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Relato de um sobrevivente do Annapurna.

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Por JB Alencastro, exclusivo para o D9 Notícias.

Existem 14 picos acima de 8000 metros no mundo. Todos estão na cadeia do Himalaia. Shagarmata – conhecido no ocidente como Everest – é o mais alto.

O K2 é talvez o mais perigoso. Mas nada se compara ao maciço do Annapurna. Com seus 3 cumes, suas avalanches, suas grandes formações de gelo, as fendas e um tempo praticamente imprevisível ele é sem dúvida o grande desafio daqueles poucos heróicos alpinistas que enfrentam todas essas míticas montanhas.

Para chegar a sua base, é necessário um trekking – que para mim é o mais bonito do Nepal – de 5-7 dias chamado Poon Hill, saindo da cidade de Pockara.

Quando lá se chega, a beleza estonteante do local só pode ser apreciada na sua magnitude depois das 9hs da manhã devido a sombra de gigantes que nos rodeiam.

Dentre ele o menorzinho, mas o mais belo “Rabo de Peixe”, o proibido Machapuchare.

Nosso amigo é um sherpa, etnia lendária, originada da migração de tibetanos para o outro lado da montanha, onde existe mais verde, mais umidade e vida.

Nasceu em Namche Bazar. Seu nome poderia ser Tsheri ou Temba que é quem mais me ensinou sobre o Nepal.

Todo sherpa tem um nome, uma cidade onde nasceu, pai e mãe. Detesto quando um alpinista ocidental não cita o nome daquele que o ajudou, até mesmo salvou lá na montanha inóspita.

Estavam encordados quando aquele som característico de avalanche sobreveio. Deu o alerta e os quatro correram junto com o vice guia.

Os porters (carregadores) já haviam passado daquele ponto. A família presenciou a cena aterradora do guia cortando a corda e sendo levado pela neve, para poder liberar todos os outros, visto que ele havia prendido sua bota dupla em uma fenda.

Ali os instintos mais primários vem a tona e revelam quem você é. Autopreservação e altruísmo.

Todos salvos. Pai, mãe, filho, filha e Mingma; o vice-guia. Graças ao líder. O que não sabiam é que apesar da força de tração, ele conseguira sobreviver ao lado de uma rocha, mas soterrado.

Respeito e gentileza com o vice-guia, nenhuma cobrança. O grupo dependeria dele.

Agora seria um grande trabalho de equipe. Subir para o próximo acampamento base ou descer para o que fora deixado? Teria a neve alcançado mais abaixo? Teria ela sido originada antes ou depois do próximo ponto? As garrafas de oxigênio não estavam ali. Nem os suprimentos.

Apenas as mochilas de ataque. Dúvida cruel.

Desceram. Não tinham nem Anna (comida) e nem Purna (cheio) que poderíamos traduzir como comida eterna. Discussão entre quem demostrava mais paciência e cooperação. Todos uníssonos em ajudarem uns aos outros.

Enquanto isso mais de dois metros de gelo recobriam nosso herói. Ali, sem ninguém olhando, sem palco, sem observadores, ele se revela forte, consciente e abre uma fenda para respirar. Seus pés, mãos e nariz estão congelando.

Descendo com extremo cuidado, o grupo ainda acreditava na réstia de esperança de vida. Olhavam para alguma pista, algum sinal colorido na brancura total.

E ele usando as suas duas hastes de escalada, colocou para fora o seu buff com a bandeira nepalesa. Não podia cavar muito ao redor com medo da neve desabar em cima dele.

Então quando sua resiliência apenas o manteve forte e respirando, ele ouviu vozes. Sua chaminé estava exatamente do lado contrário do acampamento, este com algumas barracas de pé e outras não. Mas muita gente acenando.

A filha ouviu e a esposa também. Mulheres sempre tem os sentidos mais aguçados. Viraram todos ao mesmo tempo. Ao longe um ponto vermelho. A vontade era sair correndo.

Mas Mingma dividiu o grupo e foi com o pai levar a corda lentamente, para o resgate. Conseguiram alçá-lo. Ele perdeu cinco dedos da mão.

Mas para ele foi o preço de ter salvado os cinco componentes do grupo que liderava. Nenhum fracasso, apenas fatos que levaram todos a aprender que sem ajuda, cooperação, não se salva ninguém. Nem na montanha e muito menos na vida.

JB Alencastro, médico e escritor.

Ps: em homenagem ao meu amigo Temba Tseri Sherpa que junto a sua esposa Shilpa Kanal e a filha Teshi Sherpa, representam tudo que há de bom no Nepal; educação, espiritualidade e acolhimento.

