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Medicina

Endocrinologista pediátrica explica como a rotina de volta às aulas impacta os hormônios e o crescimento infantil

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Mais que apenas disciplina, especialista alerta sobre a importância de reorganizar o relógio biológico

O fim das férias escolares costuma ser marcado pela correria com materiais e uniformes, mas um ajuste fundamental acontece dentro do organismo das crianças: a recalibração do relógio biológico. A endocrinologista pediátrica Marília Barbosa alerta que a transição negligenciada da rotina de lazer para a escolar pode causar o chamado “jet lag social”, um descompasso hormonal que afeta o metabolismo, o crescimento e o humor.

Segundo a especialista, a mudança brusca no horário de dormir e acordar desregula o ciclo circadiano, que é o mecanismo interno que indica ao corpo quando é hora de estar alerta ou descansar. Um dos pontos de maior preocupação é a qualidade do sono profundo. É na fase mais relaxada do descanso (estágio NREM 3) que ocorre o pico de liberação do Hormônio do Crescimento (GH).

“Crianças que passam as férias dormindo muito tarde e precisam acordar cedo repentinamente perdem horas preciosas de secreção hormonal. Se essa privação se torna crônica no período letivo, pode haver prejuízo no potencial de crescimento estatural da criança”, explica Marília.

A desordem nos horários também interfere em outros dois hormônios vitais: a leptina (que promove saciedade) e a grelina (que estimula a fome). “Quando a criança dorme mal ou pouco, os níveis de grelina sobem e os de leptina caem. Isso gera uma busca instintiva por alimentos mais calóricos e carboidratos simples, aumentando o risco de ganho de peso e resistência à insulina logo no início do ano”, alerta a médica.

A transição é necessária para que a criança não passe pelo chamado estresse biológico. Uma mudança abrupta da rotina pode elevar os níveis de cortisol (hormônio do estresse) pela manhã, o que pode causar irritabilidade, ansiedade escolar e queda na imunidade.

Marília reforça que o uso excessivo de telas, como tablets e smartphones, até tarde nas férias é um vilão silencioso. A luz azul emitida por esses aparelhos inibe a produção de melatonina, o hormônio que sinaliza ao cérebro que é hora de dormir. A recomendação é que, na reta final das férias, a “higiene do sono” seja rigorosa, com o desligamento de eletrônicos pelo menos 60 a 90 minutos antes do repouso.

A endocrinologista pediátrica traz algumas dicas para que essa transição ocorra de maneira controlada e que não cause sofrimento para as crianças. Confira abaixo:

Antecipação gradual: não espere o último domingo. Adiante o horário de dormir em 20 minutos a cada noite até atingir o horário ideal.

Exposição solar matinal: levar a criança para tomar sol pela manhã ajuda a regular o ciclo circadiano, facilitando a produção de melatonina à noite.

Café da manhã completo: Retomar o hábito de uma refeição matinal proteica ajuda a estabilizar a glicemia e dá energia para o cérebro retomar as atividades cognitivas.

Atenção aos sinais: cansaço excessivo, olheiras persistentes ou falta de apetite no café da manhã podem indicar que a adaptação hormonal não está ocorrendo como deveria.

O início do ano letivo também é o momento ideal para a avaliação da curva de crescimento e desenvolvimento puberal. “Muitas vezes, é no retorno às aulas que os pais notam que o filho não cresceu o esperado em relação aos colegas ou que apresenta sinais de puberdade precoce. O olhar do endocrinologista pediátrico neste momento é preventivo e essencial”, finaliza Marília Barbosa.

