Janela ideal de plantio se encerra por volta do dia 20 de fevereiro e uso intenso da chuva até essa data eleva risco produtivo, segundo especialista
O excesso de chuvas em regiões produtoras de milho tem ampliado as incertezas no mercado de commodities e influenciado a formação de preços na B3. Além dos impactos agronômicos, o cenário climático começa a trazer reflexos diretos sobre a janela de plantio da safrinha, especialmente no sudoeste de Goiás, uma das principais regiões produtoras do país.
De acordo com o zootecnista e consultor financeiro Fabiano Alves Tavares, o período considerado mais seguro para o plantio do milho safrinha na região vai até aproximadamente o dia 20 de fevereiro. A partir dessa data, o risco climático aumenta de forma significativa, elevando a probabilidade de perdas por déficit hídrico no final do ciclo. “Quando o plantio ultrapassa essa janela, o produtor passa a assumir um risco maior de produtividade, o que pode levar à redução da área efetivamente semeada”, explica.
Segundo o especialista, como o período entre o início do ano e essa janela limite foi marcado por volumes elevados de chuva, há risco de atrasos operacionais no campo. Esse cenário pode resultar em menor área plantada de milho safrinha no sudoeste goiano, impactando o volume total ofertado ao mercado.
Do ponto de vista do mercado futuro, Fabiano destaca que a B3 não reage apenas ao volume de chuva, mas ao efeito desse excesso sobre produtividade, previsibilidade da safra e ritmo de oferta. “O mercado antecipa o risco. Quando há dúvida sobre quanto milho será plantado, colhido e disponibilizado, os preços incorporam um prêmio climático”, afirma.
Além da possível redução de área, o excesso hídrico também eleva o risco de problemas de qualidade, como grãos ardidos e queda do peso hectolítrico, o que pode diminuir a oferta comercializável, mesmo sem uma quebra expressiva na produção bruta.
Nesse contexto, o mercado tende a reagir primeiro nos contratos de vencimento mais curto, mais sensíveis ao fluxo físico imediato, enquanto os prazos mais longos refletem revisões nas estimativas de safra. A volatilidade permanece elevada até que o avanço do plantio e da colheita permita uma mensuração mais precisa dos impactos.
@fabianotavares0