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Reder Circus entra nas últimas semanas em Anápolis

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Sucesso de público, “Abracadabra – Um Circo Musical” se despede do público anapolino com sessões finais repletas de magia, tecnologia e emoção.

O Reder Circus está em suas últimas semanas em Anápolis com a superprodução “Abracadabra – Um Circo Musical”, espetáculo idealizado e dirigido por Frederico Reder que reúne dois grandes nomes do entretenimento brasileiro:

Dedé Santana, ícone do humor nacional, e Diego Hypólito, medalhista olímpico e um dos maiores ginastas da história do país.

Em cartaz desde abril, a atração se consolidou como um dos maiores sucessos culturais da temporada na cidade, encantando milhares de espectadores com uma experiência imersiva e emocionante para todas as idades.

A proposta de “Abracadabra” vai além do circo tradicional.

A montagem combina acrobacias, palhaçaria, música ao vivo, dança e tecnologia audiovisual de última geração, criando uma narrativa sensorial que celebra a superação humana e o poder das palavras.

De um lado, a irreverência e a experiência cênica de Dedé Santana; do outro, a força, a técnica e a expressividade corporal de Diego Hypólito.

Juntos, os artistas conduzem o público a um mergulho lúdico que resgata a essência da infância e a capacidade de sonhar.Um dos grandes diferenciais do espetáculo é a trilha sonora executada ao vivo por uma orquestra, acompanhada por cantores que conduzem musicalmente toda a apresentação.

Inspirado nos grandes musicais internacionais, o projeto entrega uma experiência de padrão Broadway ao mercado circense brasileiro, reforçando a proposta de inovação e excelência artística.Segundo Frederico Reder, o título do espetáculo carrega um significado central para a obra.

“Em muitas línguas, a expressão ‘Abracadabra’ significa o poder da palavra. Ou seja, tudo o que a gente fala acontece”, afirma o diretor, que defende o circo como uma linguagem universal, capaz de se comunicar diretamente com a emoção do público.

A produção reúne mais de 50 artistas em cena, entre malabaristas, palhaços, acrobatas, bailarinos e músicos brasileiros e internacionais.

O picadeiro, montado próximo à plateia, amplia a interação com o público. A estrutura técnica inclui um mega telão de LED de 100 metros quadrados, mais de uma tonelada de equipamentos de sonorização, dez toneladas de cenários e um sistema de iluminação com mais de 250 refletores interativos.

“Abracadabra – Um Circo Musical” presta homenagem às crianças de todas as gerações: às que vivem o presente e às que permanecem na memória afetiva dos adultos.

Nesta reta final em Anápolis, a expectativa é de sessões com ingressos esgotados, reforçando o sucesso da temporada e a conexão do espetáculo com o público.Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do circo todos os dias, a partir das 10h, e também na plataforma online Uhuu.com.

Serviço

*Reder Circus entra nas últimas semanas em Anápolis com superprodução estrelada por Dedé Santana e Diego Hypólito

Temporada: Últimas semanas

Sessões:Quinta e sexta: 20h

Sábado: 17h e 20h

Domingo: 15h e 18hInstagram: @abracadabracircomusical

Ingressos: https://uhuu.com/evento/go/goiania/reder-circus-dede-santana-e-diego-hypolito-em-abracadabra-15687?gad_source=1&gad_campaignid=23586036422&gbraid=0AAAAAC86bHCytVm__P01liMLa_cv2xq-g&gclid=Cj0KCQjwmunNBhDbARIsAOndKplvore78AWMqPgV2Lv40mv49SKhH8Bo2H7FhrJsSIbb36maAwBIquwaAihFEALw_wcB

Assessoria de Imprensa

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Empresas terão de gerenciar riscos à saúde mental a partir de 26 maio.

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Gabriela Vieira é neuropsicóloga da Clínica Vittá

Norma regulamentadora que já exige controle de riscos físicos, químicos e biológicos agora inclui fatores psicossociais; especialista da Clínica Vittá explica como empresas devem agir.

A partir do dia 26 de maio de 2026, entra em vigor oficialmente a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que torna obrigatória a identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

A medida, que foi anunciada em 2025 e teve um período de adequação sem multas, agora passa a ser passível de fiscalização e penalidades para as empresas que não cumprirem as novas exigências.

O prazo está se esgostando.

A neuropsicóloga Gabriela Vieira, da Clínica Vittá, que atua na avaliação de estresse ocupacional, explica que a mudança coloca a saúde mental dos trabalhadores no mesmo patamar de exigência que os riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Na prática, todas as organizações deverão mapear fatores como sobrecarga de trabalho, pressão por prazos, conflitos interpessoais e falta de apoio das chefias – elementos que, quando crônicos, podem levar a transtornos mentais e afastamentos.

