Nos últimos anos, Goiânia tem registrado um crescimento consistente no lançamento de apartamentos compactos. A discussão, no entanto, vai além do volume: trata-se de um movimento estrutural ou apenas de um ciclo momentâneo do mercado?
Parte dessa expansão está ligada à demanda por investimento. Em cenários econômicos mais cautelosos, o imóvel volta a ser visto como ativo seguro, e unidades de menor metragem tendem a apresentar maior liquidez e facilidade de locação. Dados do Airbnb mostram que o faturamento com locações por temporada em Goiás ultrapassou R$ 314 milhões em 2023, sendo R$ 56 milhões apenas em Goiânia, cenário que evidencia a relevância econômica da locação por curta temporada no estado e reforça fatores como turismo médico e corporativo, que ampliam o interesse por tipologias compactas em regiões consolidadas.
Mas o fenômeno não se resume ao investidor. Há uma transformação no perfil de moradia. Apartamentos menores atendem jovens em primeiro imóvel, profissionais que vivem sozinhos, pessoas em transição de vida e um público sênior que busca praticidade e proximidade de serviços. Ao mesmo tempo, observamos mudanças demográficas relevantes: famílias menores, postergação de filhos e novos arranjos domiciliares impactam diretamente o tipo de produto demandado.
Percebemos um movimento já consolidado em grandes centros urbanos que é a compactação. A pessoa se sujeita a morar em metragens que chegam a 10m², economizando tempo e dinheiro com deslocamento e ganhando em qualidade de vida. Contudo, mesmo em regiões que não tem essa realidade, como Goiânia, estamos percebendo este cenário. Agora sim se trata de uma questão estrutural. Reflexo do aumento dos custos de construção e das exigências regulatórias, que pressionam o preço por metro quadrado, além do comportamento da Geração Z, favorecem a compactação dos imóveis.
Nesse sentido, apartamentos que ainda prezam por conforto e espaço vão se tornar cada vez mais escasso em todas as metragens. E como estatístico e futurólogo Marcus Araujo diz, “enquanto o cliente espera para comprar um imóvel, o mercado não o espera. O mesmo valor ano após ano compra menos área, menos solução. ’’Lançamos um empreendimento em novembro 2025, com metragens reduzidas, sem ser ultracompacto, que consegue entregar 3 ambientes bem divididos, em 46m² que oferece conforto e bem-estar. Os últimos lançamentos posteriores a esse na capital de apartamentos compactos já passaram a oferecer supercompactos de 26 e 21m², ou seja, uma redução visível na metragem em menos de 3 meses.
Quanto ao risco de saturação, o próprio mercado atua como regulador. A oferta e a velocidade de vendas sinalizam quando há excesso ou equilíbrio. Nos próximos anos, o compacto deve continuar presente, mas não necessariamente como único protagonista. Para além de uma tendência passageira, os compactos revelam uma adaptação do mercado às novas dinâmicas urbanas. O desafio está em compreender que metragem reduzida não significa perda de qualidade: significa reinterpretar espaço, custo e estilo de vida dentro de uma cidade em transformação.
Camila Inácio é diretora de empreendimentos da Consciente Construtora e Incorporadora, arquiteta e urbanista, com mais de 20 anos de atuação no mercado imobiliário
Érica Caetano – Kasane
Assessora de Imprensa