Ruy Castro, Jessé de Souza, Luiz Felipe Pondé e MPB4 são alguns destaques de programação da 17ª Mostra O Amor, a Morte e as Paixões
Evento será realizado de 8 a 22 de abril, no Cinex do Centro Cultural Oscar Niemeyer, e reúne cineastas escritores, filósofos, psicanalistas e músicos em uma programação de palestras, debates e encontros culturais
A 17ª edição da Mostra O Amor, a Morte e as Paixões, um dos mais tradicionais eventos culturais de Goiás, será realizada de 8 e 22 de abril, o Cinex, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Além da programação de cinema, que será divulgada na segunda (6/4), o público poderá acompanhar uma série de palestras, encontros e debates com escritores, filósofos, psicanalistas e pensadores brasileiros, ampliando o diálogo entre cinema, literatura e temas contemporâneos, além de shows musicais.
A 17ª edição da Mostra O Amor, a Morte e as Paixões anuncia uma mudança que redefine o alcance do evento: pela primeira vez, toda a programação será integralmente gratuita, incluindo as sessões de filmes. A gratuidade foi possível por conta da emenda parlamentar destinada pelo deputado estadual Virmondes Cruvinel ao Instituto Jardim Cultural, realizador do evento.
Com curadoria do professor e crítico de cinema Lisandro Nogueira, a Mostra mantém sua proposta de promover reflexão cultural e intelectual, trazendo a Goiânia nomes relevantes do cenário nacional e internacional. A produção do evento é de Gerson Santos.
A abertura da programação está marcada para 8 de abril, às 19h30, com coquetel de lançamento e convidados especiais.
Entre os primeiros convidados confirmados está o escritor e jornalista Ruy Castro, que participa de um encontro ao lado da escritora Heloisa Seixas, autora do premiado livro “O Oitavo Selo” (2014). A conversa será no dia 10 de abril, às 19h, no Palco Central, com o tema “Ficção e não-ficção e vice-versa”, refletindo sobre os limites e as aproximações entre narrativa literária e realidade.
Na mesma noite, a Mostra recebe uma atração musical especial: o show da lendária banda MPB4, que se apresenta no dia 10 de abril, às 20h30, interpretando clássicos de sua trajetória, como Roda Viva, além de outras parcerias históricas com Chico Buarque.
O debate sobre política e sociedade contemporânea também está presente na programação com a participação do sociólogo Jessé Souza, que discute seu livro “Por que a esquerda morreu?” em uma palestra marcada para 13 de abril, às 19h30.
Entre os convidados que refletem sobre cinema e filosofia está o filósofo Luiz Felipe Pondé, que participa de uma conversa inspirada no filme “Valor Sentimental”, no dia 11 de abril, às 19h30, no Palco Central. A programação também abre espaço para discussões sobre tecnologia e sociedade.
Um dos momentos mais aguardados da programação reúne, pela primeira vez em Goiânia, o psicanalista Christian Dunker e o filósofo Vladimir Safatle.
O encontro será no dia 18 de abril, às 16h, e discutirá o tema “Transformar mundos e pessoas”, quando será tratado assuntos como subjetividade, política e os desafios de transformação social no mundo atual.
A literatura contemporânea também ganha destaque com a presença de Pedro Pacífico, conhecido como Bookster, considerado hoje um dos principais influenciadores de livros do Brasil. Ele participa de um encontro com o público no dia 22 de abril, às 19h, no Palco Central, abordando o papel das redes sociais na formação de leitores.
O professor Celso Camilo conduz a palestra “Tudo o que você precisa saber sobre inteligência artificial”, marcada para 9 de abril, às 18h30, na Livraria da Mostra, abordando impactos e desafios da Artificial Intelligence na vida contemporânea.
Outro momento relevante da Mostra reúne especialistas em cinema para discutir obras exibidas no festival. Entre eles está o professor da Sorbonne Nouvelle University Alberto Silva, que participa de um debate sobre o filme “O Agente Secreto” ao lado do professor Rubens Machado Jr., da Universidade de São Paulo (USP). O encontro será no dia 15 de abril, às 19h30.
Já o escritor Jeferson Tenório participa da Mostra no dia 19 de abril, às 18h, em uma conversa que aborda temas como racismo, identidade e memória, presentes em sua obra literária marcada pelo lirismo e por uma crítica contundente às desigualdades sociais.
