Iniciativa pioneira dedicada ao cinema realizado por mulheres negras recebe inscrições até 30 de maio e homenageia a cineasta Joyce Prado
Em um cenário ainda marcado por desigualdades estruturais no acesso, financiamento e circulação no audiovisual, a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio se consolida como um dos mais importantes espaços de visibilidade, reconhecimento e projeção para o cinema realizado por mulheres negras.
Pioneira no Brasil ao colocar essas narrativas no centro da cena, a iniciativa chega à sua 8ª edição reafirmando seu papel político, cultural e simbólico, ao mesmo tempo em que fortalece redes, amplia repertórios e contribui diretamente para a transformação do campo audiovisual brasileiro e internacional.
As inscrições seguem abertas até o dia 30 de maio de 2026 e contemplam produções nacionais e internacionais dirigidas por mulheres negras — cis e trans — em diferentes formatos e gêneros, como ficção, documentário, animação e experimental.
Podem ser inscritos curtas, médias, longas-metragens, telefilmes e videoclipes finalizados em formato digital, desde que atendam aos critérios técnicos do edital.
A participação é gratuita, e os filmes selecionados irão compor a programação oficial da Mostra, além de poderem integrar sessões especiais, ações formativas e circuitos de exibição em instituições culturais e educacionais, ampliando o alcance das obras e o diálogo com diferentes públicos.
As obras em língua estrangeira devem conter legendas em português, e os filmes selecionados integrarão a programação oficial da Mostra, podendo também compor sessões especiais, ações formativas e exibições em instituições culturais e educacionais, sempre sem fins comerciais.
Além da exibição, as produções concorrem a premiações em diversas categorias, como melhor filme, direção, roteiro, atuação e júri popular, além de possíveis menções honrosas, reforçando o compromisso do festival com o reconhecimento artístico e a valorização dessas narrativas.
A participação deve ser realizada por meio das plataformas oficiais, onde estão disponíveis os editais completos e os formulários de inscrição, nos seguintes links:
A programação será realizada entre os dias 9 e 14 de novembro de 2026, em formato híbrido, reunindo produções de diferentes territórios e fortalecendo o intercâmbio entre realizadoras negras de diversas partes do mundo.
Criada como um gesto político e cultural de afirmação, a Mostra nasce do compromisso de enfrentar as desigualdades históricas do setor audiovisual, especialmente no que diz respeito ao acesso de mulheres negras aos espaços de criação, produção e difusão.
Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma plataforma estratégica de projeção para obras que, por muito tempo, foram invisibilizadas ou marginalizadas, contribuindo para a construção de novos imaginários e narrativas.
Ao priorizar exclusivamente filmes dirigidos por mulheres negras, o projeto inaugura e sustenta um território simbólico e concreto de protagonismo, ainda raro no circuito de festivais brasileiros e internacionais.
A Mostra homenageia permanentemente Adelia Sampaio, figura central na história do cinema brasileiro e referência incontornável quando se fala em pioneirismo e ruptura.
Primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no país, Adelia desafiou as estruturas raciais e de gênero de um setor historicamente excludente, abrindo caminhos em um contexto de profundas limitações de acesso e oportunidades.
Sua trajetória representa não apenas um marco histórico, mas também um gesto contínuo de resistência e invenção, que inspira o próprio sentido de existência da Mostra: criar condições reais para que outras mulheres negras possam dirigir, produzir, circular e sustentar suas próprias narrativas no audiovisual.
A Homenagem a Joyce Prado reforça memória, legado e continuidade no cinema negroNesta 8ª edição, a Mostra presta homenagem à cineasta Joyce Prado, falecida em 2025, cuja trajetória marcou de forma profunda e sensível o audiovisual negro contemporâneo, especialmente por sua capacidade de articular estética, política e território em suas obras.
Diretora e roteirista, Joyce Prado construiu uma filmografia comprometida com representações complexas e plurais da população negra, com atenção especial às experiências de mulheres negras em diferentes contextos sociais.
Sua produção tensiona padrões hegemônicos de linguagem e narrativa, ao mesmo tempo em que propõe novas formas de ver, sentir e contar histórias, contribuindo para a ampliação do repertório imagético e simbólico do cinema brasileiro.
Também é co-fundadora da APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro), organização fundamental na articulação, formação e fortalecimento de profissionais negros no cinema e no audiovisual no Brasil.
A atuação de Joyce nesse espaço reforça seu compromisso político com a transformação estrutural do setor, ampliando oportunidades e incidindo diretamente na construção de um mercado mais diverso e equitativo.