Carolina Pessoni

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Médico dermatologista, Dr. Rogério Ranulfo, comenta em suas redes sociais, conteúdos educativos, incluindo prevenção e diagnóstico precoce, tratamentos estéticos e rejuvenescimento e rotina de cuidados, buscando trazer uma abordagem moderna e dinâmica para educar os pacientes sobre a saúde integral da pele

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Medicina

Cirurgia a laser na coluna conta com alta taxa de sucesso

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Problemas na coluna – créditos – istock

O procedimento minimamente invasivo oferece recuperação rápida, internação curta, menos dor pós-operatória, menor risco de infecção em comparação à cirurgia aberta, além da alta eficácia no tratamento de hérnias e estenose, com taxas de sucesso de alívio da dor entre 80% a 95%

Uma excelente opção para pacientes que sofrem com hérnia de disco e outros problemas na coluna é a cirurgia a laser, que apresenta alta taxa de sucesso, cerca de 84%. Entre as vantagens, por ser minimamente invasiva, não há cortes; oferece recuperação rápida e baixo risco de infecção e sangramento; internação curta; menos dor pós-operatória e recuperação rápida, proporcionando o retorno às atividades em poucos dias ou semanas.

O neurocirurgião especialista em coluna Túlio Rocha destaca que a recuperação é rápida, que o paciente poderá ter alta médica no mesmo dia ou no dia seguinte e pode andar poucas horas após o procedimento. Em muitos casos alta médica pode ocorrer no mesmo dia ou em 24 horas. As atividades físicas leves são permitidas após uma ou duas semanas. Mesmo assim, deve-se evitar esforços pesados por cerca de 30 dias.

“Destaco como principais vantagens a recuperação rápida, proporcionando ao paciente o retorno às atividades diárias em menos tempo; menos trauma por preservar a musculatura e estruturas ósseas; a estética é melhor, pois as cicatrizes são muito pequenas; menos uso de analgésicos porque oferece menos dor no pós-operatório; menor risco de infecção em comparação à cirurgia aberta e a eficácia é alta no tratamento de hérnias e estenose, com taxas de sucesso de alívio da dor entre 80% a 95%”, afirma Túlio Rocha.

O neurocirurgião orienta que a cirurgia a laser na coluna é recomendada para hérnias de disco contidas, quando o núcleo do disco não extravasou o ânulo fibroso; dor radicular, chamada de dor ciática persistente, que é uma dor intensa que irradia para pernas ou braços, que não apresenta melhora com fisioterapia ou remédios após seis a 12 semanas; e também para doenças facetárias, que são dores causadas por inflamação nas articulações da coluna.

O procedimento utiliza uma fibra óptica com laser. O laser é inserido através de uma agulha fina diretamente no disco intervertebral, onde vaporiza parte do material herniado, reduzindo a compressão sobre os nervos e aliviando a dor. No Brasil, frequentemente é realizada via endoscopia.

Desde 2021, a cobertura de cirurgias na coluna por planos de saúde no Brasil é regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que obriga as operadoras a cobrirem diversos procedimentos minimamente invasivos, incluindo cirurgias endoscópicas.

Números e cenário

Não existe um dado consolidado único que especifique o número exato de cirurgias a laser para coluna realizadas anualmente no Brasil, pois o laser é uma tecnologia inserida no contexto mais amplo das cirurgias minimamente invasivas e endoscópicas. No entanto, as técnicas minimamente invasivas – que incluem o laser, endoscopia e procedimentos percutâneos – têm crescido e, historicamente, representavam uma parcela crescente dos procedimentos.

Outro dado relevante é que houve uma alta no volume de tratamentos, sendo que cerca de 300 mil pessoas são operadas de hérnia de disco todos os anos no Brasil. Vale lembrar que a hérnia de disco é uma das principais indicações para a cirurgia a laser na coluna.

O cenário também aponta que o mercado brasileiro de dispositivos para cirurgia da coluna – incluindo tecnologia para procedimentos minimamente invasivos – é o maior da América Latina, com forte crescimento projetado para a próxima década. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), registrou-se um aumento de 42% no total de cirurgias eletivas entre 2022 e 2024, financiando procedimentos que incluem os de coluna.

