Ação alusiva ao Dia Mundial do Rim contou com orientações, distribuição de informativos, água e um espaço instagramável
Em alusão ao Dia Mundial do Rim, celebrado na segunda quinta-feira de março, o Hospital Santa Helena, de Goiânia, promoveu uma importante ação de conscientização no dia 14 de março, voltada para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças renais. A iniciativa foi coordenada pelo setor de Educação Permanente e contou com a participação ativa da equipe médica da unidade.
Durante a ação, a profissional da Educação Permanente, Fabrícia Cândida e os médicos Gustavo Souza (nefrologista) e Flávio Marques (urologista) orientaram pacientes e acompanhantes do pronto-socorro e ambulatórios, compartilhando informações valiosas sobre os cuidados com a saúde dos rins. Foram abordados temas como hábitos saudáveis para preservar a função renal, os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças renais e a importância da realização de exames periódicos, especialmente o exame de creatinina — essencial para avaliar o funcionamento dos rins.
Este ano, a campanha traz como tema: “Seus rins estão OK? Faça exame de creatinina para saber”. Para chamar a atenção da população, a Federação Nacional das Associações de Pacientes Renais e Transplantados (Fenapar) instalou um rim gigante na entrada do hospital, servindo como um símbolo educativo e interativo. Além disso, foram distribuídos copinhos de água personalizados com a logo da campanha, reforçando a importância da hidratação como uma das medidas fundamentais para prevenir doenças renais.
O espaço ao redor do rim gigante também ganhou um toque especial: foi transformado em um ambiente instagramável, onde colaboradores, pacientes e visitantes puderam tirar fotos e compartilhar o momento nas redes sociais, ajudando a ampliar ainda mais o alcance da mensagem da campanha.
“Os rins desempenham funções essenciais no organismo, como a filtragem do sangue, eliminação de toxinas, regulação de minerais e ativação da vitamina D. Por isso, é fundamental cuidar bem deles”, explicou o nefrologista Gustavo.
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição silenciosa, que pode evoluir de forma grave sem apresentar sintomas nos estágios iniciais. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 50 mil pessoas morrem por ano no Brasil devido a complicações renais, muitas vezes sem sequer terem acesso à diálise ou ao transplante.
A ação foi bem recebida pela comunidade. O casal Deuzeli Rodrigues e Aroldo Estevam elogiou a iniciativa, e a paciente Maria das Graças destacou a importância da prevenção. “Para mim foi de grande valia, porque eu já tive esses problemas que vocês estão tentando prevenir. Por falta de informação, acabei perdendo um rim, e hoje preciso redobrar os cuidados. Essa campanha pode ajudar muita gente a evitar o que eu passei”, afirmou.
A presidente da Fenapar, Maria de Lourdes Alves, também esteve presente na ação e ressaltou a importância da parceria com o Hospital Santa Helena. “Ficamos muito felizes com o engajamento do hospital nesta campanha. Unir forças com instituições de saúde é fundamental para levar informação à população e incentivar hábitos que realmente salvam vidas”, destacou.
“O Hospital Santa Helena preza pela promoção da saúde e a educação preventiva, e nesta campanha, específica, reforçamos que o cuidado com os rins deve ser constante e começa com informação e atitude”, destacou a colaboradora Fabrícia.
Evitar açúcar nos primeiros dois anos de vida pode reduzir risco de doenças crônicas, apontam estudos
Endocrinologista pediátrica explica como a alimentação nos primeiros mil dias influencia o metabolismo e a saúde ao longo da vida
A alimentação oferecida nos primeiros anos de vida pode ter impacto duradouro sobre a saúde metabólica. Evidências científicas mostram que a introdução precoce de açúcar na dieta infantil está associada a maior risco de obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas ao longo da vida. Por isso, especialistas defendem que o consumo de açúcar adicionado seja evitado nos primeiros dois anos de vida.
Segundo a endocrinologista pediátrica Marília Barbosa, essa fase corresponde ao chamado período dos primeiros mil dias, que vai desde a gestação até aproximadamente os dois anos de idade. Nesse intervalo, ocorre uma intensa programação metabólica, na qual fatores nutricionais podem influenciar o funcionamento do organismo no longo prazo.
“Os primeiros anos de vida são uma janela crítica de desenvolvimento. O que a criança consome nesse período pode influenciar o metabolismo, a formação da microbiota intestinal e até a regulação do apetite no futuro”, explica a especialista.
A recomendação de evitar açúcar nessa fase é respaldada por entidades internacionais e nacionais de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que crianças menores de dois anos não consumam açúcar adicionado. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também recomenda evitar a oferta de açúcar, mel, melado e alimentos ultraprocessados nessa faixa etária.
