Confiança, honra e comida saudável Fomos convidados a almoçar no Resturante 9 Angels. Apesar de ser praticamente no centro de Ubud, em Bali, o acesso não é tão simples.
Só se chega de moto. E o caminho é estreito. Primeira surpresa é que se trata de um jardim. A antiga piscina transformou-se num laguinho.
As árvores imensas estão lá. Cada mesa é de um jeito. E as cadeiras idem. Tudo ao ar livre. Na sombra.
Não tenham a ilusão de que é bagunçado. Cada vaso, planta e decoração tem uma razão de ser e estar. É lindo. Enquanto esperávamos o casal chegar, observávamos o entorno. Em cada mesa uma língua, um grupo diverso. Nacionalidades imprecisas.
Mas os sorrisos reinavam. Levantei-me e fui até a bancada do restaurante, em que você vê a cozinha inteira e a preparação dos pratos. Os donos conversam com você. São amigáveis. Você se sente em casa. Num quintal chique. Não há garçons.
A proprietária trabalhava com um artesanato e uma infinidade de pequenas porções de comida. Saladas.O outro cuidava das trepadeiras e dos arames-guia em que as plantas estavam seguindo os destinos. Fomos nos servir.
Segunda surpresa. Você paga por porção. Havia três qualidades de arroz, servi-me do frito, do mais colorido. Aliás, a comida balinesa prima pela cor. Uma profusão de encantamentos. O casal, uma brasileira e um holandês com aparentemente 40 anos, mas não pareciam nunca de tão jovens que eram… disseram que podia colocar o quanto de comida quisesse.
E servi-me também do suco, que era de cúrcuma. Não cheguei a fazer uma montanha. Entretanto peguei um milho cozido inteiro, uma espécie de fritada de verduras -que sinceramente não consegui identificar quais- dois tipos de tofu e uma salada que parecia com o Gado-Gado, famoso prato local; mas não era ele.
Então a sentar-me, calculei rapidamente o valor da refeição pois devido a fome que eu estava, fiquei com medo de confundir o número de porções que havia pego.
Além disso eu belisquei do prato dos nossos amigos e da minha esposa também. Quem corre, tem fome.
E comida bonita e leve faz você “botar pra dentro” rapidinho.Conversamos sem pressa. Ninguém vai trazer a conta. Você enrola o dinheiro calculado e coloca as notas nas garrafas dependuradas.
Se quiser pagar mais, pode. Nã há vigilância. Se não tiver troco, você retira ele das outras garrafas, pois cada uma contém as notas de um mesmo valor.
Venta um pouquinho e parece que irá chover. Mas não há nenhum movimento nas mesas ou na cozinha e muito menos dos donos. Apenas sorriem e agradecem nossa presença. E lavamos os pratos e talheres.
O casal está viajando para a ilha de Nusa Penida. Eles vivem pelo mundo, como nós. Vejo amor, vejo confiança, vejo cumplicidade. Fico feliz ao sentir isso. Os trouxemos para nossa casa para tomar um cafezinho e comer pão e queijo. Bem goiano e mineiro.
Na verdade é uma honra recebê-los. Pois são um exemplo de parceria. O gatinho que frequenta nossa casa adorou o holandês. A casa ficou colorida com mais uma presença femina. E no final, ter confiança, honrar nossas raízes é fundamental para uma boa mesa.
Com amor e simpatia a fome do corpo e d’alma se saciam.
Gabriela Daniel, proprietária da Peça Rara Aparecida de Goiânia, comemora seu aniversário neste sábado, 24 de outubro, ao lado de clientes, amigos e familiares.
A celebração acontece na loja, das 9h às 18h, com café da manhã especial, reposição de semijoias a partir de R$ 19,90 e 15% de desconto em todas as peças. Av. Rio Verde, nº 5226, Vila Rosa. @pecarara.apgoiania
Diferença entre o perfil buscado pelos pretendentes e a realidade de crianças e adolescentes disponíveis será tema de encontro gratuito na UNIALFA nesta quinta-feira.
