JB Alencastro especialmente para o D9 Notícias.
Um resultado de exame, positivo. Um número apenas. Muda tudo.
O sentido de viver torna-se entrega, objetivo e propósito. Um turbilhão de sonhos e apreensões toma conta daquela mulher. E ela cresce, fica mais forte, aguenta qualquer provação pois dentro de si carrega a síntese da existência humana, sua perpetuação.
E para isso ela deseja o melhor para a criança.O ato de engravidar já é sublime, o de gestar ainda mais. Por vezes as circunstâncias são adversas.
Seja na saúde da mãe e – o que é pior para ela – do bebê. Mas isso não retira aquela onda de carinho que não cabe dentro de si. Carinho esse tão protetivo que jamais alguém conseguirá tirar dos braços de uma mãe o seu filho, sem que haja uma luta ferrenha. Insana. Superlativa.
O filho é amado sem explicação. Apenas o é. Os cuidados com ele, as preocupações, as vezes são tantas que ela esquece de cuidar de si mesma. Mas isso não leva a vulnerabilidade. Somente aumenta a sua potência de amar.
É o exemplo do gesto. Da acolhida. Da superação. Nenhuma pessoa consegue descrever o olhar de uma mãe para com os seus filhos. A poesia que isso envolve é pura luz. A predileção vai diretamente para quem dela mais precisa.
Apesar do amor ser exatamente igual. Isso explica o porquê de cancelar uma grande cirurgia, para levar um cobertor ao seu filho, na detenção, que sentiu frio a noite passada. “- Enquanto ele não estiver bem, eu não opero, doutor.”Por escrever desde muito jovem, o tema materno muitas vezes chegou a mim.
Tão fácil sentir poesia em uma mãe. Descrevi várias situações ao máximo que a imagem e a inspiração dada por elas, trouxe-me. Lembro-me bem quando vi pela primeira vez a estátua Pietà, na Basílica de São Pedro.
O impacto é enorme. Sei que os braços amorosos carregam toneladas de esperança e desvelo. Participando de competições pelo mundo. Treinando com afinco. Jamais consegui comparar a resiliência de uma mãe numa noite insone de febre e cuidados, com quaisquer atletas que encontrei.
Elas simplesmente não desligam, não reclamam, jamais se dão por vencidas. E não é só no sentido obstétrico “per se”. Na adoção, na substituição, ou outras situações semelhantes em que não foi possível parir, o sentimento é idêntico. A atitude também. Assisti a milhares de parto. Não vi nenhum abandono no hospital. Poucas rejeições.
E as poucas que presenciei depois transformaram-se em ligação completa e eterna. Como poeta, atleta e obstetra pude vivenciar a magia, dedicação e entrega inigualáveis ao deparar-me com uma mãe. E assim, pequenino que sou diante desta magnitude que é ser mãe e amar como tal, eu louvo. Louvo a mãe que tive. A mãe com quem convivo.
As mães que acompanhei. Louvo a Deus. O amor de vocês é incomparavelmente, o maior que eu já presenciei. E esse amor é o que existe de mais divino na terra dos homens. Obrigado, mães.
JB Alencastro é médio e escritor