Connect with us

Notícias

Uma casa japonesa com certeza.

Publicado

on

JB Alencastro especial para o D9 Notícias

A rua silenciosa. Pinheiros negros. Via de mão única. Calçada para apenas um transeunte. Jardins bem cuidados. A porta tem caixa com código e dentro dela uma chave. Abrimos.

Vislumbramos desde a entrada até o final da parede do quarto. Uma reta só, dividida em três ambientes. Não tem porta, são cortinas de parede verticais, feitas de palha de arroz.

Passam a luz, mas obliteram a imagem. Nome? Noren. Por favor não confundam com as belíssimas persianas de bambu que são os famosos sudare.

Coloco as malas e a mochila a frente e sento no desnível, o genkan, que delimita o ambiente de troca de sapatos – no nosso caso botas – e coloco nossas chinelas que já estão ali nos aguardando. Silenciosas e confortáveis.

Como toda a região. É o bairro de Joyo em Kyoto. Dentro de mim toca uma música com flauta. Estou emocionado.

Está frio. Menos de 5C. Não é possível “desembrulhar” as três camadas de roupa. Mas de primeira encontramos um aquecedor de chão. A casa inteira é de táboa corrida.

A sala de estar tem um sofá cama e mais uma caminha dobrada dentro do armário cheio de futons e cobertores. O piso da cozinha é diverso da sala, mas é de madeira também. Macia, fofinha. Diferentes. Um noren separa os dois ambientes. Sorrrio.

O banheiro é curioso. A pia do lavabo fica na sala de estar, e é enorme. Dá para três pessoas escovarem os dentes simultaneamente.

É mais baixa do que o que estamos acostumados. A privada é separada do chuveiro, e tem oito controles eletrônicos que até hoje não domino totalmente. Chuveirinho duplo, um centrado e outro esparramado.

Água quente e fria. Musiquinha e o assento é aquecido. A luz tem sensor de movimento. A descarga com duas velocidades, uma com presença de papel higiênico e outra sem.

Ao lado temos o chuveiro e a banheira, com o noren escuro e mais grosso e uma porta dobrável. A água pode ficar estupidamente quente e a ducha generosa. Ideal para quando se chega com uma nevasca nas costas. Talvez seja esse o lugar que mais gosto na casa… é muito chique!

A cozinha tem mesa com quatro cadeiras que giram sobre o próprio eixo. Uma TV que só passa canais japoneses, mas pode se conectar com recursos multimídia. Ignoro. Microondas, forninho, torneira com três funções e bocas, uma delas é de água filtrada.

Talheres mil. Pratos e inúmeros “pottos” que são potes, e muito cuidado porque yoki é recipiente e baketsu é balde, eu confundo até hoje um com outro. Pauzinhos muito bonitos, os indefectíveis hashi.

E para nosso alívio: colheres, facas e garfos. Cozinha completa. Pia boa e prática para lavar pratos e escorredor funcional.

Alías tudo no Japão é essencialmente prático, limpo e de um design “clean”.

No quarto, que na realidade é um ambiente acima do nível da cozinha, com tatame e futon, também possui um aquecedor. E seu noren.

Dormir ao nível do chão pode parecer estranho inicialmente, mas garanto que é gostoso. E obviamente que o espaço é maior do que qualquer cama king size. Nos trocamos.

Descanso natural de três dias de viagem. Apesar de estarmos do outro lado do mundo, ele é mais simples do que imaginamos. Basta saber exatamente o que queremos e o que podemos.

Arigato gozaimasu!

JB Alencastro é médico e escritor.

CONTINUE LENDO
CLIQUE PARA COMENTAR

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias

Casamento no litoral cearense

Publicado

on

Laura e Rodolfo oficializaram sua união em uma cerimônia à beira-mar, no Ceará. A celebração reuniu familiares e amigos de Goiânia, Brasília e São Paulo, em uma programação marcada pela confraternização. Na foto, os noivos ao lado de Gyovana de Castro Carneiro, madrinha de Rodolfo.

