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Ziriguidum do D9 – Resumo de 4ª Feira, 09.03.2022
Publicado
5 anos agoon
Por
Elpidio Fiorda
Resumo de quarta, 09 de março de 2022
Edição de Chico Bruno
Manchetes
O ESTADO DE S.PAULO – Escalada em sanções eleva risco de choque global em energia
Valor Econômico – EUA e Reino Unido impõem sanções ao petróleo russo
O GLOBO – EUA, Europa e Reino Unido boicotam importação de petróleo russo
FOLHA DE S.PAULO – Biden proíbe importação de petróleo e gás da Rússia
CORREIO BRAZILIENSE – Ucrânia admite recuo para chegar a um acordo de paz
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia
Endurecendo cerco econômico – O presidente americano, Joe Biden, anunciou nesta terça-feira (8/3) a proibição de importação de petróleo gás e carvão russos pelos Estados Unidos. “Não vamos ajudar a subsidiar a guerra de Putin”, disse Biden, durante o anúncio. O Reino Unido deve acompanhar os Estados Unidos no boicote, reduzindo suas importações de petróleo gradualmente até o fim de 2022, segundo o secretário de Negócios britânico Kwasi Kwarteng. Já a União Europeia anunciou um plano de mais longo prazo para reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis russos, com a expectativa de chegar à independência total até 2030. Do outro lado, a Rússia ameaçou na noite de segunda-feira suspender o fornecimento de gás natural à Europa por meio do gasoduto Nord Stream 1. O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, alertou que o movimento poderia ter “consequências catastróficas” para a economia mundial e previu que o preço do barril poderia chegar com isso a US$ 300. Diante da perspectiva de avanço nas restrições internacionais ao comércio de petróleo e gás, o óleo chegou a subir mais de 7% nesta terça-feira, superando os US$ 131 por barril para o tipo Brent, referência para o mercado europeu, e os US$ 128 para o WTI (referência nos EUA).
Admite concessões – Pela primeira vez, o presidente Volodymyr Zelensky sinaliza possível negociação sobre territórios separatistas e não descarta desistir de adesão à Otan, condições estabelecidas por Putin para suspender a invasão ao país. Horas antes de prometer lutar “até o fim”, durante discurso histórico no Parlamento do Reino Unido, líder ucraniano acenou com concessões a Moscou para pôr fim à guerra, que entra hoje na segunda semana. Pelo menos 2 milhões de civis fugiram dos conflitos. Kiev acusou russos de atacarem corredor humanitário na cidade portuária de Mariupol. O presidente da China, Xi Jinping, pediu “contenção máxima” às partes envolvidas nos combates. Encarregado de negócios da Embaixada da Ucrânia em Brasília cobrou mais pressão sobre o Kremlin e afirmou que Vladimir Putin quer “destruir” seu país.
A sinuca da gasolina – Nas rodas de conversas de parlamentares durante encontro da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, presidida pelo deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP), era visível a irritação com o fato de o governo ainda não ter uma posição fechada a respeito dos quatro projetos sobre combustíveis que tramitam no Congresso. Há uma reclamação generalizada sobre a profusão de posicionamentos entre a área econômica, a política e o Planalto, sem que haja um rumo certo a seguir. Enquanto o governo não fecha um posicionamento claro para resolver o problema do preço, a Frente Parlamentar começa a encontrar seus consensos. Decidiu, por exemplo, que não apoiará medida que possa intervir na política de preços da Petrobras nem considera adequado o modelo de um fundo de estabilização para tentar reduzir a defasagem em relação ao mercado internacional. Até aqui, só há consenso sobre o projeto sobre a unificação das alíquotas do ICMS dos combustíveis, em discussão no Senado. No Parlamento, está praticamente sedimentada a ideia de que ou o governo corre para apresentar seu projeto sobre o preço dos combustíveis, ou corre o risco de entrar atrasado nessa discussão, como fez agora com a questão da distribuição dos absorventes para mulheres carentes. Os deputados ficaram muito impressionados com a palestra do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Eberaldo de Almeida, incisivo ao dizer que algo precisa ser feito para reduzir o número de variáveis que incidem sobre o preço dos combustíveis. E, mesmo sem a invasão russa na Ucrânia, o preço do barril projetado para este ano já estava alto. Uma das saídas que ele apontou é o país, por exemplo, investir mais nas energias renováveis.
