Patrimônio cultural vivo de Nova Veneza, a mulher é a guardiã dos saberes e sabores que mantêm viva a tradição italiana em Goiás
No dia 8 de março, quando o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, Nova Veneza volta o olhar para aquelas que sustentam, com mãos firmes e coração generoso, a herança italiana no interior de Goiás. A imigração italiana para o Brasil teve início ainda no século XIX, com maior intensidade entre 1870 e 1920, período em que mais de 1,5 milhão de italianos desembarcaram no país. Embora a maior concentração tenha se estabelecido no Sul e Sudeste, parte desses imigrantes e seus descendentes encontrou em Goiás terra fértil para reconstruir a vida, cultivar a fé e perpetuar tradições.
Fundada em 1958, Nova Veneza tornou-se símbolo dessa identidade. O município consolidou-se como referência da cultura ítalo-goiana, especialmente por meio do Festival Italiano de Nova Veneza, que chega à sua 20ª edição neste ano. Mas se a história registra datas e números, é no cotidiano das mulheres que a cultura verdadeiramente se perpetua.
Matriarcado cultural: saber que atravessa gerações
Desde o início do cultivo da terra fértil do solo goiano até o ponto exato da cremosidade da polenta no tacho do Festival Italiano tradicional da cidade, foram as mães e nonas, católicas devotas e trabalhadoras incansáveis, que transmitiram valores, hábitos e receitas. Historicamente, o fato de a mulher permanecer próxima das crianças fez dela uma forte base na reprodução cultural no ambiente familiar. Foi no ensino doméstico – na cozinha, no quintal, na roça – que a identidade italiana se fortaleceu e resistiu ao tempo.
E é nesse contexto que se formou a história das três irmãs polenteiras, precursoras no preparo de um dos pratos mais famosos do Festival Italiano desde as primeiras edições. Há quase 20 anos, as irmãs Ana (68), Nida (62) e Divina (59) formam um trio de braços fortes, parte de uma equipe de produção que, mesmo tão grande – são quase 40 mulheres -, ainda tem filas de espera para a experiência de degustar a polenta italiana.
Os avós do trio eram italianos de origem, e vieram para Goiás para trabalhar na fazenda de italianos. O avô se referia ao grupo de irmãs como “as Marias”. “Quando ele chamava uma Maria, estava chamando todas nós”, relembra Dona Ana, carinhosamente. O ponto comum na infância das Marias era comer da polenta recém preparada pela mãe na roça. Foi assim, segundo elas, que aprenderam a preparar o prato tradicional.
“Minha mãe foi muito importante pra mim nesse momento, ensinou da polenta e muita coisa boa para nós”, diz Divina Aparecida. A irmã Iranilda Maria (Nida), relembra que não tinha tempo ruim para a polenta da mãe, que foi protagonista em muitas refeições “era mais comum na hora do lanche, com leite, mas ela também fazia para comer no almoço com caldo de frango e arroz”, diz, atiçando a imaginação para um prato misto com a culinária italiana e goiana.
A irmã Ana Maria complementa explicando que mãe aprendeu o prato com a avó, que provavelmente também teve uma mãe como professora: “Agora estamos juntas todos os anos fazendo polenta, para não deixar a cultura morrer”. Mesmo fora da época do festival, as irmãs relatam que em outras festas, reuniões familiares, ou mesmo sem data especial, apenas por saudade, amigos, familiares e conhecidos batem em suas portas pedindo pelo preparo da polenta, que é sempre feita de coração e bom grado.
Cultura que se renova
A tradição não para na geração das irmãs. Os netos têm cada vez mais interesse pelas raízes, e alguns já começaram a atuar no festival. Dona Ana conta que a 19° edição foi o primeiro ano do neto João Pedro, e que este ano o rapaz já quer participar de novo. Ela acredita que é preciso envolver os mais jovens para manter a chama da cultura italiana. “Tem que pôr eles mais novos pra trabalhar, pra aprender. Porque nós já estamos velhas e não aguentando muita coisa”, diz a polenteira, brincando.
Ainda assim, o brilho nos olhos de Ana permanece quando fala da cozinha, sem deixar de lembrar o quanto ama os dias de festa e a reunião em torno da cozinha, sentimento que a Dona Divina compartilha. “O povo fica todo animado, é gostoso. A gente deixa de ser só uma equipe e se torna uma grande família. É bom demais… tem conversa, brincadeira. Você nem vê o dia passar. É cansativo, é pesado o serviço, mas pela união a gente fica mais forte”, diz a outra polenteira.
Dona Nida, a irmã do meio, vê motivação na presença de uma geração mais nova na cozinha para continuar sendo polenteira do festival. “Os novinhos têm que aprender a fazer igual, para fazer um trem bão e gostoso, porque não pode faltar polenta pra ninguém”, diz a mulher de 62 anos. “Eu quero continuar sendo polenteira enquanto Deus me der saúde”, diz, com riso na voz.
