Atrações culturais, shows, festival de massas e passeio ciclístico vão compor o 16ª Festival Italiano de Nova Veneza, que será realizado entre os dias 04 a 07 de agosto, com entrada gratuita
Com o tema “Uma boa massa , um bom vinho e uma boa companhia”, o Festival Italiano de Nova Veneza está repleto de novidades em sua 16ª edição. O evento que ficou parado dois anos em decorrência da pandemia, contará com aproximadamente 600 pessoas envolvidas na organização para receber cerca de 100 mil pessoas durante os quatro dias de festa.
A festa, que reforça a importância da cultura italiana, vai acontecer entre os dias 04 a 07 de agosto, em Nova Veneza, Goiás. A realização é da Prefeitura de Nova Veneza, com patrocínio da Enel Distribuição Goiás, por meio da Lei de Incentivo à Cultura/Goyazes. Tem também apoio da Câmara Municipal da cidade, Governo de Goiás, Secretaria de Estado da Cultura, tendo como correalizador o Sesc-GO.
O evento contará com o tradicional festival de massas. Por isso, toda a estrutura da cozinha da Nonna foi reformulada. Durante o Festival, 45 cozinheiras estarão conduzindo mais de 60 panelas de 20L para preparar as delícias italianas, como pasta de macarrão, carbonara, polpette, rotolo di pollo con salsa bianca, lasanha, nhoque, além das famosas polentas fritas com opções de molhos para todos os gostos.
Serão oferecidas mais de 20 opções de pratos que custarão de R$20,00 a R$40,00. Para Vânia Alves, coordenadora da cozinha da Nonna, estar de volta ao festival é motivo de alegria. Emocionada, a chefe de cozinha relembra os momentos difíceis que passou durante os dois anos que esteve longe da festa, mas destaca a alegria de realizá-lo novamente. “Eu cheguei a achar que nunca mais estaria aqui de novo por causa dessa pandemia, que nos trouxe muito sofrimento. Mas, depois de uma época triste, teremos um momento de reencontros e celebração à vida”, conta.
Além da culinária que é um dos carros-chefes da festa, o Festival Italiano de Nova Veneza também contará com uma vasta programação cultural gratuita, que visa fortalecer a cultura italiana. Shows como o do sertanejo Sérgio Reis, que é descendente de italiano e os Tenores do Brasil, são algumas opções. Confira a programação completa:
O cantor Sérgio abre as festividades do 16ª Festival de Nova Veneza, no dia 04. A apresentação musical começa ás 22 horas e a entrada é gratuita
Sérgio Reis
O sertanejo Sérgio Reis que assim como muitos venezianos, também é neto de imigrantes italianos, vai abrir as festividades no dia 4, às 22h. Fazendo uma mistura da cultura italiana e goiana, ele vai apresentar ao público as principais canções que emplacaram seus 64 anos de carreira, como: O Menino da Porteira, Panela Velha, Coração de Papel, Pinga Ni Mim e o clássico O mineiro e o Italiano. Alguns sucessos serão interpretados na língua italiana.
Ricardo Tucci
O músico acordeonista Ricardo Tucci vai se apresentar no sábado, dia 06, às 12h. O instrumentista teve os primeiros contatos com a música aos 7 anos de idade, com o incentivo do seu tio. Natural de Goiânia, mas com descendência Italiana, ele costuma tocar em restaurantes voltados à culinária da Itália. Clássicos como Con te partiro, Al di lá, Santa Lúcia, Tornasuriento e Tarantellas serão algumas canções que vão compor sua apresentação em Nova Veneza.
Os tenores do Brasil são atrações confirmadas no 16ª Festival Italiano de Nova Veneza
Os Tenores do Brasil
O grupo formado pelos tenores Ricardo Régis e Marcelo Zanlucci é uma das atrações confirmadas para o dia 05 de agosto, às 22 horas. Os Tenores do Brasil se conheceram em 1996, em um coral municipal da cidade de Amaré, São Paulo. Após o encerramento do coral, em 1998, eles montaram uma dupla e em uma ocasião especial, tocaram uma música do tenor Andrea Bocelli. A partir de então, se apaixonaram pela música e cultura da Itália, e resolveram se dedicar às canções italianas. A paixão foi tão forte que participaram em 2022, durante 42 semanas do quadro “Quem sabe canta” do apresentador Raul Gil, defendendo a cultura Italiana, além disso, tiveram a honra de cantar para o Papa João Paulo II em Roma, em 2004. Para o Festival Italiano de Nova Veneza, os tenores preparam um repertório repleto de novidades para encantar os participantes da festa.