Mais de 32 mil pessoas estão habilitadas para adotar no Brasil, enquanto mais de 6 mil crianças e adolescentes aguardam uma família.
A diferença entre os números chama atenção, mas revela uma realidade mais complexa do que uma simples fila de espera.
Dados atuais do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça, mostram que o encontro entre pretendentes e crianças disponíveis depende de fatores como idade, condições de saúde, existência de grupos de irmãos e o perfil indicado por quem pretende adotar.
A discussão estará no centro de um encontro gratuito promovido pela Escola de Direito da UNIALFA nesta quinta-feira (22), em Goiânia.
Idade ainda é um dos principais desencontros*Um dos maiores obstáculos está na diferença entre a idade procurada pelos pretendentes e a das crianças que aguardam adoção.
Levantamento do CNJ mostrou que 70,4% das crianças e adolescentes disponíveis tinham entre 8 e 18 anos, enquanto a maior parte dos pretendentes manifestava preferência por crianças mais novas.
O próprio CNJ aponta que crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência ou necessidades específicas de saúde estão entre aquelas que enfrentam maior dificuldade para encontrar uma família.
Quem pode adotar
A legislação brasileira permite que pessoas maiores de 18 anos se habilitem para adoção, independentemente do estado civil, desde que exista diferença mínima de 16 anos entre adotante e adotado.
O processo é gratuito e deve ser iniciado na Vara da Infância e da Juventude da região onde reside o pretendente.
O Sistema Nacional de Adoção também reconhece diferentes configurações familiares, incluindo famílias formadas por mãe ou pai solo, casais heterossexuais e casais homoafetivos.
Debate sobre discriminação
Além das características das crianças e adolescentes, o encontro promovido pela UNIALFA pretende discutir preconceitos relacionados às diferentes configurações familiares.
Neste ano, a instituição e o Tribunal de Justiça de Goiás estabeleceram uma cooperação para produzir material informativo destinado a pessoas e casais LGBTQIAPN+ interessados em adoção.
A iniciativa busca ampliar o acesso a informações sobre direitos, procedimentos e garantias relacionados ao processo adotivo.
Palestra ocorre nesta quinta-feira
A palestra “Adoção e o direito à não discriminação” será realizada às 9h, no Auditório Maria Dilda, na UNIALFA.
O encontro também marcará o lançamento da cartilha “Família, no plural”.
O convidado será Fábio Francisco Esteves, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo.
A proposta é discutir adoção, diversidade familiar, igualdade de direitos e o papel das instituições na garantia da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes.
Autoridades participam
Também estão confirmados o presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargador Leandro Crispim; a juíza Célia Regina Lara, coordenadora-geral da Infância e da Juventude; a juíza auxiliar da Presidência do TJGO, Lidia de Assis e Souza; o juiz Vitor Barros Mouro; a juíza Luana Cavalcante de Freitas; e o procurador do Trabalho Tiago Ranieri de Oliveira.
O evento é gratuito, aberto à comunidade e dará certificado de cinco horas aos participantes.
Serviço
Palestra:
Adoção e o direito à não discriminação
Data: 22 de outubro de 2026
Horário: 9h
Local: Auditório Maria Dilda – UNIALFA
Atividade: palestra e lançamento da cartilha “Família, no plural”
Participação: gratuita e aberta à comunidade
Certificado: 5 horas
Inscrições: Instagram da UNIALFA – @unialfa
Legenda: Encontro na UNIALFA vai discutir adoção, diversidade familiar e o direito à não discriminação.
Endocrinologista pediátrica, Marília Barbosa explica por que o cuidado precisa considerar a idade, o desenvolvimento e a saúde emocional da criança.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou suas primeiras diretrizes globais para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes.
Divulgadas em 7 de outubro, as recomendações orientam profissionais e sistemas de saúde a oferecer um cuidado integrado, individualizado e baseado em evidências para uma doença crônica que pode comprometer a saúde física e emocional desde os primeiros anos de vida.
O documento chega em um cenário preocupante: em 2024, cerca de 400 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com sobrepeso no mundo, incluindo 170 milhões com obesidade.