McDonald’s e Coca-Cola suspendem operação na Rússia – Alguns dos maiores ícones do capitalismo ocidental anunciaram nesta terça-feira (8) a suspensão de suas atividades na Rússia, engrossando as pressões econômicas contra Moscou após uma série de manifestações de descontentamento em todo o mundo. McDonald’s, Coca-Cola, PepsiCo e Starbucks, entre outras, informaram que não devem operar no país por tempo indeterminado, seguindo o caminho de companhias do setor de óleo e gás e de outras marcas famosas, como Ikea e Levi Strauss & Co. No mesmo dia dos anúncios, e procurando amenizar sanções que começam a prejudicar o abastecimento de lojas e supermercados russos —trazendo à memória cenas do período soviético—, o presidente Vladimir Putin foi à televisão anunciar um amplo pacote de ajuda à população mais pobre. O objetivo é compensar perdas que pensionistas do Estado vêm sofrendo no poder de compra com a desvalorização do rublo e a consequente inflação, além de reforçar programas sociais que atendem a cerca de 19 milhões de russos (ou 13% da população) abaixo da linha de pobreza, segundo critérios do Banco Mundial. Com as medidas, expostas num documento de 39 páginas, Putin procura neutralizar parte do descontentamento que se espalha entre o povo russo como resultado das sanções ocidentais —que ajudam a alimentar ondas de manifestações que já deixaram mais de 10 mil detidos. O líder já chegou a comparar as punições a uma declaração de guerra.
Medidas para contornar rejeição feminina – Diante da elevada rejeição entre o público feminino, que aumentou após o veto à distribuição gratuita de absorventes a mulheres carentes — prevista na proposta original da Lei 14.214, sancionada em outubro passado —, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou atrás e assinou, ontem, um decreto garantindo o repasse do item à população vulnerável. A medida faz parte do “pacote de bondades” que o governo anunciou em cerimônia no Planalto alusiva ao Dia da Mulher. No evento, o chefe do Executivo também afirmou que “as mulheres estão praticamente integradas à sociedade”. De acordo com especialistas e integrantes da bancada feminina, o decreto dos absorventes é eleitoreiro e não deve reduzir a desaprovação do governo junto às eleitoras, muito menos evitar o constrangimento da derrubada do veto sobre o tema, prevista para ocorrer no plenário do Congresso amanhã. O decreto presidencial regulamenta a Lei nº 14.214, instituindo o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que já está em vigor, mas tem uma série de vetos de Bolsonaro. Na época, ele ironizou o programa, classificando-o como “Auxílio Modess” e frisou que “mulher começou a menstruar no meu governo”. A expectativa de técnicos do governo é de beneficiar 3,6 milhões de mulheres dos grupos vulneráveis. No evento no Planalto, Bolsonaro tentou fazer um discurso ameno, abraçou uma senhora vítima de escalpelamento, meio constrangido, e colocou uma gravata rosa, mas analistas acreditam que ele não deve recuperar a popularidade entre o público feminino, em que a rejeição ao presidente passa dos 60%. Como parte do pacote de bondades, Bolsonaro sancionou um projeto que determina que as medidas protetivas de urgência sejam, após sua concessão, imediatamente registradas em banco de dados mantido e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça. Outro item do pacote foi o decreto que institui a Estratégia Nacional de Empreendedorismo Feminino. De acordo com o Ministério da Economia, a medida tem potencial de impactar diretamente e imediatamente as mulheres, beneficiando as que já empreendem e que vão receber maior capacitação e apoio financeiro, por meio de cursos e crédito para seu negócio. Contudo, o programa não foi bem detalhado no evento. Não foi informado o volume de financiamento disponível nos bancos públicos nem quanto as taxas de juros serão mais baratas do que as praticadas no mercado. O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, por sua vez, disse que o banco criou um pacote com redução de taxas para empréstimos às mulheres durante o mês de março. Ele também anunciou parceria com o banco Grameen Bank para concessão do microcrédito via aplicativo Caixa Tem. Na contramão, Bolsonaro também sancionou o projeto de lei que regulamenta o retorno da gestante ao trabalho presencial.