“Eu vejo esse mercado com bastante interesse e também com responsabilidade. Existe uma demanda real por procedimentos menos invasivos na coluna, principalmente diante do alto volume de cirurgias de hérnia de disco no Brasil. O paciente busca menos dor e recuperação mais rápida, e a evolução tecnológica vem ao encontro dessa expectativa”, afirma Túlio Rocha.

Aumento da procura no consultório

O neurocirurgião adverte que, ao mesmo tempo, é fundamental manter critério e embasamento científico. “Nem todo caso é indicação para técnicas minimamente invasivas, e o mais importante não é a tecnologia em si, mas o benefício real para o paciente. Vejo o crescimento desse mercado como natural e positivo, desde que seja sustentado por boa indicação, capacitação e evidência clínica sólida”, defende.

A procura no consultório por procedimentos menos invasivos têm aumentado nos últimos anos, de acordo com Túlio Rocha, principalmente porque o paciente já chega mais informado e interessado em opções que ofereçam recuperação mais rápida e menor agressão cirúrgica. “Existe, sim, uma curiosidade grande em relação à chamada cirurgia a laser, muitas vezes associada à ideia de algo mais moderno e menos invasivo”, afirma.

“Mais do que a quantidade de cirurgias a laser em si, o foco está em indicar a técnica correta para cada situação. Quando a abordagem minimamente invasiva é a melhor opção, ela faz parte da minha prática. Quando não é, opto pelo método que ofereça mais segurança e eficácia. O principal critério nunca é a tecnologia isoladamente, mas o benefício real para o paciente”, destaca o neurocirurgião.

Assessoria de Imprensa
Palavra Comunicação

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Medicina

Doença silenciosa, o glaucoma é considerado a principal causa de cegueira irreversível

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Os pacientes contam com colírios hipotensores de última geração para tratar o glaucoma – crédito: Freepik

A doença acomete mais de 250 milhões de pessoas no mundo. Para alertar sobre os riscos desse mal, foi criada a Semana Mundial do Glaucoma

O glaucoma é frequentemente chamado pelos oftalmologistas de ladrão silencioso da visão e, segundo informações divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença acomete mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo e é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Para alertar e conscientizar sobre os riscos dessa doença silenciosa, foi criada a Semana Mundial do Glaucoma, que neste ano é celebrada entre 8 e 14 de março.

Um dos maiores riscos oferecidos pelo glaucoma é que quando ele dá sinais, o paciente pode estar com a visão comprometida. Por isso, o oftalmologista Gustavo Caiado, da Clínica Vittá, reforça um alerta crucial para a população: esperar a visão embaçar para procurar um médico pode ser um caminho sem volta. A grande armadilha do glaucoma está na ausência de sinais de alerta no dia a dia do paciente.

“O glaucoma é considerado uma doença silenciosa porque, na maioria dos casos, o dano ao nervo óptico ocorre de forma lenta e progressiva, sem provocar sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Esse dano está geralmente relacionado a uma vulnerabilidade do nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular, que leva à perda gradual das fibras nervosas responsáveis pela transmissão das informações visuais ao cérebro”, explica o oftalmologista Gustavo Caiado.

O especialista detalha que a perda de campo visual começa pelas bordas, o que retarda a percepção do problema. “Inicialmente, a perda visual costuma afetar a visão periférica, o que muitas vezes passa despercebido pelo paciente, já que a visão central permanece preservada por bastante tempo”, relata.

O oftalmologista explica que quando a visão começa a ficar embaçada ou quando o paciente percebe dificuldade para enxergar, em muitos casos, a doença já está em estágio avançado e parte da perda visual é irreversível e é por esta razão que esperar o surgimento de sintomas para procurar avaliação oftalmológica é perigoso. “O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença e preservar a visão”, reforça.

