Pediatra cooperado da Unimed Goiânia orienta pais sobre riscos que vão do engasgo entre os pequenos ao uso inadequado influenciado por conteúdos das redes sociais.
Coloridos, macios, com diferentes formatos e feitos para serem apertados repetidamente, os chamados squishies ganharam espaço entre a garotada e nas redes sociais. Com a proximidade do Dia das Crianças, os brinquedos também podem aparecer entre as opções de presentes, mas os cuidados necessários durante a brincadeira não são os mesmos em todas as fases da infância.
Nos primeiros anos de vida, a própria forma como a criança explora objetos exige maior supervisão. Mais tarde, com o desenvolvimento e a mudança de comportamento, a atenção dos responsáveis se volta também para a maneira como o brinquedo é manipulado e para experiências que podem ser reproduzidas a partir de conteúdos vistos na internet.
O tema motivou, inclusive, um alerta recente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Publicada no início de outubro, a orientação reforça a importância de seguir as recomendações de uso e observar a procedência, a certificação e as condições de conservação do produto.
Segundo o médico pediatra cooperado da Unimed Goiânia, Dr. Luiz Antônio Torres, a idade é um dos primeiros aspectos que os responsáveis devem considerar. Entre as crianças pequenas, o hábito de explorar o ambiente também pela boca torna necessária uma atenção maior à escolha do brinquedo e à forma como ele é utilizado.
“Alguns squishies têm formato de doces, frutas ou pães e podem apresentar aromas adocicados ou artificiais. Para a criança pequena, essas características aumentam o interesse em levar o objeto à boca, morder ou tentar ingerir partes dele. Se houver desprendimento de pequenos fragmentos, existe risco de engasgo e obstrução das vias aéreas”, explica.
O pediatra recomenda atenção especial às crianças menores de três anos e àquelas que, mesmo maiores, ainda têm o hábito de colocar objetos na boca. A indicação de faixa etária presente na embalagem deve ser respeitada e a supervisão dos adultos precisa ser adequada à idade e ao comportamento da criança.
Conservação também é questão de segurança
Independentemente da idade, a conservação do brinquedo é outro ponto de atenção. A orientação é que os responsáveis façam uma checagem periódica do produto e interrompam o uso diante de sinais de deterioração, como rasgos, fissuras, desprendimento de tinta ou vazamentos.
Se o conteúdo interno entrar em contato com a pele, a orientação é lavar a região com água corrente e sabão neutro. Em contato com os olhos, o pediatra recomenda lavagem com água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 15 minutos, sem esfregar.
“O brinquedo danificado deve ser retirado imediatamente da criança. Dependendo da composição, o contato do conteúdo interno com a pele ou os olhos pode provocar irritação, vermelhidão, coceira ou ardência. Se houver ingestão ou dúvida sobre a composição do produto, é importante guardar a embalagem ou fotografar o rótulo, porque essas informações podem auxiliar na orientação e no atendimento”, afirma.
Em caso de ingestão, a recomendação é não provocar vômito. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica também pode ser procurado pelo Disque-Intoxicação, no telefone 0800 722 6001.
Sinais como engasgo, tosse súbita ou persistente, dificuldade para respirar, alteração da coloração dos lábios, dificuldade para engolir, vômitos repetidos, dor ou distensão abdominal e sonolência incomum são motivos para procurar atendimento médico.
Entre os maiores, atenção também ao que circula nas redes
Na idade escolar, quando a exploração oral tende a diminuir, a atenção passa a incluir outros comportamentos. Segundo o pediatra, conteúdos encontrados na internet podem despertar a curiosidade para experiências com o brinquedo que fogem da finalidade para a qual ele foi desenvolvido.
“A partir da idade escolar, o risco de levar o brinquedo à boca diminui, mas podem surgir outras formas de uso inadequado, como cortar, perfurar ou aquecer o produto por curiosidade ou influência de vídeos. O calor pode alterar os materiais e aquecer o conteúdo interno, enquanto cortes e perfurações podem provocar vazamentos, gerar pequenos fragmentos e ainda envolver o uso de objetos cortantes”, alerta Luiz Antônio.
Para o médico, a orientação não precisa se limitar à proibição. Conversar com a criança sobre o motivo das regras e desenvolver uma visão crítica em relação aos conteúdos que circulam nas redes sociais também fazem parte da prevenção. Nesse diálogo, os responsáveis podem explicar que nem toda experiência mostrada em vídeos deve ser reproduzida e orientar a criança a procurar um adulto sempre que tiver dúvidas sobre como utilizar o brinquedo.
Cuidados começam na compra
Para quem pretende incluir um squishy entre os presentes do Dia das Crianças, o Dr. Luiz Antônio recomenda verificar a procedência do produto, a indicação de faixa etária, as informações do fabricante e a presença do selo do Inmetro. Produtos sem identificação ou com odor químico muito forte também merecem atenção. Depois da compra, a inspeção deve continuar durante o uso. Rachaduras, rasgos, vazamento do conteúdo ou desprendimento de tinta são sinais para interromper a brincadeira e descartar o produto.
“O mais importante é que os pais conheçam o brinquedo que estão oferecendo, respeitem a faixa etária indicada e acompanhem seu estado de conservação. Também é importante estabelecer regras simples de uso. A brincadeira pode fazer parte da rotina da criança, mas precisa acontecer de acordo com a idade e com as orientações de segurança”, conclui.
Érica Caetano – Kasane
Assessora de Imprensa