Grupo Folclórico Ítalo-Brasileiro de Nova Veneza
O Grupo Folclórico Ítalo-Brasileiro de Nova Veneza, Santa Catarina, também marcará presença nos dias 05, 06 e 07 de agosto. Atualmente formado por 36 pessoas, incluindo homens, mulheres e crianças, o grupo fundado em 1991 preserva as raízes da cultura italiana através da dança e já recebeu premiações por sua performance. Para o Festival Italiano de Nova Veneza deste ano, eles trarão 12 coreografias, incluindo algumas reformuladas e outras inéditas. Temas como Festa del Vino e Un vero amore in guerra que retratam a produção vinícola e a guerra cívil serão apresentados através da dança.
O tradicional Festival de máscaras também agitará o sábado, 06 de agosto, em Nova Veneza, Goiás
Baile de máscaras
Tradicionalmente realizado aos sábados, o baile de máscaras é mais uma atração confirmada no 16ª Festival Italiano de Nova Veneza. Resgatando o histórico do carnaval de Veneza, festa que marcava o início quaresma e foi instituída no calendário Veneziano em 1904 pelo doge Vitale Falier. O baile em Goiás, segue a mesma tradição milenar do anonimato através das máscaras e traz diversão e brincadeiras para os foliões. De forma gratuita, os participantes poderão aproveitar a festa, ao som da cantora goiana, Anna Paula Drigo. Com quase 20 anos de carreira, ela possui descendência italiana na família e promete agitar a noite de Nova Veneza, com um repertório animado, resgatando as marchinhas italianas. As festividades acontecerão no dia 06, a partir das 21 horas.
Jovens talentos
E a programação não para por aqui. Dois grupos de alunos do 1ª ao 5ª ano da escola municipal de Nova Veneza vão apresentar concertos em Italiano. Além deles, aproximadamente quinze casais vão retratar temas importantes da história da Itália, através da dança. Para a secretária de educação de Nova Veneza, Helayne Fonseca Martins, retomar esse evento é motivo de alegria. “Estamos todos ansiosos por esta belíssima festa que, além da economia, também, movimenta a cultura e o lazer da cidade”, conta.
Música com Waldir Amaral
Fechando a 16ª edição do Festival Italiano de Nova Veneza com chave de ouro, o cantor nova venezense, Waldir Amaral, apresentará os sucessos que embalaram a Itália durante os anos de 1960, 1970 e 1980 . O artista está há 12 anos participando dos festejos de Nova Veneza, em Goiás. Sua apresentação será no domingo, 7 de agosto, às 14 horas.
Esportes
Além das atrações musicais, o evento aposta em esportes como bocha e cipó. A Bocha é um esporte de tradição italiana jogado entre duas pessoas ou duas equipes, sendo quatro bochas (bolas) para cada equipe e consiste em lançar as bochas e situá-las o mais perto possível de um bolim (bola pequena), previamente lançado.
Neste ano, o Festival contará também com um passeio ciclístico no sábado, dia 06 de agosto, a partir das 06 da manhã. No local de concentração, os participantes poderão degustar de café da manhã e o passeio faz um circuito pelas fazendas da região, com 33 quilômetros de distância em estrada de chão. No final do trajeto, haverá sorteio de brindes para os ciclistas.
Panelaço
E para encerrar com chave de ouro, o 16ª Festival de Nova Veneza encerra suas atividades com o tradicional panelaço. Apesar do nome, não é manifestação política, trata-se de um desfile, realizado por todos os cozinheiros do festival, batendo suas panelas e fazendo uma divertida e animada sincronia. O ato sintetiza o sucesso realizado durante os 4 dias de festa e será realizado no dia 07 de agosto, às 18h.
Parceiros
A 16ª edição do Festival Italiano de Nova Veneza conta também com o apoio das empresas parceiras: Constru+ Incorporadora, São Salvador Alimentos, Super Frango, Boua, Bonare, Galo, Renata, Di-Cheff, Fecomércio-GO, Lucas Gás, Interseg Turbo, Quinta do Morgado vinhos e sucos, Cordelier vinhos e espumantes, Ríboli Representações e Sicoob Credicapa.