A relação da cineasta com a Mostra também se deu de forma direta e afetiva.
Na edição anterior, realizada em 2025, a programação recebeu Joyce Prado como ministrante de uma oficina formativa de roteiro audiovisual, em um momento de troca e construção coletiva que marcou profundamente as participantes e reforçou seu compromisso com a formação de novas realizadoras.
Sua presença foi reconhecida não apenas pela excelência artística, mas também pela generosidade no compartilhamento de processos e saberes.
Ao homenageá-la nesta edição, a Mostra não apenas reconhece sua contribuição artística, mas também celebra sua presença, sua escuta, sua generosidade e o impacto de sua atuação na formação e no fortalecimento de outras mulheres negras no audiovisual.
A homenagem se afirma, assim, como um gesto de continuidade, memória e compromisso com o futuro.Idealizadora da Mostra, a professora Edileuza Penha de Souza destaca que a iniciativa se constrói a partir da urgência de criar espaços de reconhecimento e circulação para essas produções.
“A Mostra nasce da urgência de criar espaços de visibilidade, circulação e reconhecimento para o cinema realizado por mulheres negras.
Ao longo das edições, temos construído um território de encontro, memória e futuro, onde essas narrativas não apenas existem, mas ganham centralidade.”
“Homenagear Adelia Sampaio é reconhecer uma trajetória que abriu caminhos para todas nós.
E celebrar Joyce Prado é manter viva a força de uma artista que transformou o audiovisual com sua visão, sua coragem e sua estética, além de sua generosidade na troca com outras realizadoras.”, ressalta Edileuza Penha de Souza.
Mais do que um festival, a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio se consolida como uma plataforma contínua de articulação, formação e projeção do cinema negro feminino, ampliando o acesso do público a produções que tensionam, reinventam e expandem os imaginários do audiovisual contemporâneo.
SERVIÇO:
8ª Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio
O Show Musical”, atriz encara novo desafio no audiovisual e integra produção sobre a trajetória de Lélia Gonzalez.
A atriz Isabella Daneluz, que vem construindo sua trajetória especialmente nos palcos e no teatro musical, prepara-se para um novo momento na carreira.
A artista amplia sua atuação no audiovisual ao interpretar Ana Felippe em uma produção dedicada à trajetória de Lélia Gonzalez, uma das mais importantes intelectuais, escritoras e ativistas brasileiras.
A obra resgata a história e o legado de Lélia Gonzalez, referência fundamental do pensamento social brasileiro e dos debates sobre racismo, sexismo, identidade, cultura e a realidade das mulheres negras no país.
Na produção, Isabella interpreta Ana Felippe, personagem ligada à trajetória de Lélia e apresentada na narrativa como uma de suas amigas e escritoras próximas, contribuindo para revelar também as relações pessoais, afetivas e intelectuais que fizeram parte dessa história.
Atualmente em turnê com “Miraculous Ladybug:
O Show Musical”, que chega a São Paulo em outubro, Isabella vive a experiência de transitar entre duas linguagens distintas.
Acostumada à intensidade, à projeção e à presença exigidas pelo teatro, a atriz encontra diante das câmeras um trabalho marcado pelas sutilezas da interpretação, pelos detalhes e pela construção de emoções em uma escala diferente.
A nova experiência representa também uma oportunidade de ampliar seu repertório artístico.
A passagem dos palcos para o audiovisual exige adaptações na forma de interpretar e permite que Isabella explore novas possibilidades profissionais, conciliando a experiência adquirida no teatro musical com os desafios de uma produção cinematográfica.
As gravações acontecem em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro, cidades que integram a construção da narrativa e ajudam a dimensionar a trajetória retratada.
Ao reunir história, memória, cultura e representatividade, o projeto busca aproximar o público, inclusive as novas gerações, do pensamento e do legado deixado por Lélia Gonzalez.
Entre os palcos e as telas, Isabella Daneluz segue ampliando os caminhos de sua carreira.
Depois de conquistar espaço no teatro musical, a atriz passa a explorar com maior intensidade o audiovisual, levando sua experiência e sensibilidade artística para uma produção que recupera uma personagem fundamental da história brasileira e as pessoas que fizeram parte de sua trajetória.
Durante palestra, especialista apresentou aos médicos uma novidade na área da genética que amplia as possibilidades de prevenção, diagnóstico e personalização dos cuidados com a saúde.
O geneticista Dr. Neto foi um dos palestrantes do MEDX Experience, realizado nesta sexta-feira (28), no K Hotel, em Goiânia.
