GABRIEL CHALITA CONTA AINDA COM A PARTICIPAÇÃO DA DRA. LUCIANA DADALTO, QUE RETRATA AS DIFICULDADES EM ABORDAR O TEMA MORTE
Nesta quinta-feira (16/10), no Arena dos Saberes, Gabriel Chalita recebe a atriz Danielle Winits e o diretor de teatro Gerald Thomas para uma conversa sobre a peça CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente, da qual são parceiros na produção. Eles também comentam sobre os desafios do processo criativo e as formas de lidar com as expectativas do público. O programa tem ainda a participação da Dra. Luciana Dadalto, presidente da associação Eu Decido, que fala sobre a morte e as dificuldades sociais em abordar esse tema.
O monólogo CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente é inspirado no texto original da dramaturga norte-americana Jane Wagner, e chega ao Brasil sob direção de Gerald Thomas. A interpretação é de Danielle Winits, que realiza um antigo sonho de protagonizar um monólogo.
Durante a conversa no Arena dos Saberes, Gabriel Chalita pergunta a Gerald Thomas sobre suas inspirações para adaptar o espetáculo. Ele revela que não as busca e que o processo criativo é uma experiência muito dolorosa. “As pessoas não imaginam o quanto a gente sofre, no dia a dia, para poder criar. O dia a dia não é um evento que merece ser celebrado. Grandes criações vêm de uma tortura diária. A gente rasga milhões de telas até que uma tela saia. O processo de criação é um parto.”
Danielle Winits, por sua vez, fala sobre como lida com a expectativa do público diante de um trabalho tão pessoal: “Eu procuro, hoje em dia, validar o que eu acho importante para mim, o meu aprendizado, o que eu vou tirar do meu trabalho, e não se o outro vai olhar de uma forma torta para a minha escolha.”
Por fim, há também o bate-papo com a Dra. Luciana Dadalto, presidente da associação Eu Decido, criada para defender o direito individual à dignidade e autonomia no fim de vida. Na conversa, ela reflete sobre o porquê de a sociedade evitar o tema da morte. “A gente tem dificuldade de falar sobre aquilo que não consegue controlar, sobre aquilo que não consegue entender. E a morte é o maior desses mistérios.”
Ela conclui destacando a importância da empatia e da compaixão diante do sofrimento alheio para conseguirmos falar mais sobre o fim da vida: “A gente julga muito a dor do outro. A gente tenta olhar para a outra pessoa e pensar como a gente faria se estivesse naquele lugar. [Mas precisamos] conseguir olhar para a dor do outro e entender que cada dor é única. É um exercício de compaixão.”