O duo Primas, formado pelas cantoras Míriam Veiga e Márcia Jácomo, apresenta o show Bossa Nova e Brasileirices com Primas no dia 16, sexta- feira, na Cerrado Cervejaria. A apresentação é a estreia do projeto Toca da Bossa, uma cena cultural da bossa nova em Goiás. O repertório combina a bossa nova com samba-canção, MPB e jazz. As edições são produzidas pelas cantoras Míriam Veiga e Márcia Jácomo, que receberão convidados de excelência. O show intimista é direcionado aos apreciadores da boa música. No repertório estão músicas de Tom Jobim, João Donato, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros. “Propor uma noite de bossa em 2026 é afirmar que esse repertório é contemporâneo, atual e sempre renovável”, afirma Míriam Veiga. Márcia Jácomo e Míriam Veiga são primas e, além de terem o trabalho individual, têm também o projeto Primas, no qual compartilham o palco da Toca na Bossa, com muita bossa, ritmo, sensibilidade e alegria. Na estreia, as cantoras estarão acompanhadas pelos músicos Luiz Alves (violão), Ney Quiñonero (guitarra), Luiz Sardinha (contrabaixo) e Jader Gomes (bateria).
Serviço Show: Bossa Nova e Brasileirices com Primas (Projeto Toca da Bossa) Cantoras: Duo Primas (Míriam Veiga e Márcia Jácomo) Local: Cerrado Cervejaria (Av. T-3, nº 2.456, Setor Bueno) Data: 16 de outubro, sexta-feira Horário: 20h30 Reservas de mesas: Míriam Veiga (99933-7340) Assessoria de imprensa: Ana Cláudia Rocha (99646-8070)
As cantoras
Márcia Jácomo e Míriam Veiga são cantoras e compositoras. Começaram suas carreiras na década de 1990, acompanhadas por renomados músicos da cena goiana e nacional, ao lado de Bororó Felipe, Marcelo Maia, Fred Valle, Luiz Chafin, dentre outros. As cantoras foram backing vocal da alemã Anne Higis em show feito em Goiânia. Fazem shows em Goiânia e algumas cidades do Estado de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Brasília. Márcia Jácomo cantou muitos anos na Georgia (EUA), onde fez duo com o virtuoso violonista pernambucano Ednaldo Queiroz. Na Califórnia (EUA), cantou na banda Mais Bossa, reconhecida e aplaudida nos bares e teatros Californianos, acompanhada pelos músicos Marcos Silva, Alex Calatayud, Billy Larkin, Patrick Langham, Kevin Welch, Scott Thompson, Dave Ridnell, dentre outros (músicos reconhecidos na cena californiana). Fez participação especial em show de Mônica Salmaso, Guinga, Chico Pinheiro, Mauricio Zotarelli e outros em Cazadero California. Míriam Veiga apresentou seu trabalho em várias cidades da Itália e também em bares de Londres, acompanhada por músicos brasileiros atuantes na cena musical Londrina. Participou de festivais em Goiás, como Projeto Pixinguinha, Canto da Primavera, Canto de Ouro, dentre outros festivais. Cantou em três edições do carnaval de Diamantina, gravou o CD autoral A Cores, que está disponível nas plataformas digitais.
Entrevista / Míriam Veiga Em que consiste o projeto Toca da Bossa? O projeto Toca da Bossa é uma cena cultural da bossa nova em Goiás. Na Toca da Bossa, os apreciadores da bossa nova e da música que orbita o gênero — o samba-canção, a MPB, o jazz — se reúnem em um formato pensado para a intimidade característica da bossa: palco baixo, mesa próxima, luz quente, volume na medida, quantidade limitada de pessoas nas apresentações. Cada edição é conduzida pelo duo Primas, formado pelas cantoras Míriam Veiga e Márcia Jácomo. As artistas recebem músicos convidados de excelência. É a bossa como ela nasceu: intimista, ao vivo e a poucos centímetros do público. É importante destacar que a proposta é de um show de bossa em um local intimista, o que é diferente de um bar com música ao vivo. No projeto a bossa é a estrela principal que será apreciada na companhia de um bom vinho, drink ou cerveja, harmonizando com o cardápio do local. A proposta é que seja um ambiente para apreciadores da música.
