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MASP apresenta exposição sobre coletivo de artistas do povo Wichí 

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Claudia Alarcón & Silät, Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, Acervo MASP

Foto: Eduardo Ortega

Mostra reúne obras de Claudia Alarcón & Silät, grupo composto por mais de cem mulheres que entrelaçam arte, memória e território a partir de técnicas ancestrais.

De 6 de março a 2 de agosto de 2026, o MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo.

A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro. 

As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai.

A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí.

Cecilia Brunson Projects, Sept 25

Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga.

Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional.

A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico. 

Cecilia Brunson Projects, Sept 25

Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo.

Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira. 

A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät.

Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas.

A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido.

Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra.

Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados. 

“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido.

Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala.

Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón. 

Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica.

Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano.

A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät.

O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte. 

Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo.

“Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey. 

Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo.

As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras. 

Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras.

O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP.

A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina.

A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas. 

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas.

A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional. 

SOBRE AS ARTISTAS.

A partir de oficinas voltadas para repensar as bolsas yicas, em 2023, as mulheres wichís se articularam formando o coletivo Silät, nome que significa “mensagem” em wichí lhämtes.

Composto por mais de cem mulheres das comunidades de La Puntana e Alto de la Sierra, o grupo faz dos têxteis uma ferramenta artística de afirmação política e de protagonismo feminino, articulando saberes ancestrais e debates atuais sobre território, identidade e autonomia.

Nascida em 1989 em La Puntana, na província de Salta, no norte da Argentina, Claudia Alarcón se destaca ao liderar as tecedeiras e recuperar o “ponto antigo”, uma trama complexa de fios de chaguar que estava em desuso.

As obras de Claudia Alarcón & Silät participaram da Bienal de Veneza de 2024. 

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante.

São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras.

Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP. 

CATÁLOGO

Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição.

O livro tem organização editorial e curadoria de Adriano Pedrosa e Laura Cosendey e conta com ensaios de Cosendey, além das autoras convidadas Andrei Fernández, Lynne Cooke, Natalia Brizuela e Sofia Gotti, e uma entrevista inédita com Alarcón. 

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo, que incluem postais, ímãs e marca-páginas. 

REALIZAÇÃO

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e tem apoio da Renner. 

SERVIÇO

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente,MASP 6.3 — 2.8.2026

Edifício Pietro Maria Bardi, 3º andar 

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado edomingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos 

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Site oficial

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ASSESSORIA DE IMPRENSA

imprensa@masp.org.br

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Feiras

Quinta também é dia de feira, em Goiânia

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Shopping Estação Goiânia, no Setor Central, sedia o Projeto Feira, que reúne gastronomia e artesanato. Gratuito, o evento acontece das 14h às 20h e conta com 12 expositores

Quem disse que o encanto das feiras pertence apenas aos fins de semana? Nesta quinta-feira, 5 de março, o Shopping Estação Goiânia, no Setor Central, recebe o Projeto Feira, provando que o meio da semana é o cenário ideal para mergulhar em experiências que só o ambiente de feira é capaz de proporcionar. Das 14h às 20h, 12 expositores apresentam cerca de 50 itens gastronômicos e artesanais, com entrada gratuita.

Na ala gastronômica, os visitantes podem saborear desde o autêntico crepe francês e tortas artesanais em fatias até pudins especiais, pães, antepastos e vitaminas e sucos naturais. Para quem busca presentes ou decoração, o evento reúne itens artesanais religiosos, peças tecnológicas em 3D, meias divertidas, além de velas e essências aromáticas. 

Segundo Alan Martins, organizador do projeto, a iniciativa visa conectar os feirantes a um novo perfil de consumo que preza pela conveniência sem abrir mão da qualidade. “A proposta é oferecer produtos alimentícios de alta qualidade e uma variedade de serviços em um só lugar, proporcionando comodidade aos visitantes e um modo diferente de confraternização no meio da semana”, destaca.

Legado e propósito

Criado em 2014 por Shirlei Cordeiro, o Projeto Feira nasceu de uma visão de transformação social através do trabalho e do amor. Como idealizadora e organizadora, Shirlei impactou inúmeras vidas ao longo da última década, consolidando um espaço onde a dedicação e o talento local ganham protagonismo.

“A essência da marca reflete a própria Shirlei: enérgica, cativante, inclusiva e memorável para todos que a cercavam e colaboravam com ela”, aponta Alan Martins, atual organizador da feira. 

Segundo ele, o projeto tem o propósito de expandir esse legado, criando espaços de conexão humana onde o respeito mútuo floresce, fortalecendo a relação entre produtores e consumidores e gerando visibilidade estratégica para pequenos negócios.