Estudos sobre programação metabólica precoce indicam que exposições alimentares nos primeiros mil dias podem influenciar processos fisiológicos importantes, como sensibilidade à insulina, metabolismo energético e controle da saciedade. Uma revisão publicada na revista científica Nutrients aponta que padrões alimentares ricos em açúcar na primeira infância podem favorecer alterações metabólicas associadas ao desenvolvimento de doenças crônicas na vida adulta.
Além disso, pesquisas mostram que o contato precoce com alimentos muito doces pode moldar preferências alimentares ao longo da vida. Crianças expostas frequentemente ao açúcar tendem a desenvolver maior preferência por alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, o que aumenta o risco de excesso de peso.
O problema ganha relevância em um cenário global de aumento da obesidade infantil. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 39 milhões de crianças menores de cinco anos estavam com excesso de peso em 2022. Levantamento da Federação Mundial da Obesidade aponta que cerca de 38% das crianças e jovens brasileiros entre 5 e 19 anos de idade já vivem com sobrepeso ou obesidade, colocando o Brasil acima da média global, que é de 20,7%. As projeções indicam que, se os números continuarem no mesmo ritmo, o país pode chegar a 50% de crianças e adolescentes com excesso de peso até 2040.
Para Marília, evitar açúcar nessa fase não significa adotar uma postura radical, mas priorizar alimentos naturais e respeitar o desenvolvimento do paladar da criança. “O paladar também é aprendido. Quando a criança cresce consumindo alimentos naturais, como frutas e preparações caseiras, ela desenvolve uma relação mais equilibrada com o sabor doce”, afirma.
Segundo a endocrinologista, essa escolha simples pode ter impacto importante na prevenção de doenças ao longo da vida. “Quanto mais cedo protegemos o metabolismo da criança, maiores são as chances de ela desenvolver hábitos alimentares saudáveis e menor é o risco de problemas metabólicos no futuro”, conclui.
Endocrinologista pediátrica explica a relação entre obesidade e puberdade precoce e alerta para impacto no desenvolvimento infantil
A puberdade precoce costuma ser associada à exposição a substâncias químicas presentes em plásticos e cosméticos. Embora os chamados disruptores endócrinos sejam objeto de estudo, a ciência já aponta um fator com evidência mais consistente: o excesso de peso na infância.
De acordo com a endocrinologista pediátrica Marília Barbosa, estudos recentes mostram que meninas com sobrepeso ou obesidade podem apresentar a primeira menstruação, chamada a menarca, significativamente mais cedo do que aquelas com peso adequado. “Hoje já sabemos que a obesidade tem um impacto direto na regulação hormonal. O tecido adiposo não é apenas um reservatório de gordura, ele também produz substâncias que interferem no eixo hormonal e podem antecipar o início da puberdade”, explica.
Uma revisão científica publicada na revista Endocrine Connections, ligada à Sociedade Europeia de Endocrinologia, analisou evidências recentes sobre a relação entre obesidade e puberdade e concluiu que o aumento da gordura corporal está associado à antecipação do início puberal, especialmente em meninas. Além disso, estudos observacionais com diferentes populações indicam que meninas com excesso de peso podem ter a menarca entre seis meses e um ano mais cedo do que aquelas com peso adequado para a idade e estatura.
Esse fenômeno ocorre porque o tecido adiposo influencia a produção de hormônios como a leptina, que atua como sinalizador energético para o organismo. Quando há excesso de gordura corporal, esse sinal pode ser interpretado pelo corpo como um indicativo de que já há “condições” para iniciar a puberdade. “A puberdade é um processo biológico altamente regulado, mas também sensível ao ambiente metabólico. Quando esse ambiente está alterado, o corpo pode antecipar etapas que deveriam acontecer mais tarde”, afirma a especialista.
Cenário preocupa
O avanço da puberdade precoce ocorre em paralelo ao aumento da obesidade infantil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 39 milhões de crianças menores de cinco anos estavam com excesso de peso em 2022 no mundo.
No Brasil, o cenário segue a mesma tendência. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) indicam crescimento progressivo das taxas de excesso de peso em crianças e adolescentes, o que acende um alerta para consequências metabólicas cada vez mais precoces.
A antecipação da puberdade não é apenas uma questão cronológica. Ela pode trazer repercussões importantes para a saúde física e emocional. Entre os possíveis impactos estão menor tempo de crescimento e, consequentemente, redução da estatura final; maior risco de obesidade persistente na vida adulta; aumento do risco de síndrome metabólica; e desafios emocionais e sociais decorrentes da maturação precoce.
“A puberdade precoce não é só começar a menstruar antes. É um processo que pode impactar crescimento, metabolismo e até a forma como a criança se percebe no mundo”, encerra Marília.
Médico dermatologista, Dr. Rogério Ranulfo, comenta em suas redes sociais, conteúdos educativos, incluindo prevenção e diagnóstico precoce, tratamentos estéticos e rejuvenescimento e rotina de cuidados, buscando trazer uma abordagem moderna e dinâmica para educar os pacientes sobre a saúde integral da pele