Prof. Dr. J. Antônio Cirino
Falar em inovação no sistema de saúde exige ir além de tecnologias, startups ou novos modelos assistenciais. Inovar, antes de tudo, passa pela forma como educamos e desenvolvemos pessoas. Instituições de ensino que permanecem desconectadas da realidade do setor acabam formando profissionais preparados para um sistema que já não existe mais.
Os desafios contemporâneos da saúde, como sustentabilidade financeira, segurança do paciente, transformação digital, gestão de pessoas e integração entre setores, exigem competências que não se desenvolvem apenas com conteúdos teóricos.
O gestor e o profissional do futuro precisam aprender a lidar com a complexidade, tomar decisões em cenários incertos, trabalhar de forma colaborativa e transformar conhecimento em prática.Nesse contexto, o papel das instituições de ensino e das unidades de saúde precisa ser ressignificado.
Não basta transmitir conhecimento, é necessário criar experiências de aprendizagem conectadas aos problemas reais do sistema de saúde.
Metodologias ativas, estudos de caso, simulações, projetos aplicados e aproximação com serviços de saúde, setor público, privado e ecossistemas de inovação deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos.A inovação curricular é um ponto-chave desse processo.
Currículos baseados em competências técnicas, comportamentais e de gestão permitem formar profissionais mais adaptáveis, críticos e preparados para liderar mudanças.
Temas como qualidade, segurança do paciente, tecnologia, análise de dados, gestão de processos e empreendedorismo em saúde precisam dialogar diretamente com a prática cotidiana das organizações.
Outro eixo fundamental é a pesquisa aplicada.
Produzir conhecimento que não chega à prática assistencial ou gerencial representa uma oportunidade perdida.
A aproximação entre ensino, pesquisa e serviços de saúde fortalece a transferência de conhecimento, gera soluções concretas e contribui para a melhoria contínua do sistema.
Educar para inovar, portanto, é assumir que a formação em saúde tem responsabilidade direta sobre o futuro do setor.
Instituições de ensino que compreendem esse papel tornam-se verdadeiros agentes de transformação, formando profissionais qualificados e líderes capazes de enfrentar os desafios reais da saúde com visão sistêmica, responsabilidade e propósito.Inovar na saúde começa, necessariamente, pela inovação na educação.
Prof. Dr. J. Antônio Cirino é Diretor de Ensino e Desenvolvimento na Agir.