Histórico de frases machistas – O presidente Jair Bolsonaro tem um histórico de declarações machistas. Ele já afirmou, por exemplo, que sua filha Laura foi uma “fraquejada” após ser pai de quatro filhos homens. No fim do ano passado, foi filmado dançando uma paródia de funk que comparava mulheres de esquerda a cadelas e oferecia a feministas “ração na tigela”. Em 2020, ele insultou a repórter da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello em conversa com apoiadores. “Ela (jornalista) queria um furo. Ela queria dar o furo (risos dele e dos demais)”. Neste ano, disse ter dado um bom dia “mais do que especial” à primeira-dama Michelle em plena cerimônia oficial no Palácio do Planalto. Enquanto era deputado federal, em 2014, Bolsonaro afirmou, em discurso no plenário da Câmara, que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) “não merecia ser estuprada porque é muito feia”. Foi condenado a pagar indenização e a publicar um pedido de desculpas, em 2019. Em 2016, declarou que mulheres deveriam ganhar menos do que os homens no trabalho porque engravidam. “Eu não empregaria (homens e mulheres) com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente”, afirmou, em entrevista.
Apenas três ministras – Na cerimônia, o presidente Jair Bolsonaro repetiu uma fala da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, de que a participação das mulheres no governo é maior do que em gestões anteriores. Ao considerar o segundo e o terceiro escalões, o número esconde o fato de que apenas três dos 23 ministérios são chefiados por mulheres. Além de Damares, são ministras Flávia Arruda (Secretaria de governo) e Tereza Cristina (Agricultura).
Plano de metas contra violência – Presidida pela deputada Celina Leão, a sessão de ontem na Câmara tratou de pautas voltadas ao público feminino em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Entre elas, a Casa aprovou projeto que condiciona o acesso a recursos federais relacionados à segurança pública e aos direitos humanos à elaboração, por estados e municípios, de um plano de metas para o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. A proposta irá ao Senado. De autoria da deputada Leandre (PV-PR), o Projeto de Lei 501/19 foi aprovado na forma do substitutivo do relator, deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG). Segundo o texto, o plano de metas será decenal e com atualização obrigatória a cada dois anos a fim de monitorar a execução e os resultados das ações. A Câmara aprovou, também, emendas do Senado ao projeto de lei que destina verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para ações de enfrentamento à violência contra a mulher. A medida consta do PL 123/19, da deputada Renata Abreu (Pode-SP). Pelo texto que irá à sanção, ao menos 5% dos recursos empenhados do fundo deverão ter essa destinação. Uma das emendas incluídas no projeto acrescenta mais um critério para os entes federados receberem esse tipo de recurso: o desenvolvimento e a implementação de um plano estadual ou distrital de combate à violência contra a mulher, com tratamento específico para as mulheres indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais.
PT e PSol se reúnem hoje – O PSol e o PT devem se reunir, em Brasília, hoje, na tentativa de firmar aliança eleitoral. Esse será o primeiro encontro entre as legendas para iniciar conversas voltadas à construção de uma plataforma comum em torno da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto em 2022. “A unidade que queremos construir entre as esquerdas é baseada num acordo programático que supere o neoliberalismo e o legado do golpe de 2016. Queremos ir além de acordos eleitorais. Estamos confiantes de que o diálogo com o PT será proveitoso nesse sentido”, informou Juliano Medeiros, presidente nacional do PSol. Entre as propostas do PSol estão as revogações das legislações das reformas trabalhista e previdenciária e do teto de gastos.
Psol se sente desconfortável com ex-tucano na vice de Lula – Desconfortável com a provável presença de Geraldo Alckmin como vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PSOL não pretende prestigiar a filiação do ex-tucano ao PSB, no final do mês. “Seria descabido a gente comparecer. Ele não é um aliado do PSOL. Temos ótima relação com o PSB, não com o Alckmin”, diz o presidente do PSOL, Juliano Medeiros. Apesar disso, o apoio psolista ao petista não está ameaçado. A presença do próprio Lula no evento de Alckmin é incerta. Dirigentes petistas defendem que ele no máximo mande uma mensagem. A participação pessoalmente passaria a impressão de que a chapa já está formada, quando ainda há acertos para serem feitos, sobretudo o papel do ex-governador na campanha e eventual governo.