Nova ambientação

Em um processo de reformulação e reposicionamento, o Shopping Estação Goiânia tem investido em se tornar um polo gastronômico na região central de Goiânia, priorizando conforto e experiência do cliente. A praça de alimentação já foi reformada, agora com climatização e nova ambientação, preparando-se para receber novos estabelecimentos.

Serviço: Projeto Feira

Data: quinta-feira, 05 de março

Horário: das 14h às 20h

Local: praça de eventos do Shopping Estação Goiânia, Av. Goiás, 2151 – Centro

Entrada gratuita.

COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS

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Eventos

Feirinha do Aparecida Shopping

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O Aparecida Shopping promove todas as terças-feiras, das 18h às 22h, a Feirinha Aparecida no Espaço Boulevard, reunindo barraquinhas de comidas variadas, artesanato, frutas, verduras e legumes frescos, além de itens de decoração, música ao vivo e chopp gelado. Inaugurado em 2017, o primeiro shopping do centro da cidade conta com 22,7 mil m² de ABL e projeto de expansão. Voltado para a comunidade, o empreendimento fortalece o comércio local e se consolida como importante polo de compras, serviços e convivência em Aparecida de Goiânia.

Johny Cândido

Jornalista 

Registro Profissional nº GO 02807

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Beleza

Apicultor dá cinco dicas infalíveis de como identificar o mel legítimo

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Exposição Estação Mundo do Mel acontece no Shopping Estação Goiânia nos dias 6 e 7 de março, das 09h às 18h, e leva ao público o universo da apicultura com estandes educativos, degustações e produtos derivados das abelhas. Entrada é gratuita

A adulteração do mel é um problema global. Uma investigação da União Europeia com 320 amostras revelou que 46% dos produtos analisados continham adição de açúcares não naturais. No Brasil, fiscalizações recentes do Ministério da Agricultura e Pecuária reforçam a necessidade de atenção do consumidor. Para aproximar o público dos produtores e valorizar o mel legítimo, o Shopping Estação Goiânia, no Setor Central, promove mais uma edição da Estação Mundo do Mel nos dias 6 e 7 de março, das 9h às 18h.

Com 10 expositores, todos apicultores, o evento reúne uma variedade de produtos derivados do mel, como hidromel, cachaça de mel, favos in natura, bolos e bolachas, mel de abelhas sem ferrão, cosméticos à base de produtos apícolas e chips de coco com mel. A feira também contará com própolis, pólen, geléia real, cera, velas artesanais e quitandas produzidas com mel.

Lá também será um lugar para encontrar o legítimo mel. O especialista em apicultura e organizador do evento, Alexandre Januário, diz que infelizmente é comum encontrar produtos falsos ou adulterados. Para ajudar na identificação, ele compartilha cinco dicas práticas para ajudar o consumidor a identificar o mel verdadeiro. 

Segundo ele, no teste da água, ao colocar uma colher de mel em um copo, o produto puro tende a afundar e manter sua consistência, enquanto o adulterado se dissolve rapidamente. Já no teste do papel, ao pingar uma pequena quantidade sobre um papel-toalha, o mel legítimo não é absorvido com facilidade nem se espalha excessivamente, diferentemente das versões diluídas.

Alexandre também destaca o chamado teste da chama. De acordo com o especialista, o mel puro queima com mais facilidade por apresentar baixa umidade, ao passo que o produto com excesso de água pode ter dificuldade para manter a combustão. Ele reforça ainda que observar textura, aroma e sabor é essencial: conforme explica, “o mel autêntico possui perfume floral natural, sabor rico e complexo e textura uniforme, refletindo as flores e a região onde foi produzido”.

Por fim, o apicultor ressalta que a cristalização é um processo natural provocado pela presença de glicose e pode, inclusive, indicar pureza. “Produtos legítimos tendem a cristalizar com o tempo, enquanto os diluídos permanecem líquidos por períodos mais longos”, destaca.

Saúde e natureza

Rico em antioxidantes, o mel pode contribuir para a imunidade e auxiliar no alívio de inflamações. Já as abelhas exercem papel essencial na polinização e na manutenção da biodiversidade, impactando diretamente a produção de alimentos.

Além de ser um espaço de comercialização de produtos derivados do mel, o Estação Mundo do Mel também tem caráter educativo.  O evento, que é o primeiro sobre apicultura dentro de shopping no Centro-Oeste, traz estandes educativos, que reforça a importância ambiental das abelhas. “Nossa intenção é ir além da venda e mostrar como as abelhas são fundamentais para o equilíbrio da natureza e para a nossa própria sobrevivência”, afirma Alexandre.

Serviço: Estação Mundo do Mel

Data: sexta-feira e sábado, 6 e 7 de março

Horário: das 09h às 18h

Local: praça de eventos do Shopping Estação Goiânia, Av. Goiás, 2151 – Centro

Entrada gratuita

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