Proctologista Camila Lima
Doença está entre os tumores mais frequentes no Brasil; carnes processadas, excesso de carne vermelha, ultraprocessados e bebidas açucaradas merecem atenção na rotina alimentar.
O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal quando atinge o cólon e o reto, está entre os tumores mais frequentes no Brasil e no mundo. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto no país, sendo 26.270 em homens e 27.540 em mulheres.
A doença representa cerca de 10% dos casos de câncer no mundo e é a segunda principal causa de morte por câncer globalmente.
Embora não exista um único alimento capaz de provocar, isoladamente, um câncer de intestino, pesquisas mostram que determinados padrões alimentares podem aumentar o risco ao longo dos anos.
Entre os principais pontos de atenção estão as carnes processadas, como salsicha, linguiça, bacon, presunto, salame e mortadela.
O INCA recomenda evitar esses produtos e destaca que substâncias relacionadas ao processamento, como nitritos e nitratos, além do sal e de compostos provenientes da defumação, estão associadas ao desenvolvimento do câncer de cólon e reto.
Outro grupo que exige moderação é o das carnes vermelhas, como carne bovina, suína, de cordeiro e de bode. O problema está principalmente no consumo excessivo.
O INCA orienta limitar a ingestão a até 500 gramas de carne vermelha cozida por semana. “Não significa que a pessoa que come carne vermelha terá câncer.
Estamos falando de risco, que aumenta de acordo com a frequência, a quantidade, a forma de preparo e a combinação com outros hábitos de vida”, explica a médica proctologista Dra. Camila Lima.
Preparações em temperaturas muito elevadas, como carnes muito tostadas, fritas, grelhadas ou expostas repetidamente à fumaça do churrasco, também podem gerar compostos potencialmente cancerígenos.
Na terceira posição aparecem os alimentos ultraprocessados, especialmente refeições prontas, produtos industrializados ricos em gorduras, açúcares e sódio e alguns tipos de carnes prontas para consumo.
Um estudo publicado no The BMJ, que acompanhou mais de 200 mil pessoas em três grandes coortes norte-americanas, encontrou associação entre alto consumo de ultraprocessados e maior risco de câncer colorretal entre homens.
Os próprios pesquisadores ressaltam, entretanto, que os resultados variaram entre os sexos e que novos estudos são necessários para compreender melhor essa relação.
As bebidas açucaradas, como refrigerantes e outras bebidas industrializadas com açúcar, também merecem atenção, sobretudo quando fazem parte de uma alimentação baseada em ultraprocessados.
No mesmo estudo, maior consumo desse grupo foi associado a aumento do risco de câncer colorretal entre homens. Além disso, dietas muito calóricas favorecem ganho de peso e obesidade, condição reconhecida como fator de risco para a doença.
“O intestino responde ao conjunto da nossa rotina.
Alimentação pobre em fibras, excesso de produtos ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo de álcool podem compor um cenário desfavorável ao longo do tempo”, ressalta Dra. Camila Lima.
Casos envolvendo personalidades conhecidas ajudaram a ampliar a discussão pública sobre a doença.
Pelé teve um tumor de cólon identificado em setembro de 2021 e morreu, em dezembro de 2022, em decorrência da progressão do câncer associada à sua condição clínica, segundo boletim do Hospital Israelita Albert Einstein.
A cantora Preta Gil revelou em 2023 o diagnóstico de adenocarcinoma no intestino, enquanto o apresentador Emílio Surita também teve divulgado naquele ano um diagnóstico de câncer intestinal e a realização de cirurgia.
A prevenção, porém, não se resume a retirar determinados alimentos do prato.
A Organização Mundial da Saúde aponta como fatores associados ao câncer colorretal o alto consumo de carnes processadas, baixa ingestão de frutas e vegetais, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e consumo de álcool.
Em contrapartida, uma alimentação rica em fibras, cereais integrais, frutas, verduras e leguminosas integra as recomendações internacionais de prevenção.
“Não existe alimento milagroso, assim como não existe um único vilão.
O que precisamos é olhar para o padrão alimentar e para os hábitos mantidos durante anos”, afirma a proctologista.
Outro ponto fundamental é não ignorar os sinais do organismo. Sangue nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, anemia, perda de peso sem explicação, dor ou desconforto abdominal precisam ser investigados.
A colonoscopia é considerada o exame padrão-ouro para o diagnóstico, pois permite visualizar o intestino grosso, realizar biópsias e identificar e remover pólipos, lesões que podem anteceder determinados tumores.
“Quanto antes investigamos uma alteração, maiores são as possibilidades de encontrar lesões em fases iniciais. Sangramento nas fezes ou mudança persistente no funcionamento intestinal nunca devem ser normalizados”, conclui Dra. Camila Lima.
Serviço
Quatro alimentos que podem aumentar o risco de câncer de intestino Proctologista Camila Lima
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