“Nunca afirmei uma candidatura” – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou, ontem, que seu partido deve definir “em breve” os rumos a tomar nas eleições. Cotado para ser candidato à Presidência da República, o parlamentar frisou “nunca” ter dito que seria, de fato, postulante ao Palácio do Planalto. O convite ao senador foi feito por Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional da legenda. “Nunca afirmei uma candidatura à Presidência da República. O PSD deseja ter candidatura própria. Recebi um convite do presidente do partido, da Executiva e dos parlamentares para uma candidatura pelo PSD. É uma avaliação que ainda não foi feita plenamente por mim”, sustentou, durante o Congresso Mineiro de Vereadores, em Belo Horizonte. Parte dos integrantes da sigla defende que, mesmo sem Pacheco, o partido apresente um nome para se opor à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). O nome de Eduardo Leite (PSDB), governador gaúcho derrotado pelo gestor de São Paulo, João Doria, nas prévias tucanas, passou a ser aventado.
Crise do MBL pode respingar em Moro – A candidatura do ex-ministro Sergio Moro (Podemos-SP) ao Planalto corre o risco de ser enfraquecida com a crise no Movimento Brasil Livre (MBL), grupo de apoio ao presidenciável. A avaliação é de especialistas. O estrago mais recente foi deflagrado pelos áudios sexistas do deputado estadual Arthur do Val (Podemos-SP), integrante do MBL. Em fevereiro, o deputado federal Kim Kataguiri (Podemos-SP), também membro do movimento, foi alvo de críticas após falar no podcast Flow que o nazismo não deveria ter sido criminalizado na Alemanha. Na avaliação do cientista político Ismael Almeida, as polêmicas recentes devem respingar na candidatura do ex-juiz. “Sem dúvida, o impacto das declarações sexistas do Arthur do Val vai ser muito grande na pré-candidatura do Moro, isso, inclusive, já está acontecendo”, afirmou. Para Almeida, será difícil separar a imagem do MBL da campanha presidencial do Podemos. “Até por declarações que ele deu quando aconteceu a entrada do movimento na sua campanha, de que o apoio de do MBL seria até mais importante do que de partidos”, ressaltou. “Ele fez questão de amarrar bem a sua figura a esse movimento, que, até então, tinha ali o seu lugar ao sol nessa questão de mobilização política.”
Lira quer votar PL da mineração – Líderes da Câmara dos Deputados discutiram, ontem, em reunião, a votação do projeto de lei (PL) 191/2020, que libera a mineração em terras indígenas. O líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), já colheu assinaturas para o requerimento de urgência e afirmou que a proposta será avaliada pelos líderes e pelas bancadas nesta semana. Por ser uma PL, o governo precisa apenas de maioria simples. A deputada Celina Leão (PP-DF), que também participou do encontro, disse que os parlamentares precisam de tempo para discutir o assunto. No mesmo dia, um grupo de oito deputados de vários partidos apresentou um pedido a Lira para que suspenda a tramitação do projeto. O requerimento é assinado por Joenia Wapichana (Rede-RR), André Figueiredo (PDT-CE), Reginaldo Lopes (PT-MG), Alencar Santana Braga (PT-SP), Renildo Calheiros (PCdoB-PE), Sâmia Bomfim (PSol-SP), Bira do Pindaré (PSB-MA) e Wolney Queiroz (PDT-PE). Nos bastidores, o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) afirmou ao Correio que, para costurar o projeto, o presidente da Câmara se reuniu com líderes na residência oficial. “Tirou a discussão de dentro do Congresso e levou para a casa dele. Quando o colégio de líderes é aqui (Câmara), todos entramos no colégio de líderes. Lá, não”, apontou. Ainda de acordo com o parlamentar, Lira manteve a votação remota. “Esvaziou o plenário. Os deputados votam de casa e recebem o alinhamento ‘o governo quer que vote assim’. Assim, eles têm maioria. Assim que funciona”, reclamou. O deputado Nilto Tatto (PT-SP) explicou que ainda há uma pressão do governo pela aprovação do projeto de lei. “Empresas de mineração estrangeiras e nacionais querem abrir o precedente. Esse é um PL inconstitucional. Bolsonaro fala em potássio utilizando a crise da Ucrânia, o que é mentira”, criticou. Do jeito como está desenhado, se aprovado, o Estatuto do Índio de 1973 deve perder o artigo que restringe aos indígenas a exploração de riquezas em suas terras. (Art 2°. Parágrafo IX).