Por que a escolha pela bossa nova? Porque a bossa nova é, possivelmente, um dos estilos musicais mais sofisticados que o Brasil já exportou — e continua viva quando alguém se dispõe a cantá-la, com respeito e com frescor. Ela nasceu de um jeito novo de tocar e cantar, virou língua universal e ainda hoje influencia a música popular e o pop no mundo inteiro. Propor uma noite de bossa em 2026 é afirmar que esse repertório é contemporâneo, atual e sempre renovável. Além disso, Goiás produz vários estilos musicais, como sertanejo, rock, MPB e também tem influência da bossa em sua produção musical.
Qual a ligação das cantoras com a bossa nova? A ligação é de ofício e de devoção. As duas cantoras construíram suas carreiras cantando o repertório brasileiro — e a bossa nova sempre foi a espinha dorsal dessa trajetória, pela exigência técnica que ela impõe: harmonia sofisticada, fraseado preciso e a arte de cantar em meia voz e ainda assim envolver uma sala inteira. A música é envolvente com letras inspiradoras e belas harmonias, que geram uma experiência leve e profunda para o público. Tom Jobim, César Camargo Mariano, Boca Livre, João Gilberto, Elis Regina, Toquinho e Vinícius de Moraes, além de outros cantores e compositores brasileiros, fazem parte da referência musical das Primas que sempre apreciaram este estilo musical.
A bossa nova é um estilo musical dos anos 1950 que sobrevive e tem muitos ouvintes. Qual a razão? O estilo foi desenhado para perdurar no tempo. A bossa nova nasceu com dois elementos que não passam de moda: harmonia sofisticada — emprestada do jazz — e melodia que parece conversa. Isso faz com que cada geração a redescubra: em playlists, em trilhas de filme, em releituras de artistas novos, além de fazer parte da memória afetiva de várias gerações. E há um outro fator decisivo: a bossa é feita para ser ouvida ao vivo, e um ambiente intimista combina muito bem com a sensibilidade da bossa nova. E é exatamente aí que a Toca da Bossa entra, para manter vivo esse movimento musical tão relevante no cenário cultural brasileiro, perpertuando a bossa para as novas gerações.
Quem são as inspirações? João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão e Carlos Lyra — os pilares. E, na linha do protagonismo feminino que guia o duo, Elis Regina, Nara Leão, Miúcha, Joyce, Leila Pinheiro, Rosa Passos, mulheres que provaram que a sutileza da bossa cabe perfeitamente numa voz feminina à frente da cena.
No repertório vocês incluem alguma composição autoral? Sim, e esse é um dos diferenciais do projeto. Além dos clássicos consagrados do gênero e das releituras da MPB, a Toca da Bossa abre espaço para composições autorais das Primas e de outros convidados que participarão do projeto, sejam músicos ou cantores, colocando música nova lado a lado com o cânone. É a forma que encontramos de honrar a tradição e, ao mesmo tempo, alimentá-la: a bossa nova nasceu como música de jovens compositores, continuar compondo nesse universo é a melhor forma de homenageá-la, apresentando estilos musicais universais produzidos em Goiás, e provavelmente pouco conhecidos.
As apresentações serão sempre no mesmo local? Não, necessariamente. A Toca da Bossa poderá acontecer a cada temporada em um espaço pareceiro que seja acolhedor para o público, sempre nesse conceito intimisma que a bossa pede, com foco também no conforto do público em relação ao clima da cidade, acessibilidade e atendimento. Mas o espírito da Toca da Bossa é sempre o mesmo: espaço intimista, acústica boa e público sentado perto do palco. Assim, o projeto circula pela cena e leva a bossa a diferentes públicos e bairros.
Qual a periodicidade? Mensal, sempre com data divulgada com antecedência nos canais do projeto. A periodicidade fixa é intencional: cria um ritual, um encontro agendado de quem ama o gênero, e permite que o público acompanhe a série como quem coleciona as edições de uma coleção.
O duo terá convidados especiais no palco?