O encontro reuniu médicos em uma programação de imersão voltada à ciência aplicada à prática, tecnologia, gestão, inovação e aos novos caminhos que vêm transformando a medicina.
Durante sua participação, Dr. Neto apresentou aos profissionais presentes uma novidade relacionada ao mapeamento genético, apontada como um importante avanço para uma medicina cada vez mais individualizada.
A tecnologia permite ampliar a compreensão sobre características genéticas de cada pessoa e, a partir dessas informações, contribuir para estratégias mais direcionadas de prevenção, acompanhamento e cuidado.
A proposta representa uma mudança de perspectiva: além de atuar diante de doenças já instaladas, os avanços da genética possibilitam conhecer previamente determinadas predisposições e características individuais que podem auxiliar médicos e pacientes na tomada de decisões ao longo da vida.
Segundo o pesquisador Dr. Neto, o crescimento da medicina genética abre espaço para uma abordagem mais precisa, na qual cada paciente passa a ser analisado considerando também informações presentes em seu DNA.
O mapeamento pode oferecer dados que, associados à avaliação médica, histórico familiar, hábitos e outros exames, ajudam a construir uma visão mais ampla e personalizada da saúde.Durante a palestra, o geneticista destacou que essa evolução pode impactar diferentes áreas da medicina, justamente por fornecer informações capazes de auxiliar profissionais na compreensão de riscos individuais e na definição de estratégias de acompanhamento mais adequadas para cada perfil.
A novidade apresentada no MEDX Experience reforça um movimento que vem ganhando espaço na medicina: a transição de modelos generalizados de cuidado para uma atuação cada vez mais preventiva, preditiva e personalizada, utilizando a genética como uma importante aliada.
O MEDX Experience é direcionado a médicos que buscam acompanhar as transformações do setor e reúne ciência, tecnologia, gestão e inovação em uma programação voltada à aplicação prática do conhecimento.
A participação de Dr. Neto colocou a genética no centro dessa discussão, mostrando como informações presentes no DNA podem contribuir para uma nova forma de compreender a saúde e pensar a medicina do futuro.
Em plena era da inteligência artificial e da produção cada vez mais acelerada, processos artesanais voltam a ganhar protagonismo.
Para a arquiteta Camila Pimenta, não é nostalgia: é uma nova percepção de valor.
Quanto mais a tecnologia acelera a criação e torna possível reproduzir praticamente qualquer coisa, mais atenção o design contemporâneo parece dedicar àquilo que não pode ser replicado exatamente da mesma maneira.
Vidros soprados individualmente, pedras trabalhadas como esculturas, metais moldados, marcenaria, bordados e peças produzidas em pequenas séries voltam a ocupar espaço relevante na arquitetura.
Para Camila Pimenta, esse movimento não representa uma rejeição à tecnologia.
Pelo contrário.“A tecnologia amplia aquilo que podemos fazer.
Mas repertório, sensibilidade e intenção continuam determinando o que realmente vale a pena fazer.”
A arquiteta acredita que o encontro entre processos tecnológicos e conhecimento artesanal será cada vez mais importante.
Uma peça pode nascer de modelagem digital e engenharia de alta precisão e ainda depender das mãos de um artesão para adquirir sua característica mais especial.
E, nesse cenário, até pequenas variações passam a ter outro significado.“
Existe uma diferença enorme entre imperfeito e mal executado.
O artesanal que me interessa tem precisão, mas preserva aquilo que torna cada peça única.”
A mudança também chega à curadoria dos interiores.
Além de perguntar quem assina determinado objeto, passa a importar onde ele foi produzido, quem o executou, qual técnica foi utilizada e qual história existe por trás dele.
É uma lógica que Camila leva aos próprios projetos.
Sua pesquisa atravessa fabricantes, galerias, artistas, artesãos e diferentes países em busca de algo específico para cada residência.
E nem sempre a resposta está disponível no mercado.
“Às vezes procuramos no mundo inteiro e percebemos que a peça certa simplesmente não existe. Então, precisamos criá-la.
É justamente nesse ponto que arquitetura, interiores, arte e design de produto começam a se aproximar.
Em vez de uma residência construída apenas a partir de escolhas de catálogo, surgem peças desenvolvidas especificamente para aquele espaço e aquela família.
Para Camila, o retorno do feito à mão, portanto, não deve ser entendido como uma tendência estética. É consequência de um momento em que autoria, procedência e tempo voltam a participar da percepção de valor de um objeto.
“Talvez o futuro do design não esteja em escolher entre a mão e a máquina, mas em saber exatamente o que devemos pedir a cada uma delas.”