Bolsonaro diz que dirige o país para o lado que os evangélicos quiserem – Em um ato montado para mostrar o apoio de lideranças evangélicas ao Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta terça-feira (8), que dirige o Brasil para onde os pastores desejarem. “Seria muito fácil estar do outro lado. Mas, como eu acredito em Deus, se fosse para estar do outro lado, nós não seríamos escolhidos. Eu falo ‘nós’ porque a responsabilidade é de todos nós. Eu dirijo a nação para o lado que os senhores assim o desejarem”, declarou Bolsonaro. O presidente esteve à frente nesta terça de uma reunião com dezenas de pastores evangélicos no Palácio da Alvorada. Além das lideranças, participaram ministros, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e parlamentares da bancada evangélica no Congresso Nacional. Em seu pronunciamento, Bolsonaro fez diversos acenos às pautas conservadoras que mobilizam as igrejas e templos no país. Disse acreditar em Deus e defender a família, criticou a legalização do aborto em outros países e argumentou que o presidente eleito em 2022 poderá indicar mais dois ministros para o STF (Supremo Tribunal Federal).
Manobra permite uso de emendas parlamentares durante campanha – Uma manobra orçamentária que tem aval do governo Jair Bolsonaro (PL) e apoio no Congresso vai permitir repasses de R$ 3,3 bilhões em emendas parlamentares durante a campanha deste ano. Para driblar a lei eleitoral, que veda a liberação de recursos de emendas ao Orçamento nos três meses que antecedem o dia da votação, o governo pretende irrigar os redutos políticos utilizando as chamadas “transferências especiais”, prática apelidada de “cheque em branco”. No modelo tradicional de pagamento das emendas, os recursos só saem do caixa do Executivo quando o serviço está concluído. Se uma obra pública fica pronta dentro do período de três meses antes das eleições, o dinheiro não pode ser liberado. Já pelas “transferências especiais”, a verba sai do caixa federal sem necessidade de esperar que a obra seja concluída. Assim, os repasses são feitos a governos estaduais e prefeituras antes dos três meses e ficam disponíveis para pagamento no momento em que as autoridades quiserem, sem a trava da lei eleitoral.
PT e PSB têm ‘Dia D’ para definir rumo de possível federação – PT e PSB têm nesta quarta-feira, 9, uma reunião decisiva sobre o destino dos partidos. A sigla presidida por Carlos Siqueira espera uma resposta sobre a carta de condições apresentada aos petistas no começo de fevereiro para consolidar a federação entre eles. Caso não tenha um retorno favorável, os pessebistas podem desistir do casamento de quatro anos, o que não inviabilizaria uma aliança e o apoio à candidatura de Lula ao Palácio do Planalto. Nos bastidores, o PSB segue dividido. De um lado, há um temor de que a sigla seja “engolida” pelo PT e perca relevância. Do outro, deputados estão com dificuldade de formação de chapas estaduais, o que poderia ser solucionado pela federação. O PSB espera que o PT ceda em apoios no Acre, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, depois de já garantir o apoio dos petistas no Rio de Janeiro e em Pernambuco. São Paulo, no entanto, é um assunto mais delicado. Deve ser tratado depois e, nesta fase, não será decisivo. A reunião será em Brasília com a presença dos presidentes partidários e lideranças, entre elas, o ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), cotado para disputar o cargo novamente.
Barulho – O horário do protesto liderado por Caetano Veloso em frente ao Congresso nesta quarta-feira, 9, pode coincidir com a votação do projeto que libera a exploração em terras indígenas na Câmara. Nos bastidores, a orientação foi para políticos não subirem no palanque e deixarem o espaço apenas para os artistas.