A prevalência da obesidade nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%, segundo estimativas da organização.
Para a endocrinologista pediátrica Marília Barbosa, a publicação representa um avanço importante ao reforçar a necessidade de reconhecer a obesidade infantil como uma condição que exige avaliação clínica e acompanhamento contínuo.
“A obesidade na infância precisa ser abordada com seriedade, mas também com acolhimento. Estamos falando de uma doença multifatorial, influenciada por aspectos biológicos, genéticos, comportamentais e ambientais.
Por isso, o cuidado deve considerar a realidade da criança e de sua família, sem culpabilizar ou estigmatizar”, explica.
Entre as principais recomendações da OMS está a adoção de intervenções estruturadas que combinem alimentação saudável, atividade física e mudanças de comportamento.
Essas estratégias podem ser realizadas individualmente ou em programas que integrem diferentes abordagens, com participação dos pais ou responsáveis.
A organização também estabelece limites para outras modalidades de tratamento conforme a idade. Para crianças de até 9 anos, não recomenda o uso de medicamentos para tratar a obesidade ou dispositivos destinados à perda de peso.
Já entre adolescentes de 10 a 19 anos, medicamentos aprovados podem ser considerados em situações específicas, quando um programa estruturado e supervisionado de mudanças no estilo de vida não apresenta os resultados esperados.
As diretrizes ressaltam que medicamentos e procedimentos não substituem o cuidado abrangente.
A base do tratamento continua sendo o acompanhamento que favoreça mudanças sustentáveis na alimentação, na atividade física e nos hábitos cotidianos.
Não existe uma única estratégia que funcione da mesma maneira para todas as crianças.
O plano de cuidado precisa levar em conta a idade, a trajetória de crescimento, as condições clínicas, a rotina familiar e os aspectos emocionais.
O objetivo é melhorar a saúde e a qualidade de vida, respeitando o desenvolvimento de cada paciente”, afirma Marília.
PrevençãoNo Brasil, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), referentes a 2024, mostram a presença expressiva de alimentos ultraprocessados na alimentação das pessoas acompanhadas pelo sistema.
O consumo foi registrado em 79% das crianças de 2 a 4 anos, 84% das crianças de 5 a 9 anos e 81% dos adolescentes monitorados. Para a endocrinologista, o ambiente em que a criança vive tem influência direta sobre a construção dos hábitos alimentares e da rotina de movimento.
“A prevenção começa nas oportunidades que a criança tem no dia a dia: acesso a alimentos variados, refeições organizadas, brincadeiras, atividade física, sono adequado e participação da família.
Essas condições precisam ser construídas de forma realista, sem a expectativa de uma rotina perfeita”, destaca. As diretrizes da OMS também chamam a atenção para a necessidade de considerar a saúde mental no acompanhamento da obesidade.
Crianças e adolescentes podem enfrentar bullying, discriminação, baixa autoestima e sofrimento emocional, fatores que precisam ser reconhecidos pelos profissionais de saúde.
Segundo Marília, a maneira como adultos e profissionais abordam o peso pode influenciar a relação da criança com o próprio corpo e com a alimentação. “Comentários constrangedores, comparações e cobranças excessivas podem aumentar o sofrimento e dificultar a adesão ao cuidado.
É fundamental que a criança se sinta acolhida e que a família receba orientação para participar do tratamento de maneira positiva”, explica.
A especialista reforça que o acompanhamento pediátrico permite avaliar o crescimento e o desenvolvimento ao longo do tempo, identificar fatores de risco e definir, quando necessário, uma abordagem terapêutica adequada.
O cuidado precoce pode contribuir para reduzir complicações associadas à obesidade, entre elas alterações metabólicas, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
A publicação das primeiras diretrizes globais da OMS amplia a discussão sobre a necessidade de políticas públicas e serviços de saúde preparados para atender crianças e adolescentes com obesidade.
“O desafio é transformar as recomendações em acesso efetivo a um cuidado contínuo, individualizado e livre de estigmas”, sublinha a endocrinologista.