Literatura
A Mostra também valoriza a produção literária local. Em parceria com a União Brasileira de Escritores, serão lançados livros de autores goianos como Rafael Fleury, Solemar Oliveira, Rodriana Costa, Chris Resplande e Hélverton Baiano, reforçando o compromisso do evento com o estímulo à literatura produzida em Goiás.
Durante esta 17º edição da mostra, também será realizado o lançamento do livro “O bem-dito sertão: as veredas de lalíngua em João Guimarães Rosa”, de Marina Junqueira Cançado, que trata da obra do escritor brasileiro à luz da psicanálise de Jacques Lacan.
Outra presença confirmada é da escritora e roteirista Paula Febbe, que conta com três dos seus livros entre os mais vendidos da Amazon. Ela também ganhou diversos prêmios no cinema com o filme “5 Estrelas”, incluindo o Prêmio Aquisição Canal Brasil no Festival Ibero-Americano de Cinema, que co-escreveu com o diretor Fernando Sanches.
Durante duas semanas, a Mostra O Amor, a Morte e as Paixões reafirma seu papel como um dos principais espaços de encontro entre cinema, literatura e pensamento, reunindo público, artistas e intelectuais em uma programação que convida à reflexão e ao debate cultural.
O Sesc apresenta a 17ª Mostra O Amor, a Morte e as Paixões, que conta com a parceria da Saneago, além de apoio cultural do Grupo Jaime Câmara, do Sindicato dos Docentes da Universidade Federal de Goiás (Adufg) e da Livraria da Vila. Esta será a primeira edição com programação 100% gratuita, incluindo as sessões de filmes.
Serviço 17ª Mostra O Amor, a Morte e as Paixões Quando: 8 a 22 de abril Onde: Cinex, no Centro Cultural Oscar Niemeyer Entrada gratuita
Programação
8 de abril – 19h30, coquetel de abertura
9 de abril – 18h30, palestra “Tudo o que você precisa saber sobre inteligência artificial” Convidado: Celso Camilo
10 de abril – 19h, palestra “Ficção e não-ficção e vice-versa” Convidados: Ruy Castro e Heloísa Seixas 20h30 – Show do grupo MPB4
11 de abril – 19h30, bate-papo sobre o filme “Valor sentimental: angústia e reparação” Convidado: Luiz Pondé – filósofo, escritor e professor universitário
12 de abril – 16h30, palestra “Autismo e altas habilidades sob a lente do diagnóstico tardio” Convidada: Jossane Gonzaga – psicanalista
13 de abril – 19h30, palestra “Por que a esquerda morreu” Convidado: Jesse de Souza
14 de abril – 19h30, palestra “Guimarães Rosa e Jacques Lacan” Convidados: psicanalistas Marina Cançado e Beto Amaral
15 de abril – 19h30, após filme das 18h, debate sobre o filme “O Agente Secreto” Convidados: professor da USP Rubens Machado Jr. e professor de cinema da Universidade Sorbonne 3
16 de abril – 19h30, palestra “Paula Febbe é uma escritora brasileira de horror e fantasia” Convidada: Paula Febee, escritora, psicanalista e roteirista 21h30, debate pós filme das 19h, “Valor Sentimental”. Convidada: psicanalista Maysa Balduino e professor de Cinema da UFG Wolney Fernandes
17 de abril 20h30, debate pós filme das 18h, “A Vida de Chuck” Convidados: críticos João Pedro e Pedro Andrade
18 de abril – 16h, debate “Transformar Mundos e Pessoas” Convidados: Christian Dunker e Vladimir Safatle
19 de abril – 18h, palestra com Jeferson Tenório 19h30, palestra com a jornalista e pesquisadora Paula Jacob
20 de abril – 21h30, debate pós filme das 19h, “O peso do silêncio: Tarzan e a ditadura” Convidados: cineasta Raimundo Alves e jornalistas Karla Rady e Fabiana Pulcineli
21 de abril – 18h30, palestra “Democratização do colo”. Convidada: Jussara Santos
22 de abril – 19h, palestra com Pedro Pacífico
FOTOS Foto 1 – Grupo musical MPB4 – crédito divulgação Foto 2 – Grupo musical MPB4 – crédito divulgação Foto 3 – Jessé de Souza – crédito Carta Capital Foto 4 – Ruy Castro – crédito Álbum de Memória Foto 5 – Luiz Felipe Pondé – crédito Wikipédia
Há histórias que continuam ecoando muito além do tempo. Histórias que, mesmo marcadas pela dor, encontram um caminho para gerar esperança, acolhimento e amor ao próximo.