Sim. Esse é o coração do conceito: a cada edição, novos convidados sobem ao palco — instrumentistas e cantores de destaque da cena de Goiás e convidados de outras praças —, formando, noite a noite, um combo sempre novo. Nenhuma edição é igual à outra. O mesmo clássico ganha cor, instrumentação e humor diferentes a cada encontro. O público volta não só para ouvir a bossa, mas para descobrir quem vem. A primeira apresentação do dia 16 de outubro apresenta o show das Primas, acompanhadas pelo talento dos músicos Luiz Alves (violão), Ney Quiñoreo (guitarra), Luiz Sardinha (contrabaixo), Jader Gomes (bateria).
A formação da banda será sempre a mesma? Há uma base instrumental de referência — violão, contrabaixo, guitarra e percussão — que garante a identidade sonora e a segurança técnica do projeto. Mas, como os convidados mudam a cada edição, a formação se reinventa noite a noite: uma edição pode ser com um quinteto completo, outra com um trio mais cru e intimista. Essa plasticidade é proposital, mantém o público curioso e os músicos alertas, que é como a bossa nova gosta de ser tocada: no risco controlado do ao vivo.
Intitulada “Cada desenho é um santuário”, mostra reúne obras do artista que articulam palavra, imagem, memória e religiosidade, sob curadoria de Bitu Cassundé; abertura acontece dia 15 de outubro, na Galeria Frei Confaloni
A Galeria Frei Confaloni, no Centro Cultural Octo Marques, recebe, a partir do dia 15 de outubro, a exposição “Cada desenho é um santuário”, exposição individual do artista Estêvão Parreiras. Com curadoria de Bitu Cassundé e em cartaz até 28 de novembro, a mostra reúne cerca de 100 desenhos construídos a partir de uma linguagem em que palavra e imagem se encontram para abordar memória, religiosidade, corpo, desejos e experiências que atravessam o artista. A abertura acontece às 19h, com entrada gratuita, e a programação conta com visita guiada pelo curador às 19h45.
O projeto foi construído a partir de uma série de encontros e de uma imersão de Bitu Cassundé no ateliê de Estêvão, em Goiânia, onde o curador percorreu mapotecas, arquivos e cadernos do artista, revisitando diferentes eixos de sua produção, seus interesses e suas materialidades. Esse processo de escuta e diálogo entre artista e curador orientou a construção da exposição, que parte do desenho como elemento central da pesquisa de Estêvão e evidencia uma espécie de vocabulário visual que se repete e se transforma ao longo de sua produção.
“Nessas recorrências, há uma ritualística entre imagem e palavra que remete às experiências com o sagrado vividas desde a infância do artista. É desse universo conectado ao divino que surge um elemento importante e contextual: o ex-voto que, em sua missão de celebrar uma graça alcançada, ocupa em suas obras o lugar de encontro entre o que se deseja e o que se consegue alcançar”, observa Bitu.
Estêvão reitera que a palavra aparece em suas obras não necessariamente para explicar ou ilustrar as imagens, mas para criar novas possibilidades de leitura. “A palavra e a imagem existem, de certo modo, em uma relação harmoniosa, mas também dúbia, em que uma provoca a outra. Nenhuma das duas está ali para ilustrar a outra; elas existem para abrir novas questões dentro do desenho, dentro da obra”, afirma o artista.
Entre o sagrado e a memória
A religiosidade é outro eixo importante da exposição. Corações, anjos, estrelas, coroas de espinhos, chamas e ex-votos aparecem como elementos recorrentes, relacionados às experiências de Estêvão desde a infância, quando vivia em Pouso Alegre, em Minas Gerais, e participava de romarias com a família. Essa memória permanece em sua produção e se transforma em uma investigação sobre o sagrado, a oferta, o desejo e a própria experiência do fazer artístico.
“Hoje, deixo-me impregnar por isso. Tento, à minha maneira, transformar meu trabalho também em uma oferta ao divino”, afirma o artista. O ex-voto, em especial, ganha uma dimensão central nessa pesquisa por carregar a ideia de algo que é entregue ao sagrado e pode guardar consigo o corpo, a memória ou o desejo de alguém. Nos desenhos, essa referência é reinventada e se aproxima da própria noção de criação como uma forma de oferta.