A decisão do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foi motivada por números alarmantes: somente em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,66% em relação a 2024.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que esses afastamentos mais que dobraram no biênio 2022-2024, saltando de 201 mil para 472 mil – uma alta de 134%.*Como identificar

Mas como identificar, na prática, a sobrecarga cognitiva antes que ela se torne um transtorno mental?

A neuropsicóloga Gabriela Vieira afirma que a neuropsicologia pode oferecer às empresas um ‘termômetro” preciso para medir a saturação das equipes.

A especialista afirma que existem testes, como tarefas de atenção contínua, avaliação de funções executivas e escalas de fadiga mental, que funcionam quase como um ‘termômetro’ da saturação cognitiva.

De acordo com ela, a observação clínica e o relato da equipe são fundamentais para complementar esses dados.“

A gente consegue captar sinais precoces – queda de atenção sustentada, aumento de erros, lentificação cognitiva e dificuldade de memória operacional.

Ela ressalta que a aplicação desses testes, combinada com escuta ativa, permite às empresas agir antes que o trabalhador adoeça – reduzindo absenteísmo, presenteísmo e custos com afastamentos.

Diferenças entre fator psicossocial e problema individual.

Uma das dúvidas mais comuns entre gestores de RH é como diferenciar se o sofrimento do trabalhador tem origem no trabalho ou é um problema de saúde mental pré-existente.

Gabriela Vieira afirma que, nestes casos, a análise do contexto é determinante.

Quando o sofrimento está muito ligado a fatores do ambiente – excesso de demanda, pressão, conflitos ou falta de autonomia –, é um fator psicossocial do trabalho.

Já quando os sintomas aparecem de forma mais ampla, em vários contextos da vida, com histórico prévio ou sem relação direta com o trabalho, pode ser algo mais individual. Para a neuropsicóloga, as empresas não devem usar essa distinção como forma de negar responsabilidade.

“O ambiente de trabalho tem o dever de não adoecer. Mesmo um trabalhador com vulnerabilidade prévia pode ser mantido saudável se os fatores psicossociais forem bem gerenciados”.

*O que muda nas empresas?*A NR-1 estabelece as diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil, determinando o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Com a atualização, as empresas deverão fazer adequações.

Entre as adequações, incluir os riscos psicossociais no PGR, documentando e implementando ações de controle; realizar um ciclo contínuo de identificação, avaliação, prevenção, acompanhamento e revisão das medidas; e seguir as orientações do Guia de Fatores de Riscos Psicossociais do MTE, que aponta estressores como sobrecarga, prazos excessivos, conflitos e falta de apoio.

Para completar, as empresas devem combinar a nova gestão com outras normas, como a NR-17, que tem o objetivo de proporcionar conforto, segurança e desempenho eficiente, prevenindo doenças como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), fadiga e estresse (ergonomia).

Nas inspeções, os auditores do Ministério do Trabalho vão observar a organização do trabalho, analisar documentos, verificar dados de afastamento e entrevistar trabalhadores para identificar situações de risco psicossocial.

Com a vigência a partir de 26 de maio, as empresas já devem revisar seus Programas de Gerenciamento de Riscos e incluir a análise de fatores psicossociais.

Especialistas recomendam o uso de protocolos científicos – como os testes neuropsicológicos citados – e a capacitação de equipes de RH e segurança do trabalho.

A tendência é que, nos próximos anos, ações fiscalizatórias e decisões judiciais trabalhistas considerem a ausência de medidas preventivas nesse campo como violação à NR-1, abrindo caminho para indenizações e multas.

Enquanto isso, a neuropsicóloga da Clínica Vittá reforça o recado de que cuidar da saúde mental é sobrevivência: o cérebro adoece, e a conta sempre chega – para o trabalhador, para a empresa e para a sociedade.

– Gabriela Vieira é neuropsicóloga da Clínica Vittá

*Serviço*

Pauta: Empresas terão de gerenciar riscos à saúde mental a partir de 26 de maio

Fonte especialista: Neuropsicóloga Gabriela Vieira – Clínica Vittá

Assessoria de Imprensa

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Comemoração

Comemorações

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Em recente comemoração no Rio de Janeiro pelos aniversários dos amigos Fabrício Britto e Gabriela Vilela, a médica Ana Gabriela Maia e sua mãe a advogada Ana Carla Maia, marcaram presença nas festividades realizadas na noite do dia 1º de maio, no luxuoso Julieta de Serpa.

Já no dia 2, as comemorações continuaram na praia do Leblon, no posto 11, reunindo mais de 70 goianos que prestigiaram os aniversariantes em um animado encontro à beira-mar.

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