Bolsonaro sofre para montar palanque na Bahia – Aliados do presidente Jair Bolsonaro tentam resolver o impasse que até agora o deixa sem palanque na Bahia, o quarto maior colégio eleitoral do país. A possibilidade de lançar o ministro João Roma como candidato a governador, defendido pelo próprio presidente, é recebida com resistência dos Republicanos. Uma das alternativas propostas na equipe de campanha de Bolsonaro é incentivar a candidatura do atual vice-governador do Estado, João Leão, filiado ao PP, sigla aliada ao Palácio do Planalto. Mas Leão ainda não decidiu se entrará na disputa. O vice-governador esteve em Brasília nesta semana para discutir o assunto com o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), seu correligionário, que atua como um dos principais coordenadores da campanha de reeleição de Bolsonaro. Os dois devem se encontrar novamente hoje. Atualmente, Leão e o PP fazem parte de uma aliança com o PT na Bahia, que colocada em xeque nos últimos dias. Diante da retirada dos senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD) do conflito estadual, ele esperava ser o sucessor natural do grupo para a vaga, mas isso não aconteceu. Um deles é o secretário de Estado da Educação, Jerônimo Rodrigues (PT). O episódio fez com que Leão pensasse em levar o partido em outra direção. Enquanto mantinha conversas com Nogueira, Leão manteve conversas com o governador Rui Costa (PT) e ainda quer se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O apoio do PP na Bahia, no momento, é considerado decisivo.
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JB Alencastro exclusivo para o D9 Notícias.
Final de tarde de um domingo cheio de sol e atividades. Caminhando, nadando, fotografando aves, almoçando uma pizza espetacular com vários copinhos de cerveja para degustar. Cada passagem, um encantamento. Uma descoberta.
E aí, olhando logo adiante, uma sorveteria. Se estivesse no México pediria um “helado de chispas de chocolate”. Pediu um sorvete de flocos, seu predileto.
Descobriu que na Austrália se diz “choc chip vanilla” e não “flake ice cream”. Vivendo e aprendendo.
Aliás, como é bom ser corrigido e descobrir o adequado naquele momento e hora. Ela pediu um de abacaxi. Detesta flocos, para ela é o pior sorvete do mundo. Ele tem dificuldades para odiar. Aquilo que não gosta, simplesmente evita. Olhando para cima, uma revoada de milhares de morcegos gigantes, chamados de “flying foxes”.
Centenas deles vão pousando num enorme ficus e fazendo uma algazarra semelhante a periquitos. Então, são eles que me saúdam ao entardecer na porta da minha casa, pensou.
E também no sorvetinho noturno.Engraçado como já havia tentado enganar sua companheira uma vez, pedindo “glace aux pépites” quando estiveram em Strasbourg, na França.
E nada. Ela reconheceu na hora o danado do flocos. Ofereceu com carinho, pois quando gostamos de algo, queremos dividir. Mas nem sempre o seu desejo é o desejo do outro. Necessita respeitar. E por isso, dentro da intimidade do casal, uma das coisas mais belas é o limite. O território daquilo que é bom para um mas não é para o outro.
O reconhecimento das preferências do ser amado e das suas próprias. Jamais pedir algo desagradável como “recompensa” por ter feito ou dito uma coisa bela. Imposição é feio.
Relações de poder são ruins. O melhor é a troca autêntica. Não adianta estar numa “gelateria” e solicitar um “gelato alla stracciatella” e aquela cor meio branca, meio amarelada, com os pedacinhos de chocolate denunciando o famoso sorvete de flocos.
Que ele fique com o seu sorvete. Só isso. Também respeitar as escolhas é fundamental. Nem todo mundo vai amar peixe e camarão e alguns podem até ter alergia, quiçá mortal. Insistir naquilo que sabiamente já está provado e satisfeito, não é educação. É o contrário.
É falta de. Quantas vezes não já lhe pediram para tomar “mais um cafezinho”, ou comer “mais um pão de queijo” e a refeição que fora tão gostosa, agora o empanturra.
Querer dividir algo que adoramos é bonito, mas pergunte antes se o outro também gosta. E se lhe perguntarem, seja sincero ao dizer que não, por exemplo. Amar é ver o outro satisfeito com suas escolhas.
E estando longe, torcer para que ele ou ela, esteja feliz mesmo na ausência. Aliás o amor mais bonito é aquele que na distância deseja o melhor para o outro. Que não cobra exclusividade e nem dedicação o tempo todo.
Por isso ele lá na China, deu uma volta no parque e pediu um 巧克力碎片冰淇淋 (qiǎokèlì suìpiàn bīngqílín) e voltou sorrindo com um belo pistacchio nas mãos, para ela.
O mundo gira, as pessoas mudam, e até as preferências também.
Por isso sempre pergunte (ou melhor ainda, descubra) o que o outro realmente quer, para que juntos possam comer até a casquinha do sorvete da vida.
