Entre o nosso apartamento e a praia de Tanjong Tokong existe uma pracinha. Muito bem arborizada, cercada pelo ar marítimo do quebra-mar ao lado esquerdo e o fluxo de pedestres, corredores e turistas vindos da “promenade” do lado direito. É um dos meus lugares favoritos aqui na Ilha de Penang, Malásia.
Gosto de me sentar ali ao fim de tarde, depois do sol se por, voltando da areia, o que ocorre por volta das 19h30. E então a mágica acontece. Gatos. Eles surgem de toda parte. Não é uma invasão orquestrada. Eles claramente pertencem aquele lugar. Poucos miados. Descubro os pratinhos de alimentação. Algumas pessoas aparecem e colocam comida para eles.
São bem cuidados. Muitos tem coleira e algumas delas com sininho. O que eles detestam, segundo me confidenciou um felino residente no local. A coloração é muito sortida. Existem os laranjões, os brancos, as tricolores, os rajados, os pretos, os “frajolas”, os tigrados e também o líder deles, o siamês.
Devo lembrar que o mais comum aqui é o gato Thai. Que era o siamês original. Mais quadrado, não tão magro e com o rosto menos triangular do que como o que vemos no Ocidente. Mas ainda muito atlético, com as pontas das orelhas, nariz, patas e cauda bem escuros. E aqueles olhos azuis hipnotizantes. Você precisa ter muita personalidade para mirar no olho de um deles por mais de um minuto. Eles sustentam a encarada.
Só de observar vejo que cada um deles têm uma personalidade diferente. Uns se aproximam de mim, muitos mantém uma distância regulamentar e ainda outros simplesmente me ignoram. Mas estou ali. Socializando lentamente. Depois de alguns dias começo a fazer parte da comunidade. Ouço miados lânguidos. Vejo corridinhas exibicionistas. E até algumas demostrações de força e territorialidade.
Arrisco acariciar aqueles que mais se aproximam. Agacho de cócoras, hábito adquirido há um ano e pouco, e fico relativamente na linha de visão deles. Muitos aproveitam esse momento e sobem no banco onde eu estava. Sempre em silêncio, vou perscrutando ao redor para verificar se identifico algum novo bichano no pedaço.
E aí então vem o Cotoco. Assim o apelidei. Vou descobrir seu nome real. Ele não tem rabo. Aliás, tem um resquício. Isso lhe dá uma nobreza imediata. Caminha lento entre a gataria. É respeitado. Parece ser mais velho, é um pouco maior do que os demais. Só um pouco. Sua presença atiça minha curiosidade. Teria sido um acidente? Uma espécie de marca feita pelo tutor? Uma nova raça, que desconheço? Ou uma mutação genética ocasional? Como os gatos Manx?
Assim como veio, foi. Não deu nem tempo de me aproximar, apesar de que ele notadamente checou minha presença. Fiquei meio que decepcionado. Já estava na hora de ir jantar e quando me levantei e fui caminhando deparei-me com ele. Só. Mas ao aproximar-me, vi que era outro gato. Parecido, mas menor. Mais ágil. Conversamos. Falo seis línguas, mas gatês, ainda bem, é universal. Nos entendemos imeditamente.
Ele é filho do Kuching, vieram de Brunei. A maioria da família deles nasce assim, como muitos “gatuskos” do Sudoeste Asiático. Por uma semana me observaram. Aprovaram. Acharam minha humanidade engraçada. O pessoal disse também que eu era legal e que não oferecia perigo, mas também não trazia comida. Concluiram que o meu interesse era gatológico, assim como o deles era antropológico.
Na verdade a atração do local era eu. Quantas vezes julgamos e somos julgados pela aparência? Pelo comportamento nem sempre habitual? Necessário um tempo para acostumarmos a quaisquer pessoas, gatos e tal. E nem sempre, agradaremos a todos. Não que isso seja mau. Miau.
O Show Musical”, atriz encara novo desafio no audiovisual e integra produção sobre a trajetória de Lélia Gonzalez.
A atriz Isabella Daneluz, que vem construindo sua trajetória especialmente nos palcos e no teatro musical, prepara-se para um novo momento na carreira.
A artista amplia sua atuação no audiovisual ao interpretar Ana Felippe em uma produção dedicada à trajetória de Lélia Gonzalez, uma das mais importantes intelectuais, escritoras e ativistas brasileiras.
A obra resgata a história e o legado de Lélia Gonzalez, referência fundamental do pensamento social brasileiro e dos debates sobre racismo, sexismo, identidade, cultura e a realidade das mulheres negras no país.
Na produção, Isabella interpreta Ana Felippe, personagem ligada à trajetória de Lélia e apresentada na narrativa como uma de suas amigas e escritoras próximas, contribuindo para revelar também as relações pessoais, afetivas e intelectuais que fizeram parte dessa história.
Atualmente em turnê com “Miraculous Ladybug:
O Show Musical”, que chega a São Paulo em outubro, Isabella vive a experiência de transitar entre duas linguagens distintas.
Acostumada à intensidade, à projeção e à presença exigidas pelo teatro, a atriz encontra diante das câmeras um trabalho marcado pelas sutilezas da interpretação, pelos detalhes e pela construção de emoções em uma escala diferente.
A nova experiência representa também uma oportunidade de ampliar seu repertório artístico.
A passagem dos palcos para o audiovisual exige adaptações na forma de interpretar e permite que Isabella explore novas possibilidades profissionais, conciliando a experiência adquirida no teatro musical com os desafios de uma produção cinematográfica.