A vida de Vilmar Cardoso Prestes Filho, carinhosamente conhecido como Vilmar Filho, é uma dessas histórias.
Filho único de Claudia e Vilmar, Vilmar Filho cresceu cercado de amor e de valores que carregou por toda a vida. Inteligente, educado, generoso e profundamente sensível, conquistava as pessoas pela simplicidade com que tratava todos ao seu redor.
Tinha um sorriso acolhedor, uma fé inabalável e uma capacidade rara de enxergar o lado bom das pessoas, mesmo diante das maiores dificuldades.
Desde cedo demonstrou dedicação aos estudos e determinação para construir seu futuro. Esse esforço o levou à graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Goiás (UFG), uma conquista celebrada por toda a família. Pouco tempo depois, iniciou sua trajetória profissional na Siemens, onde começava uma carreira promissora. Aos 24 anos, sonhava em crescer profissionalmente, constituir sua própria família e retribuir aos pais todo o apoio que sempre recebeu.
Em setembro de 2024, porém, esses planos foram interrompidos por um diagnóstico inesperado. Vilmar Filho descobriu que tinha Sarcoma de Ewing, um câncer raro e altamente agressivo. A partir daquele momento, a rotina da família passou a ser marcada por hospitais, exames, tratamentos e pela esperança de vencer a doença.
Foram meses de consultas, internações, procedimentos e quimioterapia. Cada etapa trouxe novos desafios, mas Vilmar Filho jamais permitiu que a enfermidade apagasse sua essência. Mesmo enfrentando dores intensas e os efeitos do tratamento, seguia demonstrando serenidade, gratidão e confiança em Deus.
Em muitos momentos, era ele quem fortalecia aqueles que estavam ao seu lado. Nunca se revoltou com a doença. Preferia agradecer por cada pequena vitória e acreditar que havia um propósito maior para tudo o que estava vivendo.
Depois dos primeiros ciclos de quimioterapia, Vilmar Filho foi submetido, em São Paulo, a uma cirurgia de grande complexidade para retirada do tumor localizado na pelve. O procedimento foi bem-sucedido e reacendeu a esperança de toda a família. O tratamento prosseguiu e ele enfrentou, com admirável coragem, 14 ciclos de quimioterapia.
Quando parecia que a batalha caminhava para o fim, veio uma notícia devastadora. O câncer havia retornado, atingindo o sacro e os pulmões.
Mais uma vez, Vilmar Filho decidiu lutar.
Vieram novos tratamentos, sessões de radioterapia, longas internações, infecções graves, transfusões e inúmeras complicações. Em nenhum desses momentos perdeu a delicadeza com que tratava as pessoas. Fazia questão de agradecer médicos, enfermeiros e todos os profissionais que participaram de sua jornada. Sua fé permaneceu firme até o último instante.
Após dezoito meses de uma batalha intensa, Vilmar Filho faleceu em 15 de março de 2026, aos 24 anos.
A morte de um filho é uma dor impossível de medir. Para seus pais, a ausência de Vilmar Filho transformou completamente o significado da vida. A saudade permanece todos os dias. Há um vazio que jamais será preenchido.
Mas essa história não terminou ali.
Pouco antes de partir, Vilmar Filho escreveu que desejava ajudar pessoas em tratamento contra o câncer. Mesmo vivendo sua própria luta, continuava pensando em quem também enfrentava a doença.
Esse desejo tornou-se um compromisso para sua família.
Assim nasceu o Projeto Legado Vilmar Filho – Transformando Saudade em Solidariedade, uma iniciativa que leva acolhimento, apoio e esperança a pacientes oncológicos e seus familiares. Cada campanha realizada, cada doação recebida e cada gesto de solidariedade representam a continuidade dos valores que Vilmar Filho cultivou durante toda a sua vida.
Mais do que preservar uma memória, o projeto mantém vivo um propósito. Ele transforma o luto em serviço, a saudade em cuidado e a dor em esperança para outras famílias.
Vivemos tempos em que a solidariedade muitas vezes parece escassa. Histórias como a de Vilmar Filho lembram que sempre existe espaço para a compaixão e para o amor ao próximo. Elas mostram que uma vida não é medida apenas pelos anos vividos, mas pela marca que deixa nas pessoas.
O legado de Vilmar Filho continua presente em cada ação do projeto que leva seu nome, em cada paciente acolhido, em cada família confortada e em cada pessoa que decide estender a mão a quem enfrenta o câncer.
