissionais para a indústria digital.
Um levantamento de 2024 do IBGE mostrou que 89% das empresas industriais brasileiras utilizavam tecnologias avançadas.
No entanto, a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que apenas 54,2% dos brasileiros têm habilidades digitais altas ou médias-altas (como uso de IA e programação de softwares).
Em tarefas complexas, o porcentual cai para 44,5%.
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