A Semana Mundial do Glaucoma é uma iniciativa conjunta da World Glaucoma Association (WGA) e da World Glaucoma Patient Association (WGPA), que evoluiu a partir do Dia Mundial do Glaucoma, celebrado pela primeira vez em 6 de março de 2008. O sucesso dessa mobilização inicial foi tão significativo que, com o objetivo de ampliar as atividades de conscientização e alcançar um número maior de pessoas, as associações decidiram expandir o evento, lançando oficialmente a primeira Semana Mundial do Glaucoma no ano de 2010.

Grupos de risco e o mitos

Embora o acompanhamento oftalmológico seja indicado para toda a população, uma parcela da sociedade precisa redobrar os cuidados. Segundo o oftalmologista Gustavo Caiado, alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver glaucoma e devem ter atenção especial com exames oftalmológicos periódicos.

Entre os grupos com maior propensão ao glaucoma estão pessoas com histórico familiar da doença, especialmente parentes de primeiro grau; indivíduos acima de 40 anos; pessoas de ascendência africana; pacientes com miopia elevada; diabéticos e indivíduos que fazem uso prolongado de corticoides. O médico acrescenta que pessoas com pressão intraocular elevada ou alterações suspeitas no nervo óptico também exigem monitoramento rigoroso.

Um dos maiores mitos que cercam o glaucoma é a crença de que a doença afeta exclusivamente quem sofre com a pressão do olho alta. O especialista esclarece que a realidade nos consultórios é mais complexa. Ele salienta que, nesses casos, o diagnóstico adequado exige a avaliação do nervo óptico, do campo visual e de exames de imagem, e não apenas a aferição da pressão.

“Embora a pressão intraocular elevada seja o principal fator de risco para o desenvolvimento do glaucoma, ela não é o único. Existe uma forma relativamente comum chamada glaucoma de pressão normal, em que o dano ao nervo óptico ocorre mesmo com valores de pressão intraocular dentro da faixa considerada normal”.

Além disso, engana-se quem pensa que o glaucoma é uma preocupação exclusiva de idosos. O médico explica que o rastreamento deve começar nos primeiros dias de vida com o Teste do Olhinho e seguir anualmente. A doença conta com formas congênitas e juvenis, além de casos secundários causados por traumas, inflamações ou uso indiscriminado de medicamentos, como os corticoides.

Para fechar o diagnóstico com precisão, a tecnologia é uma grande aliada. “O diagnóstico do glaucoma é realizado por meio de uma avaliação oftalmológica completa. Essa avaliação inclui a medida da pressão intraocular, o exame detalhado do nervo óptico, a análise do campo visual e exames de imagem que avaliam a estrutura da retina e das fibras nervosas, como a tomografia de coerência óptica (OCT)”, afirma o oftalmologista da Clínica Vittá.

Avanços e qualidade de vida

Receber o diagnóstico de uma doença que ameaça a visão é impactante, mas a medicina oftalmológica moderna oferece excelentes prognósticos. O foco não é a cura, que ainda não existe, mas o controle rigoroso.

“Embora o glaucoma não tenha cura, atualmente dispomos de diversas opções terapêuticas capazes de controlar a doença e preservar a visão na maioria dos pacientes quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é seguido corretamente”, tranquiliza o oftalmologista.

Atualmente, os pacientes contam com colírios hipotensores de última geração, tratamentos a laser e os recentes avanços nas cirurgias minimamente invasivas (conhecidas pela sigla MIGS), que oferecem uma recuperação mais rápida e ampliam as opções para a manutenção da qualidade de vida.

Serviço
Semana Mundial do Glaucoma
Quando: 8 a 14 de março
Pauta: Semana Mundial do Glaucoma: Especialista alerta para os perigos da doença e esclarece desinformação
Fonte especialista: Gustavo Caiado, oftalmologista da Clínica Vittá

Médico Guologista de Clínica Vittá – crédito: divulgação

Assessoria de Imprensa
Palavra Comunicação

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