JB Alencastro é médico e escritor
O conselheiro decano do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, José Wagner Praxedes, e o primeiro vice-governador do Estado, Darci Martins Coelho, foram homenageados na última quinta-feira (29) pela Câmara Municipal de Araguatins, na região do Bico do Papagaio.
Na ocasião, José Wagner Praxedes recebeu o título de Cidadão Honorário, enquanto Darci Martins Coelho foi agraciado com o título de Cidadão Araguatinense, em reconhecimento às suas trajetórias e contribuições para o Estado do Tocantins.
Notícias
Expositores levam inteligência artificial para o dia a dia das indústrias
Publicado
1 dia agoon
novembro 1, 2026Por
Elpidio Fiorda
Soluções baseadas em IA ganham força entre os participantes da feira de inovação e tecnologia industrial, que ocorre de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.
O número de indústrias no Brasil que utilizam soluções de inteligência artificial (IA) mais que dobrou em dois anos, segundo a Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento, feito com 1.731 empresas de um universo de 10.167 companhias com 100 ou mais empregados, mostra que o uso de IA nas indústrias brasileiras saltou 163% entre 2022 e 2024.
A pesquisa aponta que a adoção da tecnologia cresce conforme o porte da empresa.
Nos negócios com 500 ou mais funcionários, 57,5% utilizam soluções de IA. Nas companhias que têm entre 250 e 499 empregados, o índice é de 42,5%, e cai para 36,1% naquelas com 100 a 249 trabalhadores.
Aproximar a IA da realidade fabril é um dos objetivos da 3ª Feira de Negócios e Soluções para a Indústria Goiana (Expoind), que será realizada de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.
O evento reúne fornecedores de serviços, insumos, equipamentos e tecnologia. Grande parte dos cerca de 80 expositores apresentará inovações baseadas em mecanismos de IA.

IA aplicada a vendas
A goiana Nectar Soluções, especializada em softwares de CRM e gestão comercial para indústrias e distribuidoras, apresentará agentes de IA voltados para automação e suporte ao processo de vendas, que funcionam como gestores virtuais.
A tecnologia integrada aos programas da empresa permite fazer previsões de vendas e projeções de faturamento com base no histórico de negociações.
“O agente de IA conta com um assistente de texto que corrige e reescreve as informações nos campos do CRM.
A ferramenta também enriquece os contatos comerciais por meio de pesquisas automáticas de dados, preenchendo cadastros com nomes de empresas, cargos e canais de contato”, afirma Arthur César de Siqueira, diretor de operações da Nectar Soluções.
A expositora também mostrará um agente focado em mentoria de negócios.
“É uma ferramenta que sugere os próximos passos para aumentar as chances de fechamento de um contrato. Esse mentor direciona potenciais clientes para os vendedores, acompanha o desempenho da equipe e aponta melhorias nas abordagens”, diz Siqueira.
Esta é a segunda participação da Nectar Soluções na Expoind. De acordo com o executivo, o evento anterior trouxe retorno estratégico e financeiro.
“No ano passado, investimos cerca de R$ 35 mil no estande e, com as rodadas de negócios e os contatos feitos na feira, fechamos cerca de R$ 100 mil em contratos nos meses seguintes”, afirma.
Desafio na qualificação profissionalO presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, afirma que um dos propósitos da feira é democratizar o acesso às novas tecnologias e indicar caminhos para a capacitação de mão de obra.
“Vivemos um momento desafiador e de grande potencial no processo produtivo.
É preciso preparar estudantes e profissionais para uma realidade em rápida mudança”, diz.
O estande do Sistema Fieg apresentará oportunidades de qualificação e tecnologias como robótica, realidade virtual e aumentada e impressão 3D.
A indústria goiana criou 12.111 empregos formais no primeiro semestre de 2026, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 11.423 vagas.
O índice ficou acima da média nacional, de 1,6% no período, de acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Goiás teve o sexto maior crescimento entre as 27 unidades da federação.
Apesar do crescimento na geração de postos de trabalho, o setor enfrenta o desafio de qualificar profissionais para a indústria digital.
Um levantamento de 2024 do IBGE mostrou que 89% das empresas industriais brasileiras utilizavam tecnologias avançadas.
No entanto, a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que apenas 54,2% dos brasileiros têm habilidades digitais altas ou médias-altas (como uso de IA e programação de softwares).
Em tarefas complexas, o porcentual cai para 44,5%.
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