O amor que Vilmar Filho espalhou durante seus 24 anos continua produzindo frutos.
Enquanto houver alguém sendo acolhido por esse legado, Vilmar Filho continuará presente.
Porque o amor verdadeiro não termina com a despedida. Ele permanece vivo nas vidas que continua transformando.
Vovô não pode acompanhar, estava longe. Internado.
Passou um mês e meio na UTI. Mas saiu. Foi para o quarto. Não podia receber visitas. Quanto mais de um recém-nascido. Mas chegando em casa, cansado, estropiado, só um desejo.
Ver a neta. E eis que ela estava lá esperando. E o primeiro sorriso de sua vida foi dado para o avô. Uma luz, uma paz e uma cura.
Nova razão de viver. “Smile, though your heart is aching.”Hoje aos sessenta anos, lembrou de que seu pai nascera quando Chaplin estreou o filme Tempos Modernos, 1936.
Vivia assoviando a música “Smile”. Que somente tempos depois descobriu que fazia parte da trilha sonora e que tinha sido composta pelo próprio ator! A letra só foi incluída 18 anos depois, e é sublime. Adorava.
A família inteira sabe assoviá-la. Música boa deve ser fácil de assoviar. “Smile, even though it’s breaking.”Por essas coincidências da vida, nunca mais o vi, até ontem.
Quando saía de uma rua estreita, perto do templo Dalem, tentando me abrigar da chuva, ouvi alguém falando português. Além da língua tão familiar e querida, a voz. Eu o reconheci.
Ali, em Ubud, na ilha de Bali, o Sorriso. Homem simpático, amigo de todo o sempre. “When there are clouds in the sky. You get by.” Fiquei calado e tentei achá-lo naquela pequena multidão comprimida pela tempestade tropical. Nada. Mas ainda ouvindo sua inconfundível música predileta eu imediatamente sorri e iniciei a procura. Meu sorriso contaminou o pessoal ao redor. Muitos balineses.
Eles sorriem o tempo todo. “If you smile through your fear and sorrow.” Esse efeito é reverso. Um sorriso dado é quase sempre um recebido. Fui enchendo-me de alegria.
Tat Twan Asi, algo como “Eu sou você e você é eu”. Aos poucos torna-se um efeito quase místico. Assovio a música. Os estrangeiros, seguem meu compasso. O tom de Sorriso aumenta. Sei que ele está vibrando com isso tudo. “Smile and maybe tomorrow. You’ll see the sun come shining through, for you.
”Entretanto eu não o vejo. Mas lembro-me quando ele foi na minha formatura e chorou com o meu discurso. Sorriso e lágrimas. Combinação não tão rara, e linda. Uma pontinha de ansiedade me tomou.
Onde estava? Mas tinha a certeza de que era ele. Veio-me a mente que um grande amigo cego me disse que o sorriso é inato. Não precisa ver alguém sorrindo para manifestar esse sentimento tão humano. “Light up your face with gladness. Hide every trace of sadness.
”Fechei meus olhos, para facilitar meu radar. Eliminando um sentido, os outros ficam mais aguçados. E aí ouvi: “- Batistão! Seu cabelo tá brancão!” A sinceridade habitual, o uso de aumentativos, tudo no Sorriso é superlativo. Abri meus olhos e meus braços.
Que alegria. Menyama braya. Somos todos irmãos. Veio na memória minha aula na sala de Anatomia falando sobre a quantidade de músculos que utilizamos para sorrir, no mínimo uns vinte e dois. “Although a tear may be ever so near. That’s the time you must keep on trying.”Tempos depois, a última vez que o vi ele disse que na verdade tínhamos o sorriso de Duchenne, aquele que inclui até os olhos e acentua suas pregas, os famosos “pés-de-galinha”.
O mais sincero e puro que existe. “Smile, what’s the use of crying? You’ll find that life is still worthwhile.”A noite foi longa, rimos muito. Talvez eu nunca mais o encontre novamente. Ele viaja hoje. Mas quando a amizade, o contato pessoal é genuíno, só um sorriso, basta. Anima, alivia, imuniza e contagia. “If you’ll just smile.”
A última semana teve um grande destaque no quesito aniversário. Lia Maluf ao lado do seu esposo, o renomado médico Dr. Domingos Sávio Coelho, comemorou um novo ciclo, ao lado de familiares e amigos. Uma comemoração intimista mais carregada no glamour e na sofisticação