Essa dimensão ritualística está diretamente relacionada ao título da exposição. No texto curatorial, Bitu Cassundé observa que o desenho de Estêvão estabelece uma espécie de circularidade entre traços, cores e palavras, aproximando-se de uma oração. O curador também destaca a presença do corpo, entre buscas, chagas e desejos, e a maneira como a ficção desestabiliza uma leitura puramente biográfica dos trabalhos.
Assimilar, transformar, devolver
Outro elemento recorrente na produção do artista é a boca, especialmente a ideia do “regurgitar”. Tudo aquilo que o atravessa — uma música, um livro, uma conversa, um filme, uma experiência religiosa ou uma situação cotidiana — pode ser assimilado e, posteriormente, transformado em desenho. “O movimento de receber, assimilar, transformar e devolver ao mundo aquilo que me atravessou é justamente uma das formas pelas quais compreendo meu processo artístico”, pontua Estêvão.
Também aparecem nos trabalhos personagens envolvidos em jornadas de solidão, encontro e transcendência. São figuras que podem assumir a forma de um ermitão ou de um peregrino, atravessando montanhas, rios e paisagens imaginárias. Para Estêvão, essa trajetória não acontece apenas no plano geográfico, mas também como uma travessia por questões existenciais, pelo inconsciente e pelo consciente, entre aquilo que existe dentro de cada um e aquilo que o mundo oferece.
O título “Cada desenho é um santuário” sintetiza essa perspectiva ao compreender o papel como um espaço de abrigo e permanência — um lugar onde pode permanecer aquilo que dói, aquilo que se deseja e aquilo que se reza. Como um ex-voto, cada desenho guarda simultaneamente uma súplica e um agradecimento, completando-se também no olhar de quem o encontra.
Serviço
Exposição “Cada desenho é um santuário” – Estêvão Parreiras Curadoria: Bitu Cassundé Abertura: 15 de outubro, às 19h; visita guiada com Bitu Cassundé às 19h45 (em cartaz até 28 de novembro) Local: Galeria Frei Confaloni – Centro Cultural Octo Marques Endereço: Rua 4, nº 515, Edifício Parthenon Center, Centro Visitação gratuita
Show de stand up comedy será realizado no dia 11 de outubro, às 18h, no Teatro PUC, com histórias sobre juventude, relacionamentos e situações do cotidiano. Os ingressos estão disponíveis no site Ingresso Digital
O Teatro PUC, em Goiânia, recebe no dia 11 de outubro, às 18h, o espetáculo “Altos e Baixo”, um show de stand up comedy que reúne os humoristas goianos Guilherme D’Lucca, Breno Castro e Seu Geraldo, personagem interpretado por Leonardo Gomes. A apresentação parte das experiências dos três artistas para transformar histórias da juventude, relacionamentos amorosos e situações do cotidiano em momentos de humor.
Os ingressos estão disponíveis no Ingresso Digital (https://ingressodigital.com/), com valores entre R$ 15 a R$ 70, de acordo com o setor escolhido na plateia e o tipo de ingresso (inteira, social ou meia).
A proposta do espetáculo nasceu da dinâmica entre três personalidades diferentes que, apesar das particularidades, encontram na amizade e no humor uma forma de contar histórias que fazem parte da vida de muita gente. No palco, os humoristas compartilham situações que, muitas vezes, parecem improváveis ou exclusivas de suas próprias trajetórias, mas que acabam despertando identificação no público.
Com diferentes estilos e perspectivas, Guilherme D’Lucca, Breno Castro e Seu Geraldo conduzem a apresentação a partir de experiências pessoais e observações sobre o dia a dia. As histórias abordam temas como juventude, relações amorosas e os percalços da vida adulta, sempre com espaço para improviso e situações inesperadas.
O nome “Altos e Baixo” também resume a mensagem central do espetáculo: a vida é marcada por momentos bons e difíceis, mas o bom humor pode ser uma maneira de atravessar os acontecimentos do cotidiano. A apresentação busca transformar essas experiências em uma noite de diversão, aproximando os artistas do público por meio de histórias com as quais diferentes pessoas podem se identificar.
SERVIÇO:
Espetáculo Altos e Baixo em Goiânia
Data: 11 de outubro
Horário: 18h
Local: Teatro PUC (Avenida Fued José Sebba, Quadra A 16 1184, Goiânia)