JB Alencastro especial para o D9 Notícias.
João Fonseca é um tenista brasileiro. Jovem. Forte.
Em clara ascensão. Recentemente teve um desequilíbrio emocional em uma disputa ferrenha em quadra.
E foi derrotado pelo oponente que jogou melhor depois disso. Dentro de um grupo de discussão, de um grande comentarista desse esporte, mais de 80% eram críticas, algumas pessoais e até deselegantes contra o nosso atleta.
Ele é o 31 melhor tenista do mundo! E o mais interessante é que ao que parece os críticos nem eram tenistas e muito menos atletas.
Será que agora temos especialistas imediatos de tudo quanto é assunto?
Tadej Pogačar é um ciclista esloveno. Disparado o melhor do mundo na atualidade. Compete em corridas de um dia, as chamadas “clássicas” e também nas de 3 semanas, como o Tour de France.
E vence. Uma das estratégias mais comuns do ciclismo é “ficar na roda”, ou seja; no vácuo de alguém e ir revezando e decidir no final. Absolutamente ninguém permite que o Poggy faça isso. Preferem deixar o pelotão alcançá-los do que disputar a chegada com ele.
Será que agora é melhor não permitir alguém vencer do que proporcionar chances para sua própria vitória?
Nicholas Santos é um nadador brasileiro, especialista no nado borboleta, nas provas de 50m. Já foi campeão mundial tanto na piscina longa como na curta. Ele aposentou em 2022.
Retornou agora. Está com 46 anos, deseja disputar as Olimpíadas daqui a 2 anos. Sua forma física é impressionante, sua dedicação ainda mais. Geralmente ele tem o dobro da idade dos seus rivais. E suas chances de vitória são reais.
A todo momento perguntam-lhe: quando vai parar?
Será que ser capaz, não importa a idade – ainda mais quando a idade realmente importa – de tornar um sonho realidade incomoda ao ponto de quererem que abandone? Nem tente?
Aryna Siarhiejeŭna Sabalenka é uma tenista de origem bielorussa. Seu jogo é agressivo. Ela se impõe pela potência de seus movimentos e também por colocar pressão o tempo todo contra suas adversárias.
Fora das quadras é bem-humorada, sorri o tempo todo (e que sorrisão) e fala português! No ano de 2025 ficou várias vezes em segundo lugar. Quase a destruíram.
Disseram que ela não sabe vencer, que “amarela” e além disso fizeram comentários desagradáveis sobre suas roupas, cabelo e sua apresentação pessoal em geral.
Em nenhum momento perdeu sua alegria de viver e jogar.
Mas o que tem a ver seu aspecto físico e sua simpatia com seu desempenho esportivo? Não pode ela ser simplesmente espontânea?
Exemplos diários de pecados contra indivíduos que mal podem se defender, não faltam. Escolhi os desportivos, visto que ali a pessoa está totalmente exposta ao público e ao julgamento.
E todo atleta de alto nível treina. Se esforça. E você, nas suas atividades, sejam elas quais forem (laborativas, familiares, sociais) também coloca o seu melhor.
Então, cessemos dessas críticas ferinas, sem embasamento e usemos da empatia colocando-se exatamente no lugar desse alvo. Reciprocidade em tudo. Não é tão bom elogiar alguém e ver que essa pessoa nos ajudou com seu exemplo?
JB Alencastro é médio e escritor.