CONTINUE LENDO

Notícias

Café da Tarde

Publicado

on

Kolontay Abrahão (E) recebeu, na tarde da última segunda-feira (02), no Bazar Villa Kolontay, o restaurateur Elpídio Fiorda Neto e Iris Araújo. Durante a visita, eles conferiram as últimas promoções da loja e aproveitaram para colocar a conversa em dia, saboreando um delicioso café da tarde acompanhado de pão de queijo.

CONTINUE LENDO

Notícias

Sorvete de Flocos

Publicado

on

JB Alencastro exclusivo para o D9 Notícias.

Final de tarde de um domingo cheio de sol e atividades. Caminhando, nadando, fotografando aves, almoçando uma pizza espetacular com vários copinhos de cerveja para degustar. Cada passagem, um encantamento. Uma descoberta.

E aí, olhando logo adiante, uma sorveteria. Se estivesse no México pediria um “helado de chispas de chocolate”. Pediu um sorvete de flocos, seu predileto.

Descobriu que na Austrália se diz “choc chip vanilla” e não “flake ice cream”. Vivendo e aprendendo.

Aliás, como é bom ser corrigido e descobrir o adequado naquele momento e hora. Ela pediu um de abacaxi. Detesta flocos, para ela é o pior sorvete do mundo. Ele tem dificuldades para odiar. Aquilo que não gosta, simplesmente evita. Olhando para cima, uma revoada de milhares de morcegos gigantes, chamados de “flying foxes”.

Centenas deles vão pousando num enorme ficus e fazendo uma algazarra semelhante a periquitos. Então, são eles que me saúdam ao entardecer na porta da minha casa, pensou.

E também no sorvetinho noturno.Engraçado como já havia tentado enganar sua companheira uma vez, pedindo “glace aux pépites” quando estiveram em Strasbourg, na França.

E nada. Ela reconheceu na hora o danado do flocos. Ofereceu com carinho, pois quando gostamos de algo, queremos dividir. Mas nem sempre o seu desejo é o desejo do outro. Necessita respeitar. E por isso, dentro da intimidade do casal, uma das coisas mais belas é o limite. O território daquilo que é bom para um mas não é para o outro.

O reconhecimento das preferências do ser amado e das suas próprias. Jamais pedir algo desagradável como “recompensa” por ter feito ou dito uma coisa bela. Imposição é feio.

Relações de poder são ruins. O melhor é a troca autêntica. Não adianta estar numa “gelateria” e solicitar um “gelato alla stracciatella” e aquela cor meio branca, meio amarelada, com os pedacinhos de chocolate denunciando o famoso sorvete de flocos.

Que ele fique com o seu sorvete. Só isso. Também respeitar as escolhas é fundamental. Nem todo mundo vai amar peixe e camarão e alguns podem até ter alergia, quiçá mortal. Insistir naquilo que sabiamente já está provado e satisfeito, não é educação. É o contrário.

É falta de. Quantas vezes não já lhe pediram para tomar “mais um cafezinho”, ou comer “mais um pão de queijo” e a refeição que fora tão gostosa, agora o empanturra.

Querer dividir algo que adoramos é bonito, mas pergunte antes se o outro também gosta. E se lhe perguntarem, seja sincero ao dizer que não, por exemplo. Amar é ver o outro satisfeito com suas escolhas.

E estando longe, torcer para que ele ou ela, esteja feliz mesmo na ausência. Aliás o amor mais bonito é aquele que na distância deseja o melhor para o outro. Que não cobra exclusividade e nem dedicação o tempo todo.

Por isso ele lá na China, deu uma volta no parque e pediu um 巧克力碎片冰淇淋 (qiǎokèlì suìpiàn bīngqílín) e voltou sorrindo com um belo pistacchio nas mãos, para ela.

O mundo gira, as pessoas mudam, e até as preferências também.

Por isso sempre pergunte (ou melhor ainda, descubra) o que o outro realmente quer, para que juntos possam comer até a casquinha do sorvete da vida.

JB Alencastro é médico e escritor

CONTINUE LENDO
Advertisement

noticias