As gravações acontecem em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro, cidades que integram a construção da narrativa e ajudam a dimensionar a trajetória retratada.
Ao reunir história, memória, cultura e representatividade, o projeto busca aproximar o público, inclusive as novas gerações, do pensamento e do legado deixado por Lélia Gonzalez.
Entre os palcos e as telas, Isabella Daneluz segue ampliando os caminhos de sua carreira.
Depois de conquistar espaço no teatro musical, a atriz passa a explorar com maior intensidade o audiovisual, levando sua experiência e sensibilidade artística para uma produção que recupera uma personagem fundamental da história brasileira e as pessoas que fizeram parte de sua trajetória.
Durante palestra, especialista apresentou aos médicos uma novidade na área da genética que amplia as possibilidades de prevenção, diagnóstico e personalização dos cuidados com a saúde.
O geneticista Dr. Neto foi um dos palestrantes do MEDX Experience, realizado nesta sexta-feira (28), no K Hotel, em Goiânia.
O encontro reuniu médicos em uma programação de imersão voltada à ciência aplicada à prática, tecnologia, gestão, inovação e aos novos caminhos que vêm transformando a medicina.
Durante sua participação, Dr. Neto apresentou aos profissionais presentes uma novidade relacionada ao mapeamento genético, apontada como um importante avanço para uma medicina cada vez mais individualizada.
A tecnologia permite ampliar a compreensão sobre características genéticas de cada pessoa e, a partir dessas informações, contribuir para estratégias mais direcionadas de prevenção, acompanhamento e cuidado.
A proposta representa uma mudança de perspectiva: além de atuar diante de doenças já instaladas, os avanços da genética possibilitam conhecer previamente determinadas predisposições e características individuais que podem auxiliar médicos e pacientes na tomada de decisões ao longo da vida.
Segundo o pesquisador Dr. Neto, o crescimento da medicina genética abre espaço para uma abordagem mais precisa, na qual cada paciente passa a ser analisado considerando também informações presentes em seu DNA.
O mapeamento pode oferecer dados que, associados à avaliação médica, histórico familiar, hábitos e outros exames, ajudam a construir uma visão mais ampla e personalizada da saúde.Durante a palestra, o geneticista destacou que essa evolução pode impactar diferentes áreas da medicina, justamente por fornecer informações capazes de auxiliar profissionais na compreensão de riscos individuais e na definição de estratégias de acompanhamento mais adequadas para cada perfil.
A novidade apresentada no MEDX Experience reforça um movimento que vem ganhando espaço na medicina: a transição de modelos generalizados de cuidado para uma atuação cada vez mais preventiva, preditiva e personalizada, utilizando a genética como uma importante aliada.
O MEDX Experience é direcionado a médicos que buscam acompanhar as transformações do setor e reúne ciência, tecnologia, gestão e inovação em uma programação voltada à aplicação prática do conhecimento.
A participação de Dr. Neto colocou a genética no centro dessa discussão, mostrando como informações presentes no DNA podem contribuir para uma nova forma de compreender a saúde e pensar a medicina do futuro.
Em plena era da inteligência artificial e da produção cada vez mais acelerada, processos artesanais voltam a ganhar protagonismo.
Para a arquiteta Camila Pimenta, não é nostalgia: é uma nova percepção de valor.
Quanto mais a tecnologia acelera a criação e torna possível reproduzir praticamente qualquer coisa, mais atenção o design contemporâneo parece dedicar àquilo que não pode ser replicado exatamente da mesma maneira.
Vidros soprados individualmente, pedras trabalhadas como esculturas, metais moldados, marcenaria, bordados e peças produzidas em pequenas séries voltam a ocupar espaço relevante na arquitetura.
Para Camila Pimenta, esse movimento não representa uma rejeição à tecnologia.
Pelo contrário.“A tecnologia amplia aquilo que podemos fazer.
Mas repertório, sensibilidade e intenção continuam determinando o que realmente vale a pena fazer.”
A arquiteta acredita que o encontro entre processos tecnológicos e conhecimento artesanal será cada vez mais importante.
Uma peça pode nascer de modelagem digital e engenharia de alta precisão e ainda depender das mãos de um artesão para adquirir sua característica mais especial.
E, nesse cenário, até pequenas variações passam a ter outro significado.“
Existe uma diferença enorme entre imperfeito e mal executado.
O artesanal que me interessa tem precisão, mas preserva aquilo que torna cada peça única.”
A mudança também chega à curadoria dos interiores.
Além de perguntar quem assina determinado objeto, passa a importar onde ele foi produzido, quem o executou, qual técnica foi utilizada e qual história existe por trás dele.
É uma lógica que Camila leva aos próprios projetos.
Sua pesquisa atravessa fabricantes, galerias, artistas, artesãos e diferentes países em busca de algo específico para cada residência.
E nem sempre a resposta está disponível no mercado.
“Às vezes procuramos no mundo inteiro e percebemos que a peça certa simplesmente não existe. Então, precisamos criá-la.
É justamente nesse ponto que arquitetura, interiores, arte e design de produto começam a se aproximar.
Em vez de uma residência construída apenas a partir de escolhas de catálogo, surgem peças desenvolvidas especificamente para aquele espaço e aquela família.
Para Camila, o retorno do feito à mão, portanto, não deve ser entendido como uma tendência estética. É consequência de um momento em que autoria, procedência e tempo voltam a participar da percepção de valor de um objeto.
“Talvez o futuro do design não esteja em escolher entre a mão e a máquina, mas em saber exatamente o que devemos pedir a cada uma delas.”