Ao longo de 20 edições, o Festival Italiano de Nova Veneza consolidou-se como o maior palco de preservação da identidade italiana em Goiás. Com o tema Brindiamo Storia e Sapori [Brindando História e Sabores!], o Festival Italiano de Nova Veneza de 2026 acontecerá entre os dias 28 e 31 de maio, e faz parte do calendário oficial de grandes eventos gastronômicos em Goiás.O tradicional evento é realizado na pequena cidade que nasceu a partir da imigração italiana, distante apenas 30 quilômetros da cidade, e recebe mais de 150 mil visitantes nos quatro dias de festa.
Laura e Rodolfo oficializaram sua união em uma cerimônia à beira-mar, no Ceará. A celebração reuniu familiares e amigos de Goiânia, Brasília e São Paulo, em uma programação marcada pela confraternização. Na foto, os noivos ao lado de Gyovana de Castro Carneiro, madrinha de Rodolfo.
Kolontay Abrahão (E) recebeu, na tarde da última segunda-feira (02), no Bazar Villa Kolontay, o restaurateur Elpídio Fiorda Neto e Iris Araújo. Durante a visita, eles conferiram as últimas promoções da loja e aproveitaram para colocar a conversa em dia, saboreando um delicioso café da tarde acompanhado de pão de queijo.
Final de tarde de um domingo cheio de sol e atividades. Caminhando, nadando, fotografando aves, almoçando uma pizza espetacular com vários copinhos de cerveja para degustar. Cada passagem, um encantamento. Uma descoberta.
E aí, olhando logo adiante, uma sorveteria. Se estivesse no México pediria um “helado de chispas de chocolate”. Pediu um sorvete de flocos, seu predileto.
Descobriu que na Austrália se diz “choc chip vanilla” e não “flake ice cream”. Vivendo e aprendendo.
Aliás, como é bom ser corrigido e descobrir o adequado naquele momento e hora. Ela pediu um de abacaxi. Detesta flocos, para ela é o pior sorvete do mundo. Ele tem dificuldades para odiar. Aquilo que não gosta, simplesmente evita. Olhando para cima, uma revoada de milhares de morcegos gigantes, chamados de “flying foxes”.
Centenas deles vão pousando num enorme ficus e fazendo uma algazarra semelhante a periquitos. Então, são eles que me saúdam ao entardecer na porta da minha casa, pensou.
E também no sorvetinho noturno.Engraçado como já havia tentado enganar sua companheira uma vez, pedindo “glace aux pépites” quando estiveram em Strasbourg, na França.
E nada. Ela reconheceu na hora o danado do flocos. Ofereceu com carinho, pois quando gostamos de algo, queremos dividir. Mas nem sempre o seu desejo é o desejo do outro. Necessita respeitar. E por isso, dentro da intimidade do casal, uma das coisas mais belas é o limite. O território daquilo que é bom para um mas não é para o outro.
O reconhecimento das preferências do ser amado e das suas próprias. Jamais pedir algo desagradável como “recompensa” por ter feito ou dito uma coisa bela. Imposição é feio.
Relações de poder são ruins. O melhor é a troca autêntica. Não adianta estar numa “gelateria” e solicitar um “gelato alla stracciatella” e aquela cor meio branca, meio amarelada, com os pedacinhos de chocolate denunciando o famoso sorvete de flocos.
Que ele fique com o seu sorvete. Só isso. Também respeitar as escolhas é fundamental. Nem todo mundo vai amar peixe e camarão e alguns podem até ter alergia, quiçá mortal. Insistir naquilo que sabiamente já está provado e satisfeito, não é educação. É o contrário.
É falta de. Quantas vezes não já lhe pediram para tomar “mais um cafezinho”, ou comer “mais um pão de queijo” e a refeição que fora tão gostosa, agora o empanturra.
Querer dividir algo que adoramos é bonito, mas pergunte antes se o outro também gosta. E se lhe perguntarem, seja sincero ao dizer que não, por exemplo. Amar é ver o outro satisfeito com suas escolhas.
E estando longe, torcer para que ele ou ela, esteja feliz mesmo na ausência. Aliás o amor mais bonito é aquele que na distância deseja o melhor para o outro. Que não cobra exclusividade e nem dedicação o tempo todo.
Por isso ele lá na China, deu uma volta no parque e pediu um 巧克力碎片冰淇淋 (qiǎokèlì suìpiàn bīngqílín) e voltou sorrindo com um belo pistacchio nas mãos, para ela.
O mundo gira, as pessoas mudam, e até as preferências também.
Por isso sempre pergunte (ou melhor ainda, descubra) o que o outro realmente quer, para que juntos possam comer